Berenice de Oliveira Machado Souza (*) –
Hoje venho falar sobre o que está acontecendo nesta atual gestão de saúde do município de Dourados-MS. Pois bem! Os profissionais de Saúde, experientes, detendo do conhecimento técnico necessário para atuar com segurança e atender os usuários com acolhimento humanizado, estão sendo descartados!
O assédio moral está desestabilizando a todos e equipes estão sendo desmontadas, e com isso comprometendo toda a qualidade do serviço público prestado à população. O que percebe claramente nesta gestão atual, como regra de transições e com está configurando um quadro claro de assédio moral organizacional e desvio de finalidade na administração pública.
Analisem comigo: Quando um gestor sem competência técnica utiliza a ameaça como ferramenta de controle sobre profissionais experientes, estamos diante de várias irregularidades, conforme segue: Uso de ameaças mediante (transferências, demissão em cargos comissionados ou de perseguição administrativa) para intimidar quem detém o conhecimento técnico – esta é a forma mais clássica de assédio moral.
O objetivo do assediador, geralmente, é isolar ou forçar a saída do profissional antigo para que ele não “atrapalhe” ou não questione decisões tecnicamente erradas. A escolha de “gerentes” sem experiência para comandar Unidades de Saúde, ignorando critérios de mérito e competência, e isso pode ser interpretada como uma tentativa de “aparelhar” a unidade.
Isso prejudica a continuidade do serviço público, pois o saber acumulado pelos profissionais experientes é ignorado em favor de uma hierarquia baseada apenas na autoridade imposta. O que estamos vendo é que em vez de valorizar os servidores concursados e experientes (que conhecem os fluxos, normas, leis, etc), a gestão ocupa as gerências com pessoas “de fora” ou “sem preparo”.
Essas pessoas funcionam como vigias da gestão, elas estão ali para monitorar quem critica a administração e para garantir que a unidade sirva aos interesses de quem está no poder. Como os profissionais concursados e experientes costumam apontar o que está errado (falta de insumos, fluxos incorretos, ilegalidades), o “aparelhador” tenta neutralizá-los.
É por isso que somos isolados! Porque? Para não influenciarmos outros colegas. Retirados de funções: Para perderem o poder de decisão. Transferidos: Para desarticular o grupo de servidores que conhece o serviço. Quando uma unidade está “aparelhada”, o atendimento pode começar a priorizar certos grupos ou pessoas indicadas, furando filas do SUS ou ignorando protocolos técnicos para favorecer aliados políticos do gestor. Porque isso é perigoso para o SUS? O aparelhamento fere o Princípio da Impessoalidade. A unidade de saúde deixa de ser um patrimônio da população para virar um “comitê” da gestão atual.
Isso gera: Queda na qualidade – decisões erradas tomadas por gerentes leigos. Desperdício: Dinheiro público gasto com profissionais que são impedidos de trabalhar. Adoecimento: O assédio moral torna-se a ferramenta de gestão para manter o controle sobre o assediado. Em resumo: Aparelhar é transformar um órgão público em uma ferramenta particular da gestão, ignorando a meritocracia, o concurso público e a eficiência técnica. Os gerentes que estão nos ameaçando, provavelmente são os agentes desse aparelhamento.
De acordo com o Artigo 37 da Constituição Federal/1988, a gestão pública deve seguir os princípios da: Impessoalidade: O cargo não deve servir para perseguições pessoais. Eficiência: Colocar alguém sem experiência para gerir saúde pública fere diretamente a eficiência do sistema, colocando em risco o atendimento à população. Eu volto perguntar: Onde está o controle social nesta gestão? Cadê o Conselho Municipal de Saúde?
Outro desmonte foi a saúde mental que desde 2005 funcionava com uma equipe multidisciplinar e contava com 3 profissionais médicos psiquiatra, e hoje, tem apenas uma psiquiatra que está sobrecarregada e isso também é assédio moral. Profissionais de saúde adoecendo e sem nenhuma assistência. Pois bem! Com a desestruturação de equipes de saúde mental em um cenário de assédio a servidores públicos geralmente não é um evento isolado, mas sim parte de uma estratégia de gestão ou uma consequência de fragilização do apoio às Vítimas Neutralização de Críticas, ou seja, quando existe equipes de saúde mentais bem estruturadas podem identificar e documentar o nexo causal entre o ambiente de trabalho e o adoecimento dos servidores.
Ao desestruturar essas equipes, a gestão remove um “vigilante” interno que poderia validar as denúncias de assédio. Invisibilizando o problema, pois em uma equipe para acolher e diagnosticar, o sofrimento mental passa a ser tratado como um “problema individual” ou “falta de resiliência” do servidor, em vez de ser visto como uma falha da instituição. Então se analisar a situação podemos entender que já era um plano desde o início da gestão acerca do desmonte dos serviços que vinham funcionando muito bem, e os assédios sobre os servidores mais antigos com vasto conhecimento.
Os servidores doentes e desassistidos e sem suporte, casos de ansiedade, depressão e burnout aumentam, gerando mais afastamentos e sobrecarregando ainda mais os servidores que permanecem, o que alimenta o ciclo de assédio e pressão.
(*) Ex-secretária municipal de Saúde, Coordenadora do Programa Municipal deDst/Aids e Hepatites Virais de Dourados, Coordenadora do Fórum dos Trabalhadores em Saúde (2015 a 2018), Presidente do Conselho Municipal de Saúdede Dourados (2013 a início de janeiro de 2019), Servidora pública e graduada em Serviço Social




