A Polícia Civil investiga dois homens suspeitos de atuarem ilegalmente como médicos. Segundo as autoridades, os dois teriam realizado cerca de 2 mil atendimentos em um período de dois anos, e pelo menos nove mortes estão sendo analisadas pela investigação.
O caso aconteceu no Hospital de Clínicas Jardim Helena, na zona leste da capital paulista, e as operação, batizada de Hipócrates II, foi divulgada nesta quarta-feira (27).
Os suspeitos foram identificados como Marcos Phelipe de Barros e Maike César Silva. Marcos foi preso durante a operação, enquanto Maike fugiu para o Chile e é considerado foragido.
De acordo com a investigação, Marcos utilizava documentos verdadeiros pertencentes a outro médico para atuar no hospital. A polícia também afirmou que o pai dele já havia sido investigado por exercer medicina ilegalmente e teria ligação com o crime organizado.
Segundo o secretário de Segurança Pública, os dois suspeitos atendiam pacientes sem possuir formação médica adequada.
Mortes são investigadas
Entre os casos analisados pela polícia está o de uma mulher diagnosticada com dengue em 2024. Segundo os investigadores, ela sofreu uma parada cardíaca após ser atendida pelos falsos médicos.
“Eles não sabiam como proceder. A paciente entrou em estado grave, teve uma parada cardíaca e eles não conseguiram realizar a reanimação, que seria um procedimento básico para alguém com formação técnica”, afirmou o delegado José Mariano Filho durante entrevista coletiva.
Outro caso citado envolve uma paciente com problemas cardíacos que teria permanecido cerca de oito horas sem realizar exames fundamentais para identificar um aneurisma na aorta.
Segundo a polícia, a demora no diagnóstico contribuiu para a morte da mulher.
As investigações começaram após denúncias feitas por pacientes e familiares depois de atendimentos realizados em dezembro de 2025.
A polícia descobriu ainda que Marcos começou atuando na ala pediátrica do hospital, embora até o momento não existam confirmações de mortes de crianças relacionadas ao caso.
Além dos atendimentos presenciais, ele também faria consultas por telemedicina diretamente de casa.
Já Maike César Silva também trabalhava no pronto-socorro do serviço municipal de saúde de Taboão da Serra, na Grande São Paulo.
Defesa nega atuação como médicos
A defesa de Marcos afirmou que ele é biomédico e negou que tenha exercido ilegalmente a profissão de médico.
Os advogados disseram ainda que Maike atua como auxiliar cirúrgico e alegaram que ambos tinham autorização para trabalhar em ambiente hospitalar.
A defesa classificou a operação policial como “injusta” e informou que Maike pretende se apresentar às autoridades.
Hospital também é investigado
A Polícia Civil também apura possível omissão da direção do hospital. Segundo as investigações, os suspeitos recebiam salários inferiores aos pagos aos demais médicos da unidade, o que teria levantado suspeitas internas.
Para a Secretaria de Segurança Pública, a administração do hospital tinha responsabilidade de verificar a formação e os documentos apresentados antes da contratação.
A Justiça determinou o afastamento da gestora do hospital e do diretor clínico da unidade.
Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) afirmou que casos de exercício ilegal da medicina são tratados como questão policial e informou que aciona as autoridades sempre que identifica uso de documentos falsos ou pessoas se passando por médicos.




