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‘Acordei sem roupa’: adolescente denuncia estupro coletivo em reunião de amigos

A investigação de um estupro coletivo ocorrido ganha novos e dramáticos capítulos com os relatos da vítima, uma adolescente de 17 anos, e de sua mãe.

O crime, que teria acontecido durante um churrasco na casa da jovem na última sexta-feira (12), em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, revela uma profunda quebra de confiança, já que os principais suspeitos eram amigos de longa data da família.

Além da violência sexual, novos depoimentos apontam que a menor foi agredida fisicamente e está sendo alvo de coação por parte dos familiares dos envolvidos.

O crime

O evento começou como uma reunião entre amigos próximos enquanto a mãe da jovem estava em um compromisso religioso. A adolescente relata que consumia apenas cerveja e cantava karaokê com aquele que considerava seu melhor amigo desde os seis anos de idade. De forma repentina, ela descreve ter tido um lapso de memória: “Como se tivesse piscado o olho e já tivesse acordado sem as minhas roupas com duas pessoas em cima de mim”, conta.

A principal suspeita é de que a vítima tenha sido dopada com uma substância entorpecente, o que explicaria a perda súbita de consciência. Ao despertar e assimilar a situação, a jovem conseguiu correr para o banheiro, mesmo sentindo dores intensas que a faziam mancar.

Violência física e ameaças de morte
Para além do abuso sexual, o exame clínico e os relatos posteriores revelaram que a jovem sofreu agressões físicas, apresentando marcas de mordidas e hematomas pelo corpo. Segundo a mãe, os próprios agressores teriam confessado a terceiros que dois deles bateram muito na adolescente durante o ato.

O silêncio da vítima nas primeiras horas após o crime foi motivado por ameaças de morte. Um dos envolvidos teria afirmado que, caso ela contasse o ocorrido, tanto ela quanto sua mãe seriam assassinadas. “Ela falou que tava sendo ameaçada por um deles, que se ela falasse o que havia acontecido com ela, tanto eu quanto ela iria morrer”, contou a mãe.

O caso só chegou ao conhecimento da família na noite de sábado, quando uma líder religiosa da comunidade, a quem a jovem recorreu em busca de ajuda, convocou a mãe com urgência.

Intimidação e medo

A dor da mãe ao descobrir a violência é descrita como uma sensação de impotência absoluta: “É como se você estivesse morta, porém respirando”. No entanto, o sofrimento da família se estende para fora das investigações. Elas relatam que, mesmo no hospital, foram alvo de tentativas de coação por parte das mães dos suspeitos, que tentavam convencê-las a não registrar a denúncia.

Atualmente, a defesa dos acusados, todos também com 17 anos, tenta desqualificar o depoimento da vítima, alegando que ela teria solicitado as relações ou que não estaria em casa, apesar de existirem vídeos que comprovam o local e o horário do churrasco. A família agora teme que um dos envolvidos fuja para o exterior, já que haveria informações sobre passagens compradas para fora do Brasil.

O caso segue sob investigação sigilosa pela Delegacia de Plantão de Contagem, enquanto a adolescente, que já sofria de depressão e ansiedade, tenta lidar com o trauma de ter tido sua segurança violada dentro da própria casa por pessoas em quem confiava.

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