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Desenrola 2.0: veja o que se sabe sobre o novo programa de renegociação de dívidas

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o novo programa de renegociação de dívidas do governo, o Desenrola 2.0, deve oferecer descontos de até 90% e permitir o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). A proposta foi finalizada em conjunto com instituições financeiras e será apresentada ao presidente nos próximos dias, com possibilidade de lançamento em 1º de maio, Dia do Trabalhador.

Segundo o ministro, o programa foi estruturado após negociações com os principais bancos do país. “Estamos concluindo as conversas com as instituições financeiras para entregar ao presidente o programa de renegociação das dívidas das famílias brasileiras”, disse.

O foco serão as dívidas com juros mais altos, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. “O programa tem como linha geral exigir reduções nas dívidas que mais impactam as famílias brasileiras hoje”, afirmou Durigan.

Especialistas ouvidos pelo R7 avaliam que a proposta pode trazer alívio para milhões de brasileiros. Para o professor de Ciências Contábeis Alisson Batista, o desconto elevado pode ajudar famílias em situação de superendividamento.

“Indicadores da CNC mostram que mais de 80% das famílias brasileiras estavam endividadas em março. O programa pode dar um fôlego importante para que consigam renegociar valores que hoje não têm condições de pagar”, afirmou.

O professor de finanças Marcos Melo pondera que, embora a redução de até 90% seja relevante, a medida não resolve as causas estruturais do endividamento. “É necessário enfrentar fatores como juros elevados, baixa educação financeira e limitações da economia brasileira”, destacou.

Atualmente, os juros desses tipos de crédito variam entre 6% e 10% ao mês, o que dificulta a saída do ciclo de endividamento. “Uma família brasileira muitas vezes não consegue sair desse processo de atualização constante da dívida”, afirmou o ministro.

Para especialistas, a renegociação deve vir acompanhada de mudança de comportamento financeiro. “Evitar o uso de crédito após quitar dívidas é essencial. A reorganização do consumo e das prioridades é o que garante uma melhora sustentável”, disse Alisson Batista.

Descontos podem chegar a 90%
Durigan destacou que o programa deve reduzir significativamente o valor das dívidas. “Com um desconto amplo, podemos chegar a reduções de até 90%”, afirmou.

Por exemplo, uma dívida de R$ 10 mil poderia ser renegociada por cerca de R$ 1 mil, com juros mais baixos.

Uso do FGTS está mantido
O ministro confirmou que o FGTS poderá ser utilizado na renegociação e negou que haverá exigência de quitação total para acessar o recurso. “Não há essa limitação”, afirmou.

Segundo ele, a ideia é permitir que o trabalhador use parte do saldo para sair do endividamento. “Você não está se endividando com o FGTS, está usando o recurso para quitar uma dívida”, explicou.

Para Marcos Melo, a medida pode ajudar no curto prazo, mas exige cautela. “O uso do FGTS pode aliviar a situação imediata, mas também compromete a segurança financeira futura. É uma solução paliativa”, avaliou.

Programa deve alcançar milhões
A expectativa do governo é atingir dezenas de milhões de brasileiros. “Haverá um chamado à ação para que as pessoas procurem seus bancos e renegociem suas dívidas de forma simples”, disse Durigan.

O ministro ressaltou que o Desenrola 2.0 não será um programa recorrente. “Não se trata de um Refis periódico. As pessoas não devem contar com a repetição desse tipo de medida”, afirmou. O objetivo, segundo ele, é atacar um problema específico de endividamento elevado que compromete a renda das famílias.

Prazo limitado
A previsão é que o programa entre em vigor logo após o anúncio presidencial. “Assim que o presidente anunciar, o programa já estará operacional e disponível para a população”, disse o ministro.

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