Redação –
A dentista e empresária Rossana Paroschi Jafar é apontada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) como a principal responsável por um esquema criminoso investigado por desvio de recursos públicos destinados à Educação em Mato Grosso do Sul. Segundo as investigações, ela e três filhos foram presos sob suspeita de participação em fraudes que teriam movimentado cerca de R$ 29 milhões.
Conforme relatório do Gaeco, a investigação remonta à morte de Micherd Jafar Júnior, ocorrida em abril de 2021. À época, ele era investigado por supostas fraudes em contratos públicos na condição de proprietário da Gráfica e Editora Alvorada.
Meses após a morte de Micherd, a nora dele, Rhayane Souza Fanaia, constituiu uma editora em São Bernardo do Campo (SP), com capital social registrado de R$ 40 mil. Apesar disso, segundo o Ministério Público, a empresa passou a firmar contratos milionários com prefeituras de Mato Grosso do Sul para fornecimento de materiais didáticos.
As circunstâncias chamaram a atenção dos investigadores, que identificaram um suposto esquema baseado na celebração de contratos sem licitação, por meio de hipóteses previstas na legislação. Com o avanço das investigações e a quebra dos sigilos fiscal, bancário, telefônico e telemático dos investigados, o Gaeco concluiu que Rossana exercia o comando da organização criminosa.
Contratos e movimentação financeira
De acordo com a investigação, os contratos celebrados com municípios sul-mato-grossenses alcançaram valores expressivos. Em um dos casos citados pelo Gaeco, um contrato firmado com a Prefeitura de Ivinhema passou de R$ 586,8 mil para R$ 874,1 mil após receber um aditivo cerca de um mês depois da assinatura. Municípios como Ladário e Miranda também aparecem entre os contratantes da empresa investigada.
Ainda conforme o Ministério Público, mensagens obtidas por meio de aplicativo de conversa indicam que Rossana orientava a distribuição dos recursos obtidos com os contratos. A investigação aponta que parte do dinheiro era sacada em espécie para dificultar o rastreamento da origem e do destino dos valores.
Segundo o Gaeco, os recursos eram posteriormente distribuídos entre empresas e pessoas físicas, incluindo clínicas médicas, gráficas, oficina mecânica, distribuidora de bebidas e servidores públicos.
Clínica de estética e munições
Além da atuação empresarial, Rossana administrava uma clínica de estética registrada em nome da filha, Olívia Paroschi Jafar, especializada em harmonização orofacial.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, também foram encontradas munições de arma de fogo em um banheiro da residência da empresária. Ela negou ter conhecimento do material.
Empresa já havia sido alvo de investigação
O relatório destaca ainda que Rossana figurava como sócia da Gráfica e Editora Alvorada, empresa que já havia sido investigada pela Polícia Federal durante a Operação Lama Asfáltica, deflagrada na década passada para apurar supostos desvios de recursos públicos.
As investigações sobre o atual esquema continuam em andamento. O espaço permanece aberto para manifestação das defesas dos investigados.




