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Oficinas da FLIB aproximam crianças, estudantes e leitores de diferentes formas de criação

Atividades gratuitas unem arte, educação, memória e palavra em uma programação voltada a diferentes idades e interesses

Na 10ª Feira Literária de Bonito (FLIB), a literatura também acontece no fazer. Antes de chegar ao livro pronto, à leitura em voz alta ou ao palco, ela passa pela experiência: escrever, pintar, lembrar, imaginar, ouvir histórias, reconhecer símbolos e transformar referências em criação.

Esse movimento sempre marca a programação de oficinas da feira, que reúne atividades voltadas a crianças das escolas públicas, estudantes, professores, leitores, idosos e pessoas interessadas nos caminhos da arte, da palavra e da autoria. Entre os dias 8 e 11 de julho, a FLIB ampliou o diálogo entre literatura, educação, memória, escrita criativa e diversidade cultural, com participação gratuita e vagas limitadas.

Para as crianças das escolas públicas, a programação trouxe experiências especialmente pensadas para ampliar o contato com a arte, a leitura e a expressão. Vini Willyan e Fabiano Piúba conduziram a oficina “Cadê o poema que estava aqui”, enquanto Lígia Rocha ministrou “Paisagens e Pinturas da Minha Terra”. Também fizeram parte desse circuito as oficinas “Palavras que sonham: Literatura indígena infantil e Educação antirracista”, com Miguela Moura, e “Grafismo indígena como linguagem”, com Jadi Ribeiro. As atividades tiveram novas turmas ao longo da programação, incluindo edições no período da tarde.

Do livro à primeira ideia

Na quinta-feira (9), duas oficinas reforçaram o diálogo entre criação, produção e autoria. Pela manhã, Eva Vilma conduziu “Edição de livros para a infância: olhares e possibilidades”, propondo um mergulho no processo de criação editorial, na curadoria, na leitura crítica, na relação entre texto, imagem e projeto gráfico, além das memórias que formam leitores desde cedo.

A escritora e professora conta que chegou à FLIB com uma proposta voltada ao universo da edição de livros para a infância, mas encontrou um público mais diverso do que imaginava, com presença expressiva de adolescentes. A oficina, então, ganhou outro ritmo.

“Eu pensei que teria uma galera mais ligada à cadeia do livro, querendo entender esse processo de criação, as etapas da edição. Mas tinha muitos adolescentes, e a gente reorganizou parte da oficina. Foi muito legal, porque eles se envolveram demais, participaram e acessaram esses territórios da infância a partir das propostas”, afirmou Eva.

Para ela, observar jovens criando dentro da feira é um sinal importante de que a literatura segue viva. “Ver adolescentes escrevendo, criando, acessando esses elementos que destravam a imaginação, é muito bonito. Eles estão vindo, estão acessando isso a partir de feiras literárias, desses dias em que a gente respira literatura”, disse.

À tarde, Tânia Souza ministrou “Jogos de escrita para gente curiosa”, oficina de escrita criativa que partiu de aromas, imagens, palavras incomuns, memórias, associações e situações inesperadas. Café, erva-doce, vinagre e limão ajudaram os participantes a perceber que uma história pode nascer de elementos simples do cotidiano.

“Quando estava preparando a oficina, pensei no estudante que às vezes não tem muita prática de escrita, ou nem gosta de escrever. Quis mostrar que é possível escrever a partir de diversos elementos do cotidiano”, explicou Tânia.

A proposta não era, necessariamente, que todos saíssem com um texto finalizado, mas o resultado surpreendeu. “Saíram vários textos maravilhosos. Alguns surpreendentes pela idade e pela maturidade de escrita dos alunos”, destacou.

Entre os participantes estava Davi Alves Silva, estudante do 7º ano da Escola Barão do Rio Branco, de Corumbá (MS), que participou das oficinas de Eva e Tânia. Em sua primeira viagem para estudar fora da escola, ele contou que se identificou com as atividades de criação.

“Pra mim foi bem legal. Na oficina da Eva, a gente relembrou a infância, os livros infantis. Na da Tânia, foi mais puxado para criar textos e histórias. Eu gosto bastante de desenhar e, de vez em quando, escrever. Tenho muita criatividade em casa, estou sempre desenhando ou criando alguma coisa para minhas irmãs e para mim”, contou.

Programação segue com novas oficinas

A programação de oficinas da FLIB continua ampliando as possibilidades de contato com a literatura, a criação e a mediação de leitura. Nesta sexta-feira (10), Adrianna Alberti conduz uma oficina dedicada à literatura fantástica na escrita criativa de textos curtos e poéticos. Também no dia 10, Flávia Rohdt ministra “Entre o mínimo e o infinito”, voltada à produção de aldravias e suas possibilidades em sala de aula, enquanto Luciana Gerbovic conduz a “Oficina de Mediação de clubes de leitura”, destinada a quem deseja iniciar ou aprimorar experiências coletivas de leitura.

No sábado (11), Karina Vicelli apresenta “Poética: Arrebol e Outras Cores do Tempo”, voltada ao público da terceira idade e inspirada na trajetória de Luciano Serafim, um dos homenageados da edição. A atividade trabalha memória afetiva, oralidade, escrita e construção coletiva. A programação formativa também conta com propostas exclusivas para professores da rede municipal de Bonito, com Bianca Resende, em atividade sobre mediação de leitura para crianças, e Lavínia Rocha, com “Pedagogia do entusiasmo”.

Ao reunir poesia, pintura, literatura indígena, grafismo, escrita criativa, edição, literatura fantástica, aldravias, clubes de leitura, memória afetiva e práticas pedagógicas, a FLIB mostra que a formação de leitores e autores pode começar de muitos lugares. De uma paisagem, de uma lembrança de infância, de um cheiro reconhecido, de uma palavra solta, de um traço no papel ou da primeira história que alguém se encoraja a escrever.

Evento oficial

A FLIB, em 2026, presta homenagem à escritora Lygia Fagundes Telles e ao escritor e editor douradense Luciano Serafim, que faleceu em 2025 e teve participação marcante na história da feira.

A edição conta com apoio de instituições públicas e privadas, incluindo recursos viabilizados por emendas parlamentares, além da participação da Caixa, Sesc MS, Sebrae, Sanesul, Prefeitura Municipal de Bonito, Câmara Municipal de Bonito, Ministério da Cultura e do Estado de Mato Grosso do Sul.

A FLIB integra o Calendário Municipal de Eventos de Bonito e, desde a publicação do decreto estadual nº 6.457, de 11 de agosto de 2025, também faz parte do Calendário Oficial de Eventos de Mato Grosso do Sul, reforçando sua relevância no cenário cultural e educacional do estado.

Serviço:
10ª Feira Literária de Bonito (FLIB)
Data: 7 a 12 de julho de 2026
Local: Praça da Liberdade, Bonito/MS

Programação disponível em https://flibonito.com

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