Piraputanga conta os dias para o retorno do Trem do Pantanal
Geral – 22/04/2009
Moradores do Distrito de Piraputanga (peixe vermelho, na língua tupi-guarani), localizado no município de Aquidauana, aguardam com grande expectativa a volta do Trem do Pantanal e apostam que sua reativação vai marcar uma nova fase da história da comunidade, contribuindo para seus desenvolvimento e progresso. A região oferece uma das mais belas paisagens de Mato Grosso do Sul, rodeada de morros, às margens do rio Aquidauana. O governo do Estado já concluiu a reforma da estação ferroviária, que foi inaugurada em 1922. O prédio foi restaurado. Por meio dela é que a comunidade foi ganhando força, favorecendo para que dezenas de famílias comercializassem seus produtos locais, utilizando o trem para transportar produtos para Campo Grande e Corumbá. Logo em seguida, vieram os garimpeiros, atraídos pelos diamantes. O local será o primeiro ponto de parada (30 minutos) dos turistas que vierem de Campo Grande com destino a Miranda. Muitos moradores, que chegaram a atuar como ambulantes no passado, vendendo peixe frito, chipa, manga, farinha de mandioca, entre outros produtos, pretendem retomar suas atividades. Esse é o caso de Rosemir Silveira Alves, 28 anos, que mora no local há 22 anos. Nascido em Terenos, ele lembra que assim que chegou em Piraputanga, encontrou no trem de passageiros uma oportunidade de garantir o sustento de sua família. “Na época que tinha o trem, vendia peixe frito, ganhava meu dinheirinho e todo o dia ele tava na palma da minha mão. Por dia, eu tirava hoje o equivalente a R$ 10, apenas com uma passada. Levava todo o dinheiro para minha mãe e isso ajudava a sustentar nossa família”, lembra, informando que começou a trabalhar com 8 anos. Empolgado com a volta do trem, Rosemir afirma que vai voltar a vender produtos para os passageiros. “Estou pensando em correr na frente desta linha novamente, ficar na plataforma e do outro lado. Vou pescar e vender meu peixinho frito aqui. Vou sair gritando como antigamente, olha o peixe frito, peixe frito, peixe frito”. Ele disse que aguarda com ansiedade a possibilidade de participar de um curso que será oferecido aos ambulantes. “Além do peixe frito, pretendo vender queijo fresco”, informa. Ponto de encontro Luiz Marcos Albuquerque Dias, 55 anos, nascido na região, conhece bem a história da comunidade de Piraputanga, que viveu em função do trem. Ele lembra que bastava o trem chegar à estação para todos irem até o local, considerado como o principal ponto de encontro do povoado. “Muitos casais que vivem hoje aqui se conheceram no trem. Muitos iam para Campo Grande e na volta arrumavam uma namoradinha e acabavam se casando”, informa. Assim como muitos da comunidade, filho de ferroviário, Luiz Marcos, quando garoto, vendia laranja, manga, peixe e chipa para os passageiros. “Quando nasci, o trem já passava por aqui. O dinheiro ajudava a sustentar nossas famílias. Era maravilhoso. Sinceramente, de tanto que falaram, ninguém está acreditando que ele vai voltar a transportar passageiros. Sua volta significa o progresso para a região”, destaca, lembrando que quando o trem parou, muitos tiveram que ir embora. Djalma Joaquim Vieira, 60 anos, lembra que a desativação do Trem do Pantanal, no início da década de 1990, foi um grande impacto na vida econômica do distrito. “A gente ganhava muito dinheiro na época do trem e hoje estamos vivendo sem perspectivas. Eu trabalhava de marreta, carregando frutas e mandioca para vender em Corumbá. Eu comprava mercadoria aqui e vendia lá. Depois que acabou o trem, foi muito difícil, eu tive que ir para Campo Grande trabalhar de servente, de guarda para sustentar minha família”, lembra. Djalma afirma que a volta do trem vai ajudar muita gente que vive no povoado e não tinham nenhuma expectativa econômica. “Nós vamos voltar a trabalhar e poder ajudar Piraputanga a crescer, porque isso aqui é um paraíso”, afirma. A baiana Francisca Lopes da Silva, 56 anos, conhecida como “Dona Chica”, reside em Piraputanga há 35 anos. Ele é uma das mulheres que pretende atuar como ambulante vendendo mercadorias para os passageiros. “To querendo fazer biju de tapioca e acajaré. Pretendo vender comida típica da Bahia. Quase ninguém conhece essas comidas. Estou me preparando nessa idéia. Se tiver o curso eu vou participar. Para atender os clientes, tem que estar bem vestida, cheirosa, usar toca, avental. A higiene é fundamental. Não sei ler, mas sei cozinhar muito bem. Hoje a gente vê nesses restaurantes chiques, pratos com nome complicados, depois vai ver direito é o mesmo prato que a gente sabe fazer. Já quero fritar o bolinho no começo, na primeira viagem e oferecer para os passageiros”, afirma.
Fonte: Notícias MS



