Juliel Batista –
A advogada e pré-candidata a deputada estadual Bárbara Resende (União Brasil) afirmou, durante entrevista ao FolhaCast, que pretende construir sua atuação política com foco em pautas ligadas ao terceiro setor, à assistência social, à segurança pública e à criação de oportunidades para a juventude sul-mato-grossense. Aos 28 anos, ela defende uma política voltada para o diálogo e para a busca de soluções práticas, tendo como principal objetivo garantir mais dignidade à população.
Ao falar sobre sua trajetória, Bárbara destacou a experiência acumulada na Comissão do Terceiro Setor da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS), onde atua como secretária-geral. Segundo ela, o contato direto com instituições sociais transformou sua visão sobre a realidade do Estado. “Quando ingressei no terceiro setor e comecei a visitar as instituições, isso mudou a forma como eu vejo o Mato Grosso do Sul”, afirmou. Para a pré-candidata, as entidades cumprem um papel essencial em áreas onde o poder público não consegue atuar sozinho, especialmente na assistência social e na saúde.
Entre as prioridades de sua eventual atuação na Assembleia Legislativa, Bárbara apontou o enfrentamento da violência contra a mulher e o fortalecimento da segurança pública. Ela defendeu mais investimentos em estrutura, efetivo e capacitação dos profissionais que atuam no atendimento às vítimas. “Não existem soluções penais simples para problemas sociais complexos”, disse. Para ela, além da aplicação rigorosa das leis já existentes, é necessário oferecer melhores condições para que os órgãos de segurança possam agir de forma eficiente e humanizada.
“Não existem soluções penais simples para problemas sociais complexos”
A pré-candidata também demonstrou preocupação com a situação dos jovens, citando dificuldades econômicas, falta de perspectivas e o aumento de problemas relacionados à saúde mental. “No final, eu resumo tudo a dignidade. Se a gente der dignidade e oportunidade para as pessoas, o país prospera”, declarou. Bárbara defende políticas voltadas à qualificação profissional, incentivo ao empreendedorismo, ampliação do acesso ao crédito e redução de impostos para quem está iniciando a vida profissional ou empresarial.
Filha do deputado federal Geraldo Resende, Bárbara reconheceu a influência da trajetória política do pai em sua formação, mas afirmou que busca construir uma identidade própria. Segundo ela, sua pré-candidatura se diferencia pelo compromisso com resultados concretos e pela defesa de uma política baseada no serviço público. “Eu vejo a vida pública não como privilégio, mas como servidão”, afirmou. Ao encerrar a entrevista, reforçou o desejo de contribuir para que Mato Grosso do Sul ofereça mais oportunidades e qualidade de vida, especialmente para os jovens que hoje deixam o Estado em busca de perspectivas melhores.
Filha do deputado federal Geraldo Resende, Bárbara reconhece a influência da trajetória política do pai em sua formação, mas afirmou que “busca construir identidade própria”

Assista a entrevista completa gravada no Studio Nexus 5.0:
FolhaCast – Bárbara, conte um pouco da sua trajetória pessoal e profissional.
Bárbara Resende – Sou nascida e criada em Dourados. Estudei grande parte da minha vida na Escola Imaculada Conceição e depois fiz o pré-vestibular no Lumière. Me formei em Direito pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) em 2020. Atuei inicialmente nas áreas de Direito Público e Direito Administrativo, mas depois encontrei minha vocação no terceiro setor. Atualmente integro a Secretaria-Geral da Comissão do Terceiro Setor da OAB-MS, uma área que realmente me realiza profissionalmente.
O que a levou a escolher o curso de Direito?
Apesar de vir de uma família ligada à saúde, com pai médico e mãe dentista, sempre tive muita curiosidade sobre o funcionamento das instituições, do Estado e da política. Cresci acompanhando a vida pública do meu pai e isso despertou em mim o interesse por entender como as decisões são tomadas. O Direito foi o caminho natural para compreender esses processos.
“Apesar de vir de uma família ligada à saúde, com pai médico e mãe dentista, sempre tive muita curiosidade sobre o funcionamento das instituições, do Estado e da política”
Seu interesse pela política surgiu ainda na faculdade?
Sim. Meu Trabalho de Conclusão de Curso foi sobre ciência legislativa e minha pós-graduação abordou fake news e seus impactos na democracia. Além disso, participei do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito e sempre procurei ocupar espaços de decisão. Hoje percebo que havia muitos sinais de que eu tinha interesse pela atividade política.
Como surgiu sua ligação com o terceiro setor?
