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‘Não posso morrer e deixar minha filha’, disse paciente antes de falecer em UPA

A família de Brenda Larissa Maia acusa uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de negligência médica após a morte da mulher, ocorrida no último sábado (6).

Segundo os parentes, a paciente procurou atendimento com fortes dores no peito, gravou vídeos denunciando supostas falhas no atendimento durante a madrugada e morreu menos de duas horas depois.

O caso aconteceu em Justinópolis, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde antes de falecer, Brenda enviou gravações para familiares e amigos mostrando corredores da unidade e relatando a ausência de profissionais em consultórios. A situação levou a família a registrar um boletim de ocorrência e pedir a apuração das circunstâncias da morte.

Segundo a mãe, a paciente informou aos profissionais da unidade que possuía problemas de saúde, incluindo cardiopatia, e relatava dores intensas na região do peito.

“Ela falou que era cardiopata, que o coração estava dando fincadas e que estava sentindo muita dor. A médica disse que poderia ser uma dor muscular. Minha filha respondeu que não era, porque conhecia o próprio corpo”, afirmou.

Durante a madrugada, já em observação na UPA, Brenda gravou vídeos mostrando corredores da unidade e consultórios vazios. Nas imagens enviadas à família, ela reclamava da demora para receber atendimento e demonstrava preocupação com a própria situação de saúde.

Para o irmão da vítima, as circunstâncias da morte ainda precisam ser esclarecidas. A família afirma ter descoberto posteriormente que Brenda sofreu uma queda dentro da unidade, informação que, segundo ele, não foi repassada aos parentes.

“Em momento algum comentaram com a gente que ela tinha caído. Nós só queremos saber o que realmente aconteceu. Por isso pedimos perícia e registramos boletim de ocorrência”, disse.

O irmão também questiona a versão apresentada pela unidade sobre os momentos que antecederam a morte.

“Eles disseram que ela estava na sala vermelha, recebendo oxigênio. Mas como uma paciente considerada grave consegue sair da maca, caminhar por toda a unidade pedindo socorro, gravar vídeos e ninguém perceber?”, questionou.

Menos de duas horas após enviar as gravações para familiares e amigos, Brenda morreu. O laudo médico apontou embolia pulmonar como causa da morte.

A família também relata ter recebido informações extraoficiais de que havia poucos profissionais atendendo durante a madrugada. A situação reforçou a suspeita de negligência e motivou o registro de ocorrência policial.

“Eu não estou aqui para julgar ninguém. Só quero entender por que minha irmã não recebeu ajuda quando estava pedindo socorro”, afirmou o irmão.

A morte gerou grande repercussão nas redes sociais após a divulgação dos vídeos gravados pela própria paciente momentos antes de morrer. Brenda deixou uma filha de cinco anos, descrita pelos familiares como a grande paixão de sua vida.

Em nota, a Prefeitura de Ribeirão das Neves informou que lamenta profundamente o ocorrido e determinou a apuração rigorosa do caso. Segundo a administração municipal, todas as informações serão levantadas para esclarecer as circunstâncias da morte. Após a conclusão da investigação, poderão ser adotadas medidas técnicas e jurídicas cabíveis.

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