Um estudo publicado na revista Neotropical Biology and Conservation revelou dados inéditos sobre um dos canídeos mais raros do planeta, o Atelocynus microtis. Também conhecido como “cão fantasma” ou cão-de-orelhas-curtas, a espécie vive na Floresta Amazônica, principalmente na Bolívia e Peru, e vem sendo estudada há décadas.
Recentemente, pesquisadores da Bolívia reuniram mais de 4.600 fotos, que representam 594 aparições independentes do canídeo. Os registros foram obtidos com a ajuda de armadilhas fotográficas espalhadas pela mata.
“Após décadas de especulação, análises de habitat mais recentes em escala continental sugerem que os cães-de-orelhas-curtas são especialistas em florestas, com estudos de ocupação no sul do Peru indicando uma forte preferência por terra firme, ou florestas de altitude longe de rios”, disse Robert Wallace, um dos autores do estudo, para o Sci.News.
“Até recentemente, havia apenas seis localidades registradas na Bolívia, quatro espécimes em museus e duas observações diretas feitas por biólogos de campo experientes. No entanto, esforços subsequentes para sistematizar informações nacionais sobre mamíferos e carnívoros revelaram um número substancialmente maior de localidades confirmadas para as espécies.”
Além de fornecer dados sobre a população do cão fantasma, as imagens também evidenciaram características físicas peculiares da espécie, como pelagem densa e escura, cabeça grande com orelhas pequenas, pernas curtas, rabo longo e patas palmadas, com membranas entre os dedos.
Os registros foram feitos principalmente no período da manhã, o que mostra que o cão é um animal diurno. Outro comportamento observado é que a espécie prefere áreas protegidas e evita ao máximo contato com humanos, o que dificultou estudos durante décadas.
“O cão-de-orelhas-curtas é um verdadeiro especialista em florestas, demonstrando uma forte preferência por terra firme — florestas de altitude, longe de rios. Essa exigência de um habitat especializado e denso é um dos principais motivos para a menor visibilidade da espécie aos humanos”, concluiu Wallace.
(Informações R7)