Depois de atuar no Direito Público, fui apresentada ao trabalho de instituições sociais por amigos que já atuavam nessa área. Passei a conhecer entidades que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade, pessoas com deficiência e outras causas sociais. Isso mudou minha visão sobre o Direito e me mostrou que era possível utilizar o conhecimento jurídico para transformar realidades.
Qual é o trabalho desenvolvido pela Comissão do Terceiro Setor da OAB-MS?
Atuamos em diversas frentes, desde análise estatutária e orientação jurídica até articulações institucionais para captação de recursos. Nosso principal trabalho foi construir uma parceria com a Receita Federal para destinar bens apreendidos a entidades sociais. Só no ano passado conseguimos viabilizar cerca de R$ 2,4 milhões em doações para instituições de Mato Grosso do Sul.
O que mais a orgulha nesse trabalho?
O fato de termos conseguido esses resultados sem mandato, sem emendas parlamentares e apenas por meio de articulação institucional. Visitamos pessoalmente todas as entidades beneficiadas para verificar o trabalho desenvolvido e garantir que os recursos fossem destinados de forma responsável.
Em que momento surgiu a decisão de disputar um cargo eletivo?
Foi um processo gradual. Sempre participei de espaços de representação e de decisão. Mas a decisão de me colocar como pré-candidata veio da preocupação com o cenário político atual. Vejo uma política cada vez mais polarizada, com menos diálogo e menos foco nas necessidades reais da população.
“Vejo uma política cada vez mais polarizada, com menos diálogo e menos foco nas necessidades reais da população”
O que mais a preocupa na política atual?
A falta de diálogo e a distância entre os debates políticos e os problemas enfrentados pela população. Muitas vezes vemos discussões ideológicas enquanto as pessoas enfrentam dificuldades para conseguir emprego, comprar uma casa, abrir um negócio ou viver com segurança. A política precisa voltar a discutir soluções práticas.
Você costuma dizer que sente uma espécie de “revolta” com a situação atual. O que significa isso?
É a indignação de ver pessoas trabalhando cada vez mais e tendo cada vez mais dificuldade para alcançar objetivos básicos. Vejo amigos da minha geração que não conseguem comprar uma casa, financiar um carro ou construir uma vida com a mesma facilidade que seus pais tiveram. A sensação é que a linha de chegada está sempre ficando mais distante.
Quais são os principais problemas que você identifica hoje?
Segurança pública, saúde, educação e dificuldades econômicas. Temos altos índices de endividamento, juros elevados, dificuldades para empreender e uma perda constante de jovens no interior do Estado. Precisamos discutir essas questões com seriedade.
Quais pautas pretende defender caso seja eleita?
Quero trabalhar por mais oportunidades para os jovens, fortalecimento do empreendedorismo, qualificação profissional alinhada às necessidades locais e políticas que incentivem a permanência dos jovens no interior. Também acredito em medidas que reduzam burocracias e ampliem oportunidades para quem quer empreender.
O que considera mais importante para o futuro do país?
A dignidade. No final das contas, tudo passa por isso. As pessoas querem ter acesso à saúde, educação de qualidade, segurança, emprego e condições de construir suas vidas. Antes de grandes debates ideológicos, precisamos garantir o básico para a população.
“As pessoas querem ter acesso à saúde, educação de qualidade, segurança, emprego e condições de construir suas vidas”
Qual mensagem você deixa aos eleitores?
Quero representar uma política de diálogo, equilíbrio e construção de soluções. Acredito que a vida pública deve ser encarada como propósito e serviço. Precisamos voltar a olhar para os problemas reais das pessoas e trabalhar para oferecer oportunidades e dignidade para todos.
Quais são as principais bandeiras da sua pré-candidatura?
Eu defendo o terceiro setor e acredito que ele faz uma gestão muito eficiente, especialmente na assistência social. Quando comecei a visitar instituições, passei a conhecer realidades que muitas pessoas não veem. Vi de perto situações muito difíceis, como crianças vítimas de violência e entidades que prestam um serviço essencial à sociedade. O terceiro setor faz um trabalho que o Estado, sozinho, não consegue realizar e precisa ser mais valorizado e fortalecido.
Por que essa área se tornou tão importante para você?
Porque ela mudou a forma como eu vejo Mato Grosso do Sul. Convivi com pessoas em situações de extrema vulnerabilidade e compreendi a importância dessas instituições na transformação de vidas. Muitas vezes elas são negligenciadas pelo poder público, apesar de prestarem serviços fundamentais na assistência social, na saúde e em outras áreas.
Além do terceiro setor, quais outras pautas você pretende defender?
A valorização da segurança pública e o enfrentamento da violência contra a mulher. Mato Grosso do Sul possui índices muito altos de feminicídio e violência doméstica. Precisamos garantir que as leis existentes sejam efetivamente cumpridas e oferecer melhores condições de trabalho para as forças de segurança.
