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Entenda por que o resort da filha de Trump virou alvo de revolta

O projeto de um resort de luxo na Albânia, liderado pela filha e pelo genro de Donald Trump, Ivanka Trump e Jared Kushner, transformou-se no centro de uma crise social e política que já arrasta milhares de manifestantes às ruas da capital Tirana por 14 dias consecutivos.

Enquanto o primeiro-ministro Edi Rama defende o projeto como uma oportunidade para impulsionar o turismo e a adesão do país à UE (União Europeia), a população tem respondido com protestos noturnos e gritos de guerra como “a Albânia não está à venda”, exigindo o cancelamento imediato das obras planejadas para a ilha de Sazan e a costa de Zvernec.

A ilha de Sazan, com 5,7 km², serviu como base militar estratégica na Segunda Guerra Mundial e posto fortificado na era soviética, abrigando milhares de bunkers, túneis e munições não detonadas.

A revolta popular é alimentada por preocupações ambientais, já que o projeto ocupará áreas de biodiversidade que servem de habitat para flamingos, focas e tartarugas marinhas. Pelo menos 40 organizações ambientais já se mobilizaram para pedir a suspensão dos planos, alertando que a entrada de máquinas pesadas — que desde maio já começaram a abrir vias e limpar o terreno — causará danos irreversíveis à região selvagem.

Esse sentimento de indignação foi intensificado por uma entrevista de Ivanka Trump, na qual afirmou que ela e o marido encontraram a ilha por acaso enquanto nadavam a partir do barco de um amigo. A afirmação foi recebida com sarcasmo e raiva por albaneses que veem nela uma postura predatória e desconectada da soberania nacional.

Para além das questões ecológicas, o empreendimento está sob a mira da Procuradoria Especial da Albânia, que abriu uma investigação relacionada a possíveis irregularidades. Recentemente, o tribunal ordenou o confisco de ativos no valor de 128,3 milhões de euros (aproximadamente R$ 770 milhões) de uma empresa envolvida em vendas de terrenos na área onde o projeto está planejado.

O empreendimento conta com investimentos estimados entre 1,4 bilhão de euros (cerca de R$ 8,3 bilhões) e 4 bilhões de euros (aproximadamente R$ 24 bilhões).

A concessão do status de “investidor estratégico” à empresa ligada a Kushner garante benefícios administrativos acelerados, o que levanta suspeitas de falta de transparência e corrupção.

Soma-se a isso o histórico de disputas de terras na Albânia após a queda do regime comunista. A transição para a propriedade privada gerou conflitos jurídicos e violentos que, há décadas, resultam em processos e até homicídios no país.

A desconfiança é reforçada pelo fracasso de um projeto similar de Jared Kushner na Sérvia, cancelado este ano após a prisão de um ministro por abuso de poder, servindo como um alerta para a região dos Bálcãs.

Apesar da pressão das ruas, em protestos que incluíram confrontos com a polícia, o primeiro-ministro Rama permanece firme em sua posição, afirmando que não há qualquer possibilidade de o investimento ser interrompido. Ele chegou a alegar que os protestos são incentivados por manipulação cibernética externa, enquanto o movimento popular continua ganhando força e as demandas evoluíram para pedidos de renúncia do premiê e convocação de eleições antecipadas.

(Informações R7)

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