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Xampus humanos e erros no banho caseiro ameaçam a saúde dos pets

O banho doméstico em cães e gatos, quando realizado sem os cuidados técnicos necessários, pode deixar de ser apenas um hábito de higiene e se tornar um fator de risco para a saúde dos animais. Do ponto de vista biológico, a necessidade desse procedimento não é a mesma para os pets.

Enquanto cachorros saudáveis de apartamento podem exigir uma higienização a cada 15 ou 30 dias (se estiverem visivelmente sujos), os felinos são animais autolimpantes e não exigem essa rotina. Neles, a limpeza desnecessária gera estresse severo e quebra a barreira de proteção cutânea, abrindo portas para alergias e infecções dermatológicas.

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Atenção aos detalhes

Um dos erros mais comuns e graves cometidos pelos tutores em casa é a escolha dos produtos usados na hora do banho. Utilizar xampus, condicionadores ou sabonetes formulados para humanos afeta diretamente a pele dos pets devido à incompatibilidade de pH.

Essa quebra no equilíbrio biológico destrói a barreira cutânea, deixando o bichinho vulnerável a coceiras, descamações e ataques de fungos e bactérias.

De acordo com a veterinária Kássia Vieira, professora da Universidade Católica de Brasília, o procedimento exige atenção também na temperatura da água, que deve ser sempre morna ou amena.

“A exposição a extremos térmicos desregula o organismo dos animais. Em dias frios, a água gelada pode provocar hipotermia, especialmente em filhotes”, explica a profissional. 

Já em dias quentes, a água muito fria pode causar choque térmico, enquanto a água excessivamente quente pode provocar queimaduras na pele, comprometendo a barreira cutânea e reduzindo a imunidade do animal.

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A proteção da cabeça é o ponto mais crítico para evitar que o banho resulte em infecções ou inflamações dolorosas, como a otite. A entrada de água no conduto auditivo é uma das maiores causadoras de infecções de ouvido na rotina veterinária.

Para prevenir o problema de forma segura, a professora orienta não molhar a cabeça diretamente no chuveiro. O ideal é usar uma toalha úmida ou lenço umedecido no rosto para evitar engasgos com a água, desconforto e o risco de machucar os olhos.

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Sinais de desconforto

Os sinais de que o banho caseiro fez mal ao organismo do animal costumam surgir poucas horas após o procedimento.

Segundo a especialista, o indício mais claro é o aparecimento de coceira logo após o banho ou nas horas seguintes, quadro que também pode vir acompanhado de vermelhidão, descamação e do hábito de sacudir a cabeça com frequência.

A veterinária também alerta que o uso de perfumes deve ser evitado. Segundo Kássia, os animais têm o olfato muito apurado e precisam manter seu cheiro natural para serem reconhecidos pelos outros.

Protocolo de secagem

A finalização do banho é outra etapa negligenciada, já que muitos tutores acreditam que apenas passar a toalha e deixar o animal secar ao sol é o suficiente. No entanto, manter a pelagem ou o subpelo úmido cria o ambiente ideal para a proliferação de microrganismos que podem causar lesões na pele.

Para usar o secador de cabelo sem causar queimaduras ou reações de pânico pelo barulho do motor, o tutor deve ajustá-lo na temperatura morna ou fria, mantendo uma distância mínima de 30 centímetros da pele do pet.

Além disso, a adaptação ao barulho deve ser gradual, em intensidade baixa, e associada a reforço positivo, como petiscos. A secagem deve começar pelas patas traseiras e seguir em direção ao dorso, respeitando o conforto do pet ao longo de todo o processo.

Para finalizar, a higiene do animal deve ser encarada como um cuidado de saúde, e não apenas um capricho estético.

“A adaptação gradual e o manejo calmo são essenciais para reduzir o estresse e evitar traumas associados ao banho”, disse a profissional.

Em casos de pelagens longas, como em gatos persas ou maine coon, o suporte de tosa profissional a cada três meses é indicado. Já qualquer dúvida sobre a sensibilidade do animal deve ser esclarecida diretamente com um médico-veterinário.

(Informações Metrópoles)

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