Redação –
A Polícia Civil de Dourados descartou o suposto assalto à mão armada registrado na tarde de terça-feira (23), na Avenida Presidente Vargas, região do BNH III Plano. Após diligências realizadas logo após o boletim de ocorrência, os investigadores identificaram inconsistências na versão apresentada pelo comunicante, que mais tarde confessou ter inventado o crime.
O homem, de 52 anos, procurou a polícia alegando que conduzia uma Nissan Frontier quando foi abordado por dois criminosos em uma motocicleta. Conforme relatou, um dos suspeitos estaria armado e o obrigou a entregar a caminhonete, além de R$ 1 mil em dinheiro e um notebook que estavam no veículo.
No entanto, as primeiras apurações levantaram dúvidas sobre a história apresentada.
“Realmente nós tivemos essa ocorrência na data de ontem e apuramos que, em verdade, o crime, o suposto assalto, não ocorreu”, afirmou o delegado Alex.
Segundo ele, após o registro da ocorrência, os policiais iniciaram diligências preliminares e encontraram contradições no relato.
“A partir do registro da ocorrência por esse comunicante, nós procedemos a algumas diligências preliminares e identificamos controvérsias na versão apresentada por essa suposta vítima”, disse.
O homem foi levado novamente à delegacia para prestar esclarecimentos e, durante o interrogatório, admitiu que havia mentido.
“Eu mesmo, juntamente com outros policiais, investigadores e escrivães, interrogamos esse indivíduo, que acabou por confessar que teria apresentado uma versão falsa quando registrou a ocorrência policial”, relatou o delegado.
Com a confissão, a Polícia Civil realizou o indiciamento por falsa comunicação de crime.
“Então, diante desse novo cenário, nós indiciamos esse indivíduo por falsa comunicação de crime. Vai responder por esse crime”, destacou Alex.
Agora, além da falsa denúncia, os investigadores apuram a possibilidade de uma tentativa de fraude envolvendo o desaparecimento da caminhonete.
“Ele também é suspeito de tentar aplicar um golpe, um estelionato na modalidade de recebimento de seguro. Isso ainda não está bem claro e será melhor apurado durante as investigações”, explicou.
Conforme apurado, uma das linhas investigativas aponta que o veículo pode ter sido entregue a pessoas que cobravam uma dívida milionária que o homem teria no estado de Mato Grosso. Outra hipótese é que a caminhonete tenha sido levada para o Paraguai com o objetivo de acionar uma indenização junto à seguradora.
O delegado ressaltou que a versão apresentada chamou atenção por retratar uma situação incomum na cidade.
“A situação que ele contava era uma situação bastante grave, um assalto em que ele foi rendido por indivíduos armados. Isso não é uma situação que, felizmente, a gente vem enfrentando em Dourados”, afirmou.
Ainda segundo Alex, registros falsos acabam prejudicando o trabalho das forças de segurança.
“Infelizmente essa prática tem sido comum, muitas vezes relacionada a golpes de seguro. A polícia tem que trabalhar com os crimes que são verdadeiros, que são crimes graves, e ainda tem que trabalhar com essas situações de crimes falsos, colocando todo o efetivo policial para cuidar de uma situação que não se verificou”, declarou.
Por fim, o delegado reforçou que comunicar falsamente um crime também é uma infração penal.
“É bom que fique bem claro: qualquer comunicação falsa de crime, independentemente de assalto ou qualquer outro delito, a pessoa vai responder por isso”, enfatizou.




