Em março, o Brasil tinha 83 milhões de inadimplentes que deviam mais de R$ 500 bilhões. O cartão de crédito é a dívida mais comum e, muitas vezes, usado como alternativa em emergências. Foi o caso do entregador Francesco de Menezes, que recorreu ao crédito para consertar a moto. “Era mais ou menos uns R$ 1000, R$ 1200. Aí tive que pegar no cartão.” Com novos problemas no veículo e outras despesas, a dívida ultrapassou R$ 11 mil. “Virou uma bola de neve.”
Segundo levantamento, 7 em cada 10 brasileiros com dívidas bancárias gastaram mais do que podiam no cartão. Empréstimos pessoais (56%) e cheque especial (33%) também aparecem entre as principais modalidades. Ao todo, são 82,8 milhões de inadimplentes, com dívida estimada em R$ 557 bilhões.
O desemprego é a principal causa do endividamento (38%), seguido por gastos emergenciais (16%) e desorganização financeira (13%). “Cartão de crédito, muitas vezes, é enxergado pelas pessoas como um complemento de renda”, explica a professora Cláudia Yoshinaga. Para ela, programas de renegociação podem ajudar: “É uma forma de tentar começar a organizar a vida financeira e não deixar isso sair de controle de vez.”



