Escândalo não afasta Lugo de compromisso em Pedro Juan
Paraguai – 25/04/2009
O presidente do Paraguai Fernando Lugo visita Pedro Juan Caballero neste sábado, onde está prevista sua participação na abertura do Congresso Nacional da Juventude por Emprego, quando autoridades de todo o país estarão debatendo políticas para geração de emprego e renda aos jovens. A presença de Lugo está prevista para acontecer às 09hs, logo na abertura do congresso, que acontece no estádio municipal. Caravanas de todo o país devem participar do evento.
Lugo visita Pedro Juan, cidade vizinha a Ponta Porã em meio a uma forte turbulência política pela situação enfrentada pelo presidente, acusado de paternidade. Já são três mulheres apontando ser Lugo pai de filhos. Pelo menos uma criança, de dois anos, o presidente já revelou ser realmente pai.
PREVISÃO DE CRISE – A situação política do presidente paraguaio, Fernando Lugo, piorou com as novas acusações de que ele seria pai de três crianças, duas delas concebidas quando ele ainda exercia as funções de bispo da Igreja Católica. Enfraquecido no Congresso, onde não tem maioria, Lugo corre o risco de se transformar num presidente sem credibilidade e com autoridade comprometida antes mesmo de completar um ano de mandato. No cenário mais pessimista, a palavra renúncia já começam a ser mencionada como possível desfecho para a onda de denúncias.
Damiana Hortensia Morán Amarilla, de 39 anos, que foi coordenadora da Pastoral Social da Diocese de San Lorenzo, disse que seu filho de um ano e quatro meses de idade é do atual presidente. Damiana disse que Lugo tem seis filhos e que as mães formarão uma inusitada associação para reclamar conjuntamente na Justiça que o presidente se responsabilize pelo sustento das crianças.
Na semana passada, Lugo reconheceu ser pai de um garoto de quase dois anos, filho de Viviana Carrillo, que disse ter iniciado um romance com o então bispo quando ela tinha apenas 16 anos. Na segunda-feira, o segundo caso: uma moça pobre – que vende detergente para sustentar a família – disse que Lugo é pai de um de seus filhos, mas que não a ajuda a sustentá-lo. O garoto, de seis anos, foi concebido, segundo a mãe, quando Lugo era bispo de San Pedro e ela ia à diocese pedir ajuda para se manter. O presidente não rejeitou a acusação de paternidade.
A pergunta que muitos políticos, aliados e oposicionistas, estão se fazendo agora é quantos filhos mais a autoridade do presidente suporta? Analistas disseram que, para o eleitorado, o primeiro caso teria entrado na conta de um deslize, de um erro nada incomum cometido por um alto membro do clero. Mas o segundo, talvez o terceiro filho (ou talvez seis) revelariam não apenas erros, mas uma conduta flagrantemente contraditória com a imagem de honestidade e transparência que ajudou Lugo a se eleger. A eleição de Lugo marcou o fim de 61 anos do Partido Colorado no poder.
O fato de Lugo ter acobertado a paternidade de uma criança ou de uma prole levou Jorge Torres Romero, articulista do principal jornal do país, o ” ABC Color ” a perguntar ontem: ” Se ocultou suas relações e os resultados naturais destas, por que não haveria de ocultar outras histórias? E aí, outra vez, como num pesadelo kafkiano, me faço esta maldita pergunta que ronda minha cabeça: e se Mirta Gusinsky tinha razão? ” . Na campanha eleitoral, Mirta acusou Lugo de tido ligações com os sequestradores e assassinos de Cecilia Cubas, filha do ex-presidente Raúl Cubas.
Ainda durante a campanha eleitoral, o então presidente paraguaio, Nicanor Duarte Frutos, disse que Lugo seria pai de 16 filhos, não reconhecidos.
Os supostos filhos não seriam por si só motivo para um processo de impeachment. Mas, num país com um histórico de instabilidade política como o Paraguai, esse não é um cenário descartável. Ontem, segundo o mesmo ” ABC Color ” , o Ministério Público deu andamento a uma denúncia apresentada pela senadora colorada Lilian Samaniego de que Lugo teria estuprado Viviana Carrillo. No Paraguai, a idade para sexo consentido é de 17 anos.
Uma renúncia presidencial já não parece ser tão improvável caso venham mesmo a surgir outros casos de paternidade não reconhecida, que acabem por minar ainda mais o prestígio, a credibilidade e a autoridade moral de Lugo. Há 15 dias, isso parecia impensável.
Além das denúncias e do precário apoio político, Lugo sofre ainda por não ter conseguido avançar nas principais promessas eleitorais: reforma agrária, reforma do Judiciário e mudança no Tratado de Itaipu.
Fonte: Conesulnews



