Prefeitura de Dourados reforça ações de limpeza em todos os bairros, mas descarte irregular de resíduos sólidos persiste em diversas localidades e transforma espaços públicos novamente em focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da Dengue e da Chikungunya
Mesmo após mutirões intensivos de limpeza, diversas áreas de Dourados voltaram a ser tomadas por lixo e entulhos, elevando o risco de proliferação do mosquito Aedes aegypti em um momento crítico, com a cidade enfrentando uma epidemia de Chikungunya. Segundo o secretário-adjunto de Serviços Urbanos, Ângelo Augusto Gomes, o problema tem sido recorrente em bairros como Cachoeirinha, Jóquei Clube, Santa Felicidade e Monte Sião, onde equipes já realizaram a retirada de resíduos, mas precisaram retornar devido ao descarte irregular feito pela própria população.
Há cerca de dois meses, os trabalhos de limpeza foram intensificados justamente para eliminar possíveis criadouros do mosquito transmissor. No entanto, o esforço tem sido comprometido pela falta de colaboração de parte dos moradores. Conforme Ângelo, a situação preocupa. “Infelizmente temos que retornar a locais recém limpos”, desabafa. “Muitos desses materiais poderiam ser colocados para a coleta na frente das residências. Estamos encontrando objetos que acumulam água, como garrafas, utensílios domésticos e até móveis descartados de forma irregular”, destacou.
Nesta sexta-feira, equipes da Semsur voltaram à Vila Cachoeirinha apenas três semanas após a última ação. Na avenida Via Parque, ao lado de uma área de preservação ambiental e próximo ao campo de futebol da comunidade e igrejas, o cenário já era novamente de acúmulo de lixo doméstico e entulhos. Com o uso de pá carregadeira, caminhões caçamba e equipes operacionais, toneladas de resíduos foram retiradas do local.
A vice-presidente da associação de moradores do bairro, Sílvia Helena da Conceição, afirma que o problema é antigo e difícil de conter. “Já tentamos conscientizar a comunidade, mas ainda tem pessoas que insistem em jogar lixo. Também há descarte vindo de outras regiões, feito por veículos com carroceria. Isso prejudica muito o bairro e coloca a saúde de todos em risco”, relatou.
Durante a vistoria, outros pontos críticos foram identificados, como uma casa abandonada com acúmulo de garrafas, resíduos domésticos e entulhos, além de terrenos baldios com grande quantidade de lixo. Em alguns desses locais, moradores já apresentam problemas de saúde, o que aumenta a preocupação das autoridades.
Situação semelhante foi registrada novamente nas regiões do Jóquei Clube e Santa Felicidade, onde pneus, entulhos e lixo doméstico voltaram a ser descartados a céu aberto, transformando áreas públicas em verdadeiros lixões. O mesmo ocorre no bairro Panambi Verá, nas proximidades do Parque Ambiental Victélio Pellegrin, no Grande Jardim Novo Horizonte, onde locais recentemente limpos voltaram a acumular resíduos.
Conforme boletim epidemiológico da Vigilância em Saúde municipal, esses bairros estão entre os que concentram maior número de notificações de casos de Chikungunya, o que reforça a necessidade de conscientização da população. “A questão é coletiva. Não adianta cobrar apenas do poder público se cada um não fizer a sua parte”, reforçou a líder comunitária Sílvia Helena.