“Mato Grosso do Sul possui índices muito altos de feminicídio e violência doméstica. Precisamos garantir que as leis existentes sejam efetivamente cumpridas “
O que pode ser feito para reduzir esses índices?
Não existem soluções simples para problemas complexos. É preciso fortalecer a segurança pública com mais estrutura, equipamentos e efetivo. Também acredito na capacitação dos profissionais que atendem mulheres vítimas de violência, para evitar a revitimização e garantir um acolhimento adequado.
Você acredita que as delegacias especializadas estão preparadas para esse atendimento?
Há profissionais comprometidos, mas ainda existem falhas. Muitas mulheres relatam que não se sentem acolhidas quando procuram ajuda. Precisamos investir em capacitação contínua para que os atendimentos sejam mais humanizados e eficientes.
Como você avalia as políticas públicas voltadas para as mulheres no Estado?
Precisamos avançar muito. Defendo o desenvolvimento social feminino por meio da educação e da autonomia financeira. Mulheres com independência econômica têm mais condições de romper ciclos de violência e construir uma vida com mais dignidade.
Você citou a destinação de emendas para projetos voltados às mulheres. Como isso aconteceu?
Pedi que parte das emendas destinadas a instituições federais e universidades fosse direcionada a projetos voltados para mulheres de bairros periféricos e comunidades quilombolas. Acredito que a emancipação financeira é uma ferramenta poderosa de transformação social.
A juventude também aparece como uma preocupação constante em suas falas. Por quê?
Porque os jovens estão perdendo perspectivas. Temos índices preocupantes de suicídio entre a juventude e muitos jovens não conseguem enxergar oportunidades de crescimento. Quando terminam os estudos, encontram um mercado difícil, moradia cara, crédito restrito e poucas perspectivas de futuro.
“Temos índices preocupantes de suicídio entre a juventude e muitos jovens não conseguem enxergar oportunidades de crescimento”
Quais propostas você defende para esse público?
Mais oportunidades de qualificação profissional alinhadas à realidade de cada município, incentivo ao empreendedorismo, redução de impostos para quem está começando e linhas de crédito mais acessíveis para jovens e pequenos empresários. Precisamos criar condições para que os jovens possam construir suas vidas aqui.
Como você avalia a atual gestão do Governo do Estado?
Vejo pontos positivos e pontos que precisam melhorar. Considero importante o incentivo à tecnologia e às parcerias que vêm sendo realizadas nessa área. Ao mesmo tempo, temos desafios importantes em segurança pública, violência contra a mulher e juventude que precisam ser enfrentados com mais intensidade.
O que você espera dos candidatos ao Governo do Estado em relação a essas pautas?
Espero compromissos públicos claros. A juventude, as mulheres e a segurança pública precisam estar no centro dos planos de governo. Independentemente de quem seja eleito, essas pautas precisam ser tratadas como prioridade.
Como está sendo construída sua candidatura dentro do União Brasil?
Temos trabalhado em várias regiões do Estado, especialmente na Grande Dourados, fronteira e região norte. Nossa expectativa é que a federação União Progressista conquiste entre seis e sete cadeiras na Assembleia Legislativa.
O apoio do deputado federal Geraldo Resende será importante para sua campanha?
Sem dúvida. Meu pai abre portas e me transmitiu valores importantes sobre a vida pública, principalmente a ideia de que política é serviço e não privilégio. Mas também estou construindo meu próprio caminho, minhas parcerias e minha identidade política.
“Meu pai abre portas e me transmitiu valores importantes sobre a vida pública, principalmente a ideia de que política é serviço e não privilégio”
Como você lida com as comparações por ser filha de um político experiente?
Encaro isso como uma responsabilidade. Carrego um sobrenome que representa credibilidade e trabalho, mas também procuro mostrar que tenho uma trajetória própria, baseada na atuação no terceiro setor, no direito e nas causas que defendo.
O que diferencia sua pré-candidatura das demais?
Acredito que seja a combinação entre propósito, diálogo e compromisso com resultados concretos. Quero fazer política olhando para as necessidades reais das pessoas, pensando em dignidade, oportunidades e qualidade de vida. Meu objetivo é contribuir para que Mato Grosso do Sul seja um Estado onde os jovens queiram permanecer e construir seu futuro.
Qual sua mensagem final aos eleitores?
Quero agradecer a todos que acompanharam a entrevista. Estamos percorrendo Mato Grosso do Sul, ouvindo as pessoas e construindo propostas. Nosso objetivo é apresentar soluções viáveis para os desafios do Estado e trabalhar por mais oportunidades, dignidade e desenvolvimento para todos.




