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Família descobre que criança era vítima de abuso sexual através da inteligência artificial

Mesmo tendo admitido o crime, homem foi solto após Justiça entender que ele ‘não apresenta risco’. IA orientou a criança, destacou que a culpa não era dela e que a responsabilidade em manter o respeito e a harmonia da família é do adulto

A família de uma criança de 12 anos identificou, no sábado (25), que ela estava sendo vítima de abuso sexual depois que viu uma pergunta que ela fez a um aplicativo de inteligência artificial (IA).

Segundo a polícia, o suspeito, de 23 anos, era noivo da tia da criança, que vive em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Os abusos começaram em dezembro de 2025, em uma viagem de família para a praia, quando a menina tinha 11 anos. O g1 não vai divulgar o nome do adulto para preservar a identidade da vítima.

Na mensagem enviada para a IA, a menina perguntou se ela “não estaria atrapalhando o casamento da tia”. A resposta do aplicativo à criança destacou que a culpa não era dela e que a responsabilidade em manter o respeito e a harmonia da família era do adulto.

Depois de encontrar a mensagem enviada para a IA, a família da criança também encontrou outra enviada pelo suspeito à criança, com teor sexual.

“Na hora, eu já confrontei ele. Ele me pediu para parar de fazer escândalo, que minha mãe ia acordar”, relatou a tia da criança, que também não vai ser identificada para proteger a identidade da vítima.

Após ser descoberto, o homem foi agredido por populares e a Guarda Municipal foi acionada. O boletim de ocorrência (B.O.) registrado pelos agentes aponta que a vítima relatou os abusos. O documento aponta ainda que o suspeito confessou aos guardas que “manteve relação sexual” com a criança.

O Código Penal classifica como estupro de vulnerável qualquer relação mantida com crianças com menos de 14 anos, independentemente de consentimento.

Na delegacia, tanto a vítima quanto o suspeito afirmaram que o último episódio de abuso tinha acontecido dois dias antes.

Mesmo tendo admitido o crime, homem está solto

Homem foi colocado em liberdade após Justiça entender que ele não apresenta risco — Foto: Reprodução

Homem foi colocado em liberdade após Justiça entender que ele não apresenta risco — Foto: Reprodução

O homem chegou a ser preso em flagrante por estupro de vulnerável. O Ministério Público se manifestou a favor da liberdade provisória dele e a Justiça o liberou da prisão, justificando que ele não apresentava risco.

“A despeito dos fortes indícios de autoria e materialidade da infração de estupro de vulnerável, não vislumbro, na espécie, periculum libertatis a justificar a manutenção da custódia do autuado. Isso porque não há indícios de se tratar de pessoa que causará abalo à ordem pública, caso deferida a liberdade. Ainda, não vislumbro perigo de que venha a se evadir do distrito da culpa, ou que possa tumultuar a instrução de futuro processo criminal, sendo que o mesmo não é reincidente”, diz o documento.

Apesar da interpretação, a família da vítima denuncia que o homem é vizinho da criança e sabe os detalhes da rotina dela e da família.

Além disso, os familiares relatam que, depois que o suspeito foi confrontado, ele ameaçou a criança para que ela não contasse sobre os abusos.

“Quando ela chegou no quarto, ela já sabia o que era. Ela só chorava e não falava nada. Eu falei: ‘Por favor, meu amor, conta pra tia. Isso aqui é só três anos da minha vida, você é minha vida inteira. Fala, sempre vou acreditar em você’. E ele estava atrás de mim, fazendo gestos para ela não contar, ameaçando ela”, relatou a tia em entrevista à RPC.

Em seguida, conforme a tia, o homem foi retirado do quarto e a menina contou sobre os abusos.

“A primeira frase que ela falou foi: ‘Desculpa tia, eu não queria estragar seu casamento'”, relembrou.

Após ser procurado pelo g1, o Ministério Público informou, por meio de nota, que denunciou o homem pelo crime de estupro de vulnerável e solicitou a prisão preventiva dele. (Do g1 PR e RPC)

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