Redação –
O Governo de Mato Grosso do Sul homologou nesta quinta-feira (25) duas licitações que totalizam R$ 8,98 milhões para a perfuração de poços nas aldeias Bororó e Jaguapiru, em Dourados, município localizado a 231 quilômetros de Campo Grande. As obras marcam a primeira etapa da implantação de um novo sistema de abastecimento de água destinado às comunidades indígenas, que enfrentam há décadas problemas de desabastecimento.
Os avisos de homologação foram publicados no Diário Oficial do Estado (DOE). A vencedora das duas concorrências foi a EBS Empresa Brasileira de Saneamento Ltda., responsável pela execução dos poços nas duas aldeias. Cada contrato foi firmado no valor de R$ 4.492.322,53.
Com a conclusão da fase licitatória, o Estado poderá avançar para a assinatura dos contratos e o início das obras. Nesta etapa, os serviços contemplam apenas a perfuração dos poços, sem incluir toda a infraestrutura necessária para distribuição da água às residências.
De acordo com o diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio, o projeto foi dimensionado para atender uma população equivalente à de um município de médio porte. Segundo ele, cada aldeia contará com um sistema independente de abastecimento.
“Cada aldeia vai ter um superpoço. Então, nós vamos fazer dois sistemas independentes, cada um com um superpoço de vazão grande, rede de distribuição para todas as unidades de moradia e um sistema pesado de reservação”, explicou.
Marcílio destacou que os poços terão características diferentes dos sistemas convencionais. “São poços mais profundos, com vazão maior. Tudo é calculado em função da demanda que vai existir lá. É praticamente como se a gente pegasse um município que não tivesse nada de água e providenciasse toda a estrutura do zero”, afirmou.
As aldeias Bororó e Jaguapiru estão situadas a cerca de oito quilômetros da região central de Dourados e concentram mais de 25 mil moradores em uma área de aproximadamente 3,5 mil hectares. Caso fossem consideradas um município, estariam entre os 20 mais populosos de Mato Grosso do Sul.
A insuficiência no abastecimento de água é apontada como um dos principais problemas históricos da reserva indígena. Recentemente, o armazenamento improvisado de água em recipientes também foi citado como um dos fatores que contribuíram para a proliferação do mosquito transmissor da chikungunya na região.
Reivindicação histórica
A implantação do novo sistema ocorre após anos de reivindicações das comunidades indígenas. Em janeiro de 2024, moradores chegaram a bloquear a rodovia MS-156, entre Dourados e Itaporã, em protesto contra a falta de água que afetava milhares de famílias.
Na ocasião, o Governo do Estado informou que o projeto de ampliação do abastecimento já estava concluído, mas dependia da liberação de recursos federais e do apoio da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) para sua execução.
Em janeiro deste ano, o Executivo estadual apresentou o projeto completo para universalização do abastecimento nas aldeias, com investimento estimado em R$ 50,7 milhões. A proposta prevê a implantação de dois sistemas independentes, quase 6 mil ligações domiciliares, redes de distribuição, reservatórios e demais estruturas necessárias para garantir o fornecimento regular de água às comunidades.



