Uma morte repentina e cercada de indignação mobilizou os moradores. Um homem de 53 anos, identificado como José Carlos Ribeiro Miranda, faleceu na noite da última quarta-feira (24) enquanto aguardava uma refeição no interior de um restaurante local.
O que era para ser uma noite comum transformou-se em um pesadelo para a família, que precisou travar uma verdadeira batalha burocrática para que o corpo da vítima fosse finalmente removido do estabelecimento comercial.
Clientes e Funcionários Acharam que a Vítima Estava Apenas Dormindo
De acordo com as informações registradas pela Polícia Militar, José Carlos chegou ao restaurante apresentando sinais visíveis de embriaguez e fez o pedido de um prato de comida. Logo em seguida, ele se acomodou em uma das cadeiras do recinto, apoiou os braços na mesa e abaixou a cabeça.
Testemunhas relataram que, inicialmente, o ato foi interpretado por todos no local como um momento de sono profundo provocado pelo álcool. No entanto, a PM apurou que a vítima chegou a vomitar discretamente antes de apagar.
O alerta foi aceso quando um parente de José Carlos entrou no restaurante e tentou acordá-lo. Ao perceber que o homem não reagia aos estímulos e estava com a pele fria, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado às pressas, mas a equipe médica pôde apenas constatar o óbito no local.
Corpo Ficou Mais de 4 Horas no Local por Falta de Médico
A partir da confirmação do falecimento, iniciou-se o drama da família. Conforme os relatos da Polícia Militar, o Instituto Médico Legal (IML) e o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) foram formalmente acionados para fazer a retirada do cadáver, mas nenhum dos órgãos compareceu ao estabelecimento de imediato.
A filha da vítima, Lais Ribeiro, expressou profunda revolta com o descaso das autoridades. Segundo ela, o corpo do pai permaneceu estendido na cadeira do restaurante por mais de quatro horas (das 19h40 até por volta de 0h10).
“Meia-noite e dez o pessoal chegou para vir recolher o corpo porque eu registrei o boletim de ocorrência. Muita luta, com muita peleja, caminha pra lá, pra cá até conseguir”, desabafou Lais. Ela explicou que, enquanto estava no restaurante, foi informada de que a liberação e remoção não seriam feitas rápido porque o médico plantonista responsável estaria afastado sob atestado médico.
Histórico de Problemas de Saúde e Investigação
Segundo notas posteriores emitidas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-TO), familiares próximos relataram que José Carlos possuía um histórico clínico prévio de problemas graves de saúde, o que reforça a hipótese de uma morte por causas naturais (infarto ou acidente vascular).
O corpo foi finalmente encaminhado ao núcleo do IML de Porto Nacional, onde passará por exames de necropsia para determinar a causa exata do falecimento. O caso foi registrado na 71ª Delegacia de Polícia Civil do município, que deve acompanhar o laudo pericial. A SSP foi formalmente questionada sobre a grave falha e a demora no atendimento de remoção, mas não enviou respostas oficiais até o fechamento desta edição.
O caso ocorreu no setor Umuarama, em Porto Nacional, na região central do Tocantins.
(Informações Portal do Tupiniquim)


