Redação –
Um homem trans procurou a Polícia Civil para denunciar supostos episódios de transfobia sofridos no ambiente de trabalho em um supermercado localizado no Jardim Caramuru, em Dourados.
Conforme o boletim de ocorrência, a vítima, identificada pelas iniciais W.G.M.A., informou que foi contratada pelo estabelecimento no dia 19 de junho deste ano e que toda a equipe, incluindo os superiores, tinha conhecimento de sua identidade de gênero e de que sua documentação pessoal já havia sido retificada com nome e gênero masculinos.
Apesar disso, segundo o relato, desde o primeiro dia de trabalho algumas encarregadas teriam insistido em tratá-lo no gênero feminino, mesmo após ele explicar sua condição e solicitar que sua identidade fosse respeitada.
Ainda de acordo com o registro policial, em outro episódio, ocorrido no dia 1º de julho, um encarregado do setor de açougue teria se dirigido à vítima utilizando o termo “princesa”, apesar de saber que se tratava de um homem trans.
O comunicante também afirmou que, no dia 4 de julho, o gerente-geral do supermercado teria se referido a ele utilizando pronomes femininos durante uma conversa com outra funcionária. Conforme o boletim, ao ser corrigido, o gerente teria respondido que “ainda estava se acostumando”.
A vítima informou ainda que procurou o setor de Recursos Humanos da empresa no dia 2 de julho para relatar os fatos. Na ocasião, segundo o boletim, a responsável pelo atendimento afirmou que levaria a situação ao conhecimento da gerência e promoveria uma orientação junto aos funcionários. No entanto, dias depois, W.G.M.A. soube que a profissional havia deixado a empresa, sem que, segundo ele, as medidas prometidas fossem adotadas.
Diante da continuidade das situações que considera constrangedoras e discriminatórias, o trabalhador registrou boletim de ocorrência para que os fatos sejam apurados e as medidas legais cabíveis sejam adotadas.
O caso será investigado pela Polícia Civil. Até o momento, não há manifestação pública dos funcionários citados nem da empresa sobre as acusações.



