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Mulher que matou marido depois de anos de agressões é inocentada por legítima defesa

Uma história daquelas que parece saída de uma ficção. Uma mulher passa anos sendo agredida pelo marido. Até que uma noite, depois de apanhar muito, ela toma uma decisão extrema. Desesperada, mata o companheiro. A mulher é presa acusada de homicídio. Oito anos depois, um júri popular decide que ela agiu em legítima defesa. Um desfecho surpreendente e ao mesmo tempo emocionante.

No choro, anos de espera e muita angústia: “Tudo que eu vivi eu tento esquecer, só que é meio impossível, sabe? Porque é muito difícil, foi muita história, muito sofrimento. A minha vida desde a infância foi muito sofrimento”, diz a Diamilla Alexandra, de 44 anos e mãe de quatro filhos.

Conhecida como “Mila” pela família e amigos, a história dela sempre foi marcada pela violência doméstica. Quando ainda era criança, perdeu parte da audição, por causa das constantes surras que levava do padrasto: ” Quando casei, achei que ia ser diferente”.

Ela tinha 17 anos quando conheceu Jean Ferreira dos Santos. Logo foram viver juntos. Desde o início, o companheiro já demonstrava ser uma pessoa violenta: “Ele começou com uns puxões de cabelo. Quando eu falava alguma coisa que ele não gostava”, relembra Diamilla.

Diamilla engravidou de gêmeos. Durante uma discussão apanhou tanto que perdeu os bebês, com 20 semanas de gestação. Ao longo dos 15 anos de relacionamento, ela registrou 8 boletins de ocorrência.

Ele foi condenado 4 vezes por crimes cometidos contra ela, chegou a ser preso: “Depois ele veio e me deu uma facada nos rins, aí foi preso. E quando saía, eu acabava voltando com ele, porque ele me procurava e falava: vou mudar, vai ser diferente, vamos criar nossos filhos”, relata.

Até que o impensável aconteceu. Dia nove de setembro de 2018, um domingo. Diamilla conta que o marido estava fora de casa, há 2 dias. Ela, então, decidiu ir com os filhos e o irmão até uma represa que ficava perto da casa da família. Quando voltou, no fim do dia, Diamilla foi surpreendida pelo marido e foi mais uma vez agredida violentamente: “Eu falei para ele você pode bater, mas hoje você vai bater para valer mesmo. Porque vai ser a última vez. Porque eu não vou aceitar mais isso”.

Depois de horas de agressão, o marido se deitou na cama e dormiu ao lado de uma faca. Diamilla conta que não teve dúvidas do que fazer: “Eu sabia que a hora que ele levantasse ele ia me matar”. Ela atingiu o marido com golpes de faca, e Jean morreu no local. Diamilla foi presa em flagrante, passou por audiência de custódia no dia seguinte e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva.

A moça ficou mais de 30 dias presa. Só foi solta, porque o filho mais novo, que na época tinha só dois anos, ficou doente e por isso, a Justiça autorizou que ela respondesse ao processo em liberdade. Só que ao sair da cadeia, ela teve que enfrentar uma nova realidade – a de uma mulher que estava sendo acusada de assassinato.

A espera pelo julgamento em liberdade veio com peso. Medo de ser condenada, se sentindo desamparada e ainda julgada pelas pessoas. Oito anos depois, no dia 12 de junho, 7 jurados foram unânimes. As imagens da absolvição têm emocionado muita gente que não sabia da história real dela. Diamilla ganhou uma segunda chance, ao lado dos filhos. Oportunidade de dar a eles o amor e o acolhimento que ela nunca conheceu.

(Informações R7)

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