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Como está o cavalo Caramelo, símbolo da enchente histórica no RS há dois anos

Resgate de animal, ilhado em um telhado durante o período mais crítico da enchente, comoveu o país. Caramelo foi adotado por universidade, virou celebridade e hoje tem até agenda de eventos

Por Diego Nuñez, g1 RS e RBS TV –

Há exatos dois anos, uma cena que refletia a angústia de um estado inteiro se transformava em alívio e passaria a se tornar símbolo de resiliência. Em 9 de maio de 2024, um cavalo foi resgatado cerca de quatro dias depois de ser flagrado ilhado no telhado de uma casa em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, pelo Globocop.

O RS foi atingido por uma enchente histórica em maio de 2024, que provocou danos em quase todos os municípios, devastou cidades — especialmente da Região Metropolitana e Vale do Taquari —, retirou milhares de casa e deixou 185 mortos, além de 23 desaparecidos, 805 feridos e 2,3 milhões de afetados. De todo o país, voluntários e doadores se mobilizaram para prestar ajuda aos atingidos.

O resgate foi feito pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo, e veterinários acompanharam toda a ação. Para ser retirada do local, o animal foi sedado, deitado e colocado em um bote.

Foi uma operação complexa, pois o animal pesava de 450 a 500 kg e foi preciso avaliar seu estado físico, temperamento e o tempo que ele se encontrava preso.

Devido às suas condições de saúde, após passar dias sem se alimentar ou tomar água e praticamente imóvel, Caramelo ainda corrida risco de vida no momento do salvamento. Enquanto transportavam o cavalo, os veterinários seguiram aplicando a medicação para que ele permanecesse sem se mexer.

O cavalo também recebeu litros de soro para repor a quantidade de líquido que perdeu enquanto ficou ilhado.

Por fim, o bote que transportou o equino foi retirado da água ainda com o cavalo dentro, colocado em um caminhão e transportado. Ele foi levado a um hospital veterinário, onde recebeu medicação para repor a quantidade de líquido perdido.

Caramelo passaria então a se tornar um símbolo de resistência para o povo gaúcho, que, naquele momento, contava mortos, buscava por desaparecidos e ainda convivia com bairros inteiros submersos em diferentes cidades.

Dois anos depois, Caramelo nem parece mais aquele mesmo cavalo frágil e debilitado. Mais saudável, forte e pesado, o animal agora virou celebridade e tem até agenda de eventos.

“O Caramelo é uma referência. Para nós, a forma como ele aguentou essa situação toda, e possivelmente grande parte da população do estado também”, explica a médica veterinária Laura Martins Cezimbra.

Laura é coordenadora do Hospital Veterinário da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas, onde Caramelo mora agora.

Na universidade, o animal tem vida pacata, dormindo em baia própria durante a noite e pastando livre durante o dia. Mas a rotina do cavalo-celebridade também é dividida com visitações e agenda de eventos.

“Temos um sistema de agendamento, e as visitas são acompanhadas. No período de férias escolares, teve bastante: dois, três grupos no mesmo dia. A agenda dele é bem diversa. Nesse fim de semana, por exemplo, ele foi num evento como presença VIP lá no Jockey Club, em Porto Alegre.”

Cavalo Caramelo agora está hospedado no Hospital Veterinário da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas — Foto: Bruna Linck/Ascom Ulbra

Cavalo Caramelo agora está hospedado no Hospital Veterinário da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas — Foto: Bruna Linck/Ascom Ulbra

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