Quase dois meses sem respostas sobre as circunstâncias da morte de Samuel Coutinho Ferreira (foto em destaque), de 17 anos, o pai do adolescente afirmou estar “aliviado” com a prisão de um dos suspeitos de envolvimento no homicídio. Na última quinta-feira (11/6), um dos investigados pelo crime teve o mandado de prisão temporária cumprido pela Polícia Militar do Distrito Federal.
“É um alívio. A polícia deu uma resposta para a gente. Até para termos um pouco mais de segurança, porque o que aconteceu com meu filho, também poderia ocorrer com a gente. E, até então, não tínhamos conhecimento de nenhum suspeito”, afirmou Jailson dos Santos Ferreira.
Samuel desapareceu em 9 de abril. Seu corpo foi encontrado em avançado estado de decomposição, em uma área de construção, em São Sebastião (DF), no dia 17 de abril.
Segundo o pai do adolescente, a falta de respostas gerava medo constante. Jailson relata que trabalha como barbeiro em um local de grande circulação de pessoas e se sentia vulnerável por não saber quem poderia estar envolvido no assassinato do filho.
Apesar da prisão, a dor pela perda do filho permanece. O pai destacou que a família convive diariamente com o sofrimento causado pela morte de Samuel.
“A gente sabe que ele não vai voltar mais. A dor da perda é muito grande. Só pai e mãe sabem o que é perder um filho. Só quem passa por isso sabe a dor que a gente sente”, desabafou.






A família continua em busca de respostas sobre as circunstâncias e a motivação do crime. Segundo ele, Samuel era um jovem simples e sem envolvimento com qualquer tipo de atividade ilícita.
“O que a gente quer saber é o motivo. O que motivou tirar a vida de um jovem inocente, de um rapaz simples, humilde? Isso é o que a gente se pergunta todos os dias. Por que tanta maldade, tanta crueldade com um jovem como ele?”, questionou.
O pai também espera que as investigações sejam concluídas de forma definitiva e que todos os responsáveis sejam identificados e punidos. Para ele, é fundamental que a Justiça atue para evitar a sensação de impunidade.
“A gente quer que tudo seja concluído e que quem fez isso pague. Que não seja preso hoje e esteja solto amanhã. O que a gente quer é justiça pelo Samuel”, salientou Jailson.
Prisão de suspeito
O indivíduo preso por suspeita de envolvimento na morte do adolescente é Daniel Santos Alencar, 19 anos. O rapaz foi detido na última quinta-feira (11/6), pela PMDF, em São Sebastião (DF).
O suspeito tem diversas passagens por roubo, tráfico de drogas, ameaça e porte ilegal de arma de fogo. O Tribunal de Justiça do DF (TJDFT) havia expedido mandado de prisão contra ele, nessa quinta-feira, por suspeita de envolvimento na morte de Samuel e na ocultação do corpo da vítima.
A PMDF, por meio do 21º Batalhão de Polícia Militar (BPM), prendeu o suspeito após flagrá-lo andando em uma motocicleta sem retrovisores. Durante abordagem policial, os militares constataram a longa ficha criminal e o mandado de prisão em aberto.
A major Talita Soares, da PMDF, detalhou o momento em que os militares do 21º BPM flagraram o suspeito. “Os policiais estavam patrulhando uma área já conhecida por uso e tráfico de drogas, quando se depararam com esse autor, que estava em uma motocicleta sem os retrovisores e que teria feito um movimento brusco ao visualizar a viatura”, relatou.
A motivação do crime ainda é desconhecida. A Polícia Civil (PCDF), por intermédio da 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião), investiga o caso.
Investigações
Por meio de nota, a 30ª Delegacia de Polícia comunicou que “não há confirmação da autoria/responsabilidade pela morte de Samuel por parte do indivíduo preso hoje”. O caso segue em apuração, e a versão de Daniel sobre os fatos será “rigorosamente cotejada com os demais elementos de prova”, informou a corporação.
“A medida judicial fundamenta-se em indícios colhidos pela Seção de Investigação de Crimes Violentos (SICVIO) da 30ª DP”, esclareceu.
De acordo com a unidade policial, a investigação, de alta complexidade, não se limita a esta prisão. “No curso dos trabalhos, a PCDF já analisou dezenas de horas de gravações de sistemas de videomonitoramento, bem como pleiteou e executou diversas medidas cautelares autorizadas pelo Poder Judiciário”, destacou.
A delegacia afirmou, ainda, que já foram realizadas buscas e apreensões domiciliares em múltiplos endereços, quebras de sigilo telemático e telefônico, análise de dados financeiros e bancários, além de outras prisões temporárias visando confrontar versões e identificar a participação de terceiros.
As investigações prosseguem sob sigilo para identificar todos os responsáveis pelo crime.
Defesa
O advogado Lucas Fagner Fernandes, que defende o suspeito Daniel Santos Alencar no caso, nega que o jovem tenha envolvimento na morte de Samuel.
Segundo Fernandes, Daniel comprou de uma terceira pessoa um aparelho celular que já havia sido de Samuel. “A única coisa que vincula o meu cliente ao caso do Samuel é o aparelho telefônico adquirido pelo Daniel dias posteriores ao fato. A prisão temporária foi requerida somente em função disso”, alega o advogado.
Ainda de acordo com o profissional, os jovens não se conheciam. “Não há imagens que demonstrem a presença de Daniel junto com a vítima”, diz.
(Informações Metrópoles)


