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Mulher pega 66 anos de cadeia por matar crianças envenenadas com ovo de Páscoa

A Justiça condenou nesta segunda-feira, 22, Jordélia Pereira Barbosa, de 36, a mais de 66 anos de prisão por matar duas crianças envenenadas com ovo de Páscoa. Além dos homicídios, a sentença também abrange a tentativa de matar a mãe das crianças, que chegou a ser internada, mas sobreviveu.

O caso ocorreu em abril de 2025, na cidade de Imperatriz, no Maranhão. Conforme a denúncia, Jordélia enviou um ovo de Páscoa envenenado para a residência de Mirian Lira Rocha, por um mototaxista. A embalagem trazia a mensagem: “Com amor, para Miriam Lira. Feliz Páscoa”.

O alimento foi consumido pela família e causou a morte dos irmãos Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e de Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos. Mirian também comeu o ovo, foi internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas se recuperou. 

A acusada foi presa um dia depois da entrega e da morte de Luiz Fernando. Evillyn morreu cinco dias depois de ingerir o alimento.

De acordo com o Ministério Público, o motivo do crime seriam os ciúmes que a acusada sentia de seu ex-marido, que passou a ter um relacionamento com a vítima. O promotor de justiça Tiago Quintanilha Nogueira aponta na denúncia que Jordélia já vinha mantendo contato com a vítima, por meio de um perfil falso em redes sociais, no qual fazia ameaças a Mírian. 

Durante o julgamento, o Conselho de Sentença da 3ª Vara Criminal da Comarca de Imperatriz reconheceu que a acusada cometeu a tentativa de homicídio triplamente qualificado contra a mãe das crianças, por motivo torpe, com emprego de veneno e mediante dissimulação. Os jurados concluíram que a morte da vítima só não aconteceu porque o socorro foi rápido. 

Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e de Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos. Mirian também comeu o ovo, foi internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas se recuperou.

Mulher pega 66 anos de cadeia por matar crianças envenenadas com ovo de Páscoa
Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e de Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos. Mirian também comeu o ovo, foi internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas se recuperou.
Foto: Reprodução/Instagram / Contigo

Quanto à morte das duas crianças, os jurados reconheceram a prática de duplo homicídio quadruplamente qualificado, pois a acusada teria assumido o risco de provocar a morte dos filhos de Mírian ao enviar o item envenenado para a residência onde eles viviam com a mãe. Também foram reconhecidas as qualificadoras de motivo torpe, uso de veneno, dissimulação e o fato de as vítimas serem menores de 14 anos.

Segundo a Justiça, a pena foi individualizada:

14 anos, 9 meses e 25 dias pela tentativa de homicídio contra Mirian; 
25 anos, 11 meses e 6 dias pela morte de Luiz Fernando; 
25 anos, 11 meses e 6 dias pela morte de Evillyn. 
Somadas, as penas chegam a 66 anos, 8 meses e sete dias de prisão. O juiz manteve a prisão preventiva da condenada ao negar o direito de recorrer da sentença em liberdade. Foi determinado ainda o início imediato do cumprimento da pena, em regime fechado. 

Além disso, Jordélia terá que pagar a indenização mínima por danos morais de 100 salários mínimos, cerca de R$ 162 mil, para Mirian Lira Rocha, e de 400 salários mínimos,aproximadamente R$ 648 mil, para os pais das duas vítimas fatais, devido ao prejuízos físicos, psicológicos e da perda irreparável sofrida pela família.

Em nota, a defesa de Jordélia Barbosa afirmou que antes do início da sessão foi suscitada questão de ordem, com pedido de dissolução do Conselho de Sentença, que, no entendimento da equipe, compromete a regularidade do julgamento. No entanto, o pedido foi indeferido. 

“A defesa respeita a soberania dos veredictos, mas reafirma que tal princípio não afasta a necessidade de observância das garantias constitucionais e da legalidade processual. Diantes disso, serão adotadas todas as medidas jurídicas cabíveis com a interposição do recurso competente pelo Tribunal de Justiça do Maranhão, oportunidade em que serão submetidos à análise da instância revisora as nulidades e demais questões jurídicas ao longo do julgamento”, finalizou. 

Fonte: Portal Terra

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