NARRATIVAS: São duas. Enquanto as propostas são realistas, com referências palpáveis, os discursos são peças demagógicas, com promessas vazias e objetivo de manipular e iludir o eleitorado. Comparando com o cenário político de antigamente, mudou só a instrumentalização, mas os objetivos são exatamente os mesmos.
PROPOSTAS: Nas propostas sérias de governo não há coelhos na cartola. Paira a coragem de se admitir dificuldades na sua execução e nos prazos pretendidos. Também não há omissões e manobras fantasiosas com relação aos custos e origem dos recursos a ser investidos neste ou naquele projeto de governo.
DISCURSOS: Tem a marca da demagogia e sedução, com uso de técnicas modernas de comunicação. Ainda se cultiva o remédio de se criar bodes expiatórios para culpa-los pelos fracassos. Ainda vendem a esperança, explorando a raiva e medo do eleitor. Também apresentam soluções fáceis para problemas difíceis e a custas baixos. Quase sempre omitem a origem dos recursos que se presume caídos dos céus.
SONHAR: Faz parte de qualquer situação e na política não é diferente. Tenho ouvido as narrativas individuais de deputados quanto as eleições. O otimismo tem sido a característica comum a todas as previsões, resultante do trabalho, conquistas de novos segmentos sociais, força do partido e concretização das suas propostas de campanha.
PLENARIO: Dos 24 deputados estaduais, apenas 4 não concorrerão a reeleição: João Catan (pré-candidato ao Governo), Mara Caseiro (pré-candidata a deputada federal), Roberto Hashioka (candidato a deputado federal) e João Mattogrosso (assumiu no lugar de Neno Razuk, e está impedido de concorrer por não ter se licenciado a tempo do cargo de diretor do Detran.
O CUSTO: Omito as fontes por questão de ética. Mas não é difícil avaliar quanto se gasta na campanha com reais chances de se eleger deputado estadual. Vai depender do seu currículo, relações com lideranças e entidades que agregam figuras de prestígio na comunidade. O carisma pessoal ajuda, mas não é decisivo. O gasto varia de um a quatro milhões de reais.
FAZ DE CONTA: Para ao menos tentar (disse tentar) manter o equilíbrio entre os concorrentes à deputado estadual o TSE definiu o valor de R$ 1.270.629,01 como limite de gastos da campanha. Teoricamente, as despesas viriam apenas de dinheiro público (Fundo Eleitoral) ou doações autorizadas, fiscalizadas pela justiça eleitoral.
UTOPIA? Sim, sem dúvida. Por uma série de fatores é impossível acreditar que uma lei irá exterminar os usos e costumes da classe política em todos os níveis. Sempre se encontrará ‘aquele jeitinho’. Apenas para ilustrar: pela lei, o limite de gastos para cada candidato a deputado federal em nosso estado é de R$ 3.176,572,53.
COMPLICADO: Os entraves burocráticos atormentam os candidatos em termos de legalizar o dinheiro gasto. Alguns, após eleitos e empossados, chegam a perder o mandato por violar as regras. “Não adianta a campanha ir de vento em popa se a contabilidade dos gastos ignorar a lei” – avisa o deputado Junior Mochi, veterano na área.
DOAÇÕES: Elas precisam seguir os formatos oficiais. A começar pelas vaquinhas virtuais em plataformas da internet legalizadas pelo TSE; ainda por PIX ou transferência para conta exclusiva aberta pelo candidato. O CPF deve aparecer de forma clara, sob pena do dinheiro ir para o Tesouro Nacional. “A esperteza come a mão do esperto”.
ALERTAS: A Justiça Eleitoral endureceu as regras após 2015: permissionárias de serviço público, entidades estrangeiras e pessoas jurídicas foram proibidas de doar. Ainda – mecanismos foram criados para aperfeiçoar as regras e tentar diminuir a influência do dinheiro. Mas não se pode menosprezar a ‘criatividade’ da classe política nestas horas.
MARCHA LENTA: A Justiça Eleitoral não acompanhou as necessidades. A lentidão é tal que o candidato assume, exerce parte do mandato sem que se tenha julgado processo que ele responde. Exemplo do ex-governador Claudio Castro (RJ) e do caso envolvendo os candidatos Loester Trutis e Raquelle Trutis no pleito de 2022 no MS que resultou na posse de João Mattogrosso.
REGISTRO: “Pensou-se em Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, mais pelo cargo que ocupa do que pelos resultados de sua gestão. Inexperiente como político, apenas uma marionete de Bolsonaro, Tarcísio vacilo. Faltou-lhe coragem. Inês está morta. Resta-lhe torcer em silêncio para que, em 2030, o cavalo encilhado bate de novo à sua porta”. (Ricardo Noblat)
RINGUE? A sugestão de pesquisa para definir o 2º nome do candidato ao Senado no PL está dando o que falar. Quais os critérios desta consulta, qual o instituto comandaria essa amostra? Qual o universo ela abrangeria. Contar e Pollon devem estar ressabiados diante deste mar de dúvidas e ciladas. Reinaldo pensando apenas em si?
GOLPE? No saguão da Assembleia Legislativa jornalistas dissecam esse assunto e admitem sentir cheiro de golpe. Também observam que os métodos de Valdemar Costa Neto gerir seus interesses políticos são ‘conhecidos’. E mais: o que os eleitores bolsonaristas acham deste novo episódio? Serão consultados? Quando e como?
CONFUSO: O quadro nacional do PL deixa a desejar e favorece seus opositores. As lideranças do partido estão divididas e a cada dia novas rachaduras afloram. O partido, refém das posturas inconfiáveis de Valdemar, dos irmãos Bolsonaro e de Michelle Bolsonaro, não oferece um ambiente promissor aos militantes e eleitores. Sei não.
‘ENNROLADOS’: A junção da política equivocada do Governo com a velha cultura do brasileiro em contrair dívidas sem o devido planejamento, só podia mesmo dar nisso. São mais de 549 mil débitos, (inclusive de energia e água), que serão quitados graças a maõzinha do Governo. Pela tradição eleitoreira, em breve virá nova ação paternalista. Brasileiro – eterno devedor.
CORAÇÃO DOÍDO: Não adianta tentar ou fingir; eles estão cada vez mais próximos de nós em Campo Grande. São homens, mulheres, jovens e idosos que perambulam pelas ruas, vasculhando lixeiras e pedindo comida. Drogados? Pouco importa, mas as autoridades não podem se omitir ou ignorá-los. Nossas igrejas também tem culpa no cartório. Só rezar não resolve. Onde está a dignidade humana? No lixo – penso eu.
PILULAS DOURADAS:
Eu não sou rico. Eu sou um pobre homem com dinheiro, o que não é a mesma coisa. (Gabriel Garcia Marques)
Opinião é uma ideia aposentada. (Millôr Fernandes)
Quem pensa opõe resistência. (Theodor Adorno)
A felicidade consiste em continuar desejando o que se possui. (Santo Agostinho)
A saudade não deseja ir para a frente. Ela deseja voltar. (Rubem Alves)
A felicidade não é um destino, mas uma maneira de viajar. ( no para-choque)
A ação política é cruel, baseia-se numa competição animal, é preciso derrotar, esmagar, matar, aniquilar o inimigo. (Otto Lara Resende)
A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda. (Barão de Itararé)
A diferença entre existir e viver é de dez salários mínimos. (Millôr)
Se me virem dançando com a mulher mais feia é porque a campanha já começou. (Juscelino Kubitschek)
Os EUA inventaram na guerra contra o Irã. Agora nossa seleção quer adotar o “ataque defensivo” na Copa.




