Duas das maiores facções criminosas do Brasil, o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho), passaram a ser classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas. A informação foi divulgada na quinta-feira (28) e a medida deve entrar em vigor a partir da próxima sexta-feira (5).
Segundo apuração do Jornal Midiamax, as facções foram enquadradas em duas categorias: “terroristas globais especialmente designados” (SDGTs) e “organizações terroristas estrangeiras” (FTOs). A decisão amplia o alcance de ações norte-americanas contra os grupos em diferentes frentes, incluindo áreas financeiras, jurídicas e de segurança.
O procurador de Justiça do Ministério Público de São Paulo, Márcio Sérgio Christino, especialista em crime organizado, avaliou que a medida tem caráter político e não deve alterar diretamente o combate ao crime no Brasil. Para ele, o impacto interno é limitado e a decisão teria mais peso simbólico e político do que prático.
Christino também afirmou que o enfrentamento às facções no território brasileiro continuará seguindo a legislação nacional já existente, sem mudanças imediatas nas estratégias de segurança pública.
A classificação, no entanto, abre possibilidade de ampliação da atuação de órgãos norte-americanos em cooperação internacional, com atenção especial para regiões de fronteira, como Mato Grosso do Sul, área estratégica para o tráfico de drogas e armas entre Brasil, Paraguai e Bolívia.
De acordo com o Midiamax, a região sul-mato-grossense pode entrar no radar de monitoramento mais intenso dos Estados Unidos, incluindo uso de inteligência e tecnologias de vigilância, como satélites e drones.
A fronteira entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero (Paraguai), considerada uma das mais sensíveis do país, é apontada como um dos principais pontos de atuação das facções. O governo paraguaio já havia classificado PCC e CV como organizações terroristas e autorizado maior cooperação com forças internacionais.
Com isso, autoridades avaliam que a região pode ter aumento na vigilância e em operações conjuntas de combate ao tráfico e ao crime organizado.



