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Viúva pede pena máxima para assassino de motorista de van: ‘Covardia’

A família do motorista de transporte escolar Adriano de Jesus Gomes (foto em destaque), conhecido como tio Adriano, clama por Justiça. O homem foi morto a tiros pelo vizinho Francisco Evaldo de Moura, na frente à esposa, à época com 58 anos, em 6 de fevereiro de 2025 na Quadra 408 de Samambaia Norte (DF). O acusado será julgado pelo Tribunal em 21 de maio.

Mergulhada na dor, na saudade e em dívidas, a família da vítima espera que o réu receba a pena máxima: de mais de 20 anos de prisão, podendo chegar a 30 anos, a depender da avaliação do juiz . O caso será apreciado pelo Tribunal do Júri em 1ª instância.

Assista ao momento do crime:

Viúva pede pena máxima para assassino de motorista de van: “Covardia” - destaque galeria

Francisco Evaldo de Moura atirou ao menos quatro vezes em vizinho

Carro usado por Francisco para fugir

Adriano deixou a esposa Elaine de Cássia Ferreira Gomes, de 59 anos, três filhos e netos. Francisco está preso enquanto aguarda o julgamento.

“A gente espera por Justiça. O Adriano não merecia morrer desse jeito. Esperamos a condenação máxima. A minha vida acabou, não sinto mais vontade de viver. A cena da morte de Adriano vive na minha cabeça todo dia, toda noite. Não consigo dormir“, desabafou a viúva. Com o trauma da morte do marido, Elaine passou a tomar remédios controlados.

A viúva relatou que as reclamações do vizinho eram constantes. “Ele [Francisco] reclamava dos ônibus do transporte escolar, dos latidos do cachorro, da água que escorria pela rua quando lavavam a garagem e do som nas festas na família”, comentou.

A viúva Elaine presenciou quando o acusado disparou contra ser marido e o filho mais novo, Gabriel Ferreira Gomes, 21. O rapaz conseguiu fugir para não ser alvejado. Mas Adriano foi atingido por três tiros dentro de casa. Segundo a família, o jovem ficou profundamente abalado.

Elaine lembrou que na hora do ataque, Adriano chegou a entrar dentro de casa e tentou fechar o portão com a mão. “Ele estava tão desesperado que esqueceu que o controle estava no bolso dele. E ele gritava: Elaine fecha o portão”, lembrou a viúva.

Elaine começou a procurar pelo outro controle. “O Francisco entrou dentro da minha casa e enquanto o Adriano tentava se esconder atrás da vã que estava na garagem. Ele entrou e deu, pelo menos, três tiros no meu marido pelas costas, um no pescoço e dois no tórax”, detalhou.

Para Elaine, a cena foi traumática. “Ele [Francisco] destruiu a minha família. Não temos mais a alegria que tínhamos”, relatou a viúva. De acordo com Elaine, o acusado, em nenhum momento, pediu perdão para a família.

“Eu presenciei tudo, nunca vou esquecer o desespero do Adriano tentando se esconder daquele homem. E assim que ele matou o Adriano ainda subiu na rua armado tentando achar o Gabriel”, completou.

Sonhos perdidos

A família nutria muitos sonhos. Um deles era vender a residência em Samambaia e se mudar para outro local. A casa havia passado por avaliação de um corretor de imóveis um dia antes da tragédia.

O casal planejava deixar o transporte escolar e vender artesanato. Outro sonho de Adriano e Elaine era ter um motorhome, para viajar e conhecer o Brasil. Todos os planos foram embora no dia do assassinato brutal.

“Fiquei sozinha e endividada. Gastei R$ 16 mil no conserto do ônibus e estou devendo até hoje. Fico a maior parte do tempo no meu quarto. Só saio para trabalhar. Sinto muita falta dele. Adriano era muito brincalhão, carinhoso e preocupado comigo”, disse Elaine. O casal era muito unido. Os dois trabalhavam juntos, iam para a igreja, cantavam e gostavam de andar de bicicleta.

“Estou voltando para casa”

No dia do crime, Francisco teria começado a bater no portão da casa da família. Elaine mandou mensagem para o marido. Adriano ligou de volta perguntando porque a esposa não foi ao pilates. “Não quero confusão com esse homem, Adriano”, disse. Nessa hora, Adriano decidiu voltar para a casa para verificar o que estava acontecendo. “Ele me disse: ‘Estou voltando’”, lembrou.

Francisco teria abordado Adriano assim que ele chegou em casa. “Quando ele abriu o portão, o Francisco veio para cima dele, falando que ele tinha que lavar o carro dele porque o ônibus o havia sujado com fumaça”, lembrou.

Segundo o advogado da família, Marcos Akaoni, a pena máxima é o veredito mais justo. “O acusado é bacharel de direito. Ele ainda tentou dizer que estava dentro de casa. Deu um passo para dentro do portão para, eventualmente, sustentar uma legítima defesa que não existiu. Ele tentou acertar o Gabriel e, não satisfeito, foi atrás do Adriano e o matou em um ato de covardia”, afirmou.


Entenda o crime

  • Na manhã de quinta-feira (6/2), Francisco Evaldo de Moura discutiu com o motorista Adriano de Jesus Gomes e o filho da vítima, Gabriel Ferreira;
  • Francisco foi à casa de Adriano e iniciou uma discussão, após ver o carro de Gabriel estacionado em área pública;
  • Câmeras registraram o momento da discussão entre os três envolvidos, bem como os disparos;
  • Francisco sacou uma arma da cintura e disparou ao menos quatro vezes contra Adriano e Gabriel;
  • Adriano foi atingido no pescoço e no tórax e não resistiu. Gabriel conseguiu escapar e não foi ferido;
  • Após matar o vizinho, Francisco fugiu em um Chevrolet Ônix prata.

Metrópoles tentou contato com a defesa de Francisco. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.

(Informações Metrópoles)

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