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MS: esquema de corrupção no tapa-buracos teria funcionado por anos dentro da Sisep

Redação –

Uma estrutura organizada dentro da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) de Campo Grande teria sustentado, por anos, um esquema de fraudes em contratos de tapa-buracos e manutenção viária da Capital. A conclusão faz parte das investigações da operação “Buraco Sem Fim”, deflagrada nesta terça-feira (12) pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

Segundo as apurações, o grupo atuava de forma coordenada para fraudar medições de serviços, liberar pagamentos indevidos e desviar recursos públicos por meio de contratos de manutenção asfáltica. O prejuízo estimado aos cofres públicos é de R$ 113,7 milhões.

No centro das investigações está a Construtora Rial Ltda, empresa que acumulou mais de R$ 122 milhões em contratos de tapa-buraco e manutenção de vias entre os anos de 2018 e 2025, conforme levantamento realizado no Portal da Transparência. Fundada em 2003, a empreiteira possui capital social declarado de R$ 10 milhões.

De acordo com o Ministério Público, a fraude funcionava em uma espécie de “cadeia vertical” dentro da administração municipal. O coordenador do setor de tapa-buracos da Sisep, Edivaldo Aquino Pereira, seria responsável pelas medições em campo. Conforme a investigação, ele delimitava buracos maiores do que os reais nas planilhas de execução, inflando os volumes de serviço apresentados para pagamento.

Documentos internos da prefeitura e termos de referência dos anos de 2023 e 2025 mostram Edivaldo assinando requisições de materiais utilizados em serviços de asfaltamento, além de atestar necessidades de recuperação do pavimento em diferentes regiões da cidade.

Na sequência da estrutura administrativa apontada pelo MPMS aparece o engenheiro Mehdi Talayeh, servidor comissionado da prefeitura desde 2020 e apontado como responsável pela supervisão técnica e pelo aval de engenharia das obras executadas. Segundo dados da investigação, o servidor ocupava função estratégica dentro da Sisep e recebia salário de até R$ 19 mil.

Já o ex-secretário municipal de Infraestrutura, Rudi Fiorese, seria o responsável final pela autorização dos pagamentos milionários. Fiorese comandou a Sisep desde 2017 e deixou o cargo após ser alvo da Operação Cascalhos de Areia, deflagrada em 2023.

As investigações apontam que os contratos eram utilizados para liberar pagamentos por serviços que não correspondiam ao executado nas ruas de Campo Grande.

Durante o cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão, investigadores encontraram cerca de R$ 429 mil em dinheiro vivo em imóveis ligados aos investigados.

Além de Rudi Fiorese, Edivaldo Aquino Pereira e Mehdi Talayeh, também foram presos os servidores Fernando de Souza Oliveira e o ex-servidor Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula. No núcleo empresarial, foram alvo da operação Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa e Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, ligados à Rial Construtora.

Investigados já haviam aparecido em outra operação

Parte dos investigados já havia sido citada na Operação Cascalhos de Areia, realizada em junho de 2023. Na ocasião, o MPMS apurava suspeitas de peculato, corrupção, fraude à licitação e lavagem de dinheiro em contratos de manutenção de vias não pavimentadas que ultrapassavam R$ 300 milhões durante a gestão do ex-prefeito Marquinhos Trad (PV).

Naquele inquérito também apareceu o empresário André Luís dos Santos, conhecido como “Patrola”, proprietário das empreiteiras ALS dos Santos e ALS Transportes. Segundo denúncia recebida pela 3ª Câmara Criminal, as empresas teriam vencido licitações fraudadas para beneficiar interesses ligados ao grupo investigado.

O Ministério Público sustenta que os serviços pagos pela prefeitura não correspondiam ao executado, causando prejuízos aos cofres públicos e comprometendo a qualidade da pavimentação em Campo Grande.

Prefeitura cita contratos da gestão anterior

Após a deflagração da operação “Buraco Sem Fim”, a Prefeitura de Campo Grande divulgou nota afirmando que as investigações se referem a contratos firmados desde 2017, durante a gestão do ex-prefeito Marquinhos Trad.

“Esclarecemos que se refere a contratos de manutenção de vias pavimentadas firmados desde 2017, em gestão passada”, informou a administração municipal.

Entretanto, conforme dados divulgados pelo próprio MPMS, os contratos investigados abrangem o período de 2018 a 2025, incluindo a gestão da prefeita Adriane Lopes (PP), que assumiu o comando da prefeitura em abril de 2022 e manteve os contratos em vigor.

Servidores foram exonerados

Após as prisões realizadas durante a operação, os servidores Edivaldo Aquino Pereira, Mehdi Talayeh e Fernando de Souza Oliveira foram exonerados da Sisep.

As investigações seguem em andamento e o Ministério Público apura a participação de outros envolvidos no esquema.

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