Após mais de uma década de espera, o fotógrafo Sérgio Silva será indenizado e receberá pensão vitalícia, que foi responsabilizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na última terça-feira (28/4) pelo incidente durante as manifestações de 2013, quando ele ficou cego de um olho após ser atingido por uma bala de borracha de um policial militar.
A decisão da última terça se baseou no Tema 1.237, que estabelece que a União, os estados e municípios possuem responsabilidade civil objetiva por mortes ou ferimentos decorrentes de operações de segurança pública, ainda que a perícia sobre a origem do disparo seja inconclusiva, como no caso do fotógrafo.





Sérgio Silva atuava como fotojornalista freelancer em uma agência quando foi enviado para cobrir a manifestação no centro da capital paulista contra o aumento da passagem de ônibus e a favor do passe livre, em 2013. Em entrevista ao Metrópoles na quarta (29/4), Silva relembrou o dia em que tudo mudou.
“Naquele dia, eu estava exercendo minha profissão como imprensa cobrindo o ato, que era pacífico. A Polícia Militar (PM) foi acionada para dispersar os manifestantes, pois eles estavam ‘infringindo o direito de ir e vir’ ao ocupar as ruas”, comentou.
Ele se escondeu atrás de uma banca de jornal após a PM lançar a primeira bomba de gás lacrimogênio. “Eles [policiais] disparavam bombas e balas de borracha mesmo quando a maioria dos manifestantes já haviam dispersado, principalmente em direção a pequenos grupos, às vezes na direção de uma única pessoa.”
Foi quando a polícia parou de atirar que Silva decidiu sair de onde estava para fazer mais fotos. Aí, ele foi atingido no olho. “Eu apontei a câmera na direção da tropa da Polícia Militar, que estava alinhada no meio da Rua da Consolação. Fiz alguns cliques e com a câmera no meu rosto percebi um policial apontando em minha direção”, comentou.
Nesse momento, segundo Sérgio, ele baixou a câmera e imediatamente sentiu o impacto da bala de borracha atingindo seu olho. “Foi ali que eu senti que já estava cego. E foi a partir disso que resolvi entrar com a ação contra o estado paulista na Justiça, que deveria ser responsabilizado pela violência de sua força policial.”
(Informações Mterópoles)




