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Nova geração: das brincadeiras de rua para o computador

86% das crianças brasileiras acessam internet pelo menos três vezes por semana, enquanto a média mundial é de 70%.

Comportamento – 20/05/2009

Brincar de pique – esconde, pega pega, queimada, elástico, pular corda, empinar pipa e jogar bola descalço na rua com a molecada eram atividades comuns na vida das crianças, porém, devido a tecnologia essa realidade mudou. Não que os pequenos não participem mais destas brincadeiras, mas sim, dedicam menos tempo a elas para dar espaço aos jogos, bate-papos e disputas em frente ao computador sem precisar sair de casa, o que só a internet pode proporcionar.
    Uma pesquisa realizada em 12 países, com mais de sete mil crianças, com idade entre 8 e 14, de diversas classes sociais, revelou que as brasileiras são as que mais acessam a internet, resultando em 86% das que acessam pelo menos três vezes por semana, enquanto a média mundial é de 70%.
     Para a arte-educadora Tânia Silva, as crianças estão abandonando cada vez mais as brincadeiras de rua porque elas podem ser realizadas pela internet e com maior comodidade. “Hoje em dia as crianças podem fazer praticamente qualquer tipo de brincadeira utilizando a internet, inclusive jogar bola”, explica. Tânia concorda que a internet ajude no quesito inclusão digital e nos estudos, mas acredita que ela afasta as crianças do convívio social direto e faz com que deixem de praticar esportes reais para fazê-los virtualmente. “Conheço várias mães preocupadas com o excesso de uso da internet por seus filhos, pois a facilidade que esta promove acaba deixando as crianças ‘robotizadas’ e dependentes deste meio”, enfatiza a educadora.
     Há ainda o caso das crianças que sofrem com a timidez e tem dificuldade para conversar, expressar suas opiniões com os colegas e por isso utilizam o MSN Messenger e alguns sites de relacionamento por se sentirem mais a vontade. A estudante Isabella Oliveira, 11 anos, relata que conversar pela internet é bem mais fácil, pois, pode falar com amigos que já conhece e ainda conhecer novos, trocar músicas e desenhos personalizados.
    Já Taiane Barbosa, 9 anos, disse à reportagem que gosta de brincar na internet porque pode fazer coisas da vida real que somente um adulto poderia fazer. “Tem um joguinho onde eu posso criar minha casa, comprar móveis, roupas, sapatos, animal de estimação, escolher uma profissão pra ganhar dinheiro, ir a festas e conversar com pessoas de vários lugares, é muito divertido”, explica a menina.
   A psicóloga Gabriela Rosa explica que a internet abre um leque de opções e que já faz parte da vida da nova geração e assim como tudo, tem seu lado positivo e negativo, cabe aos pais estipularem limites aos filhos. “Toda criança precisa ter relacionamento de convivência com os colegas e momentos para praticar esportes, pois, é muito importante para a saúde e bem estar, além disso, ficar atento aos crimes cometidos virtualmente, como a pedofilia é de extrema importância”, ressalta.
 (Da Redação)

Fonte: Folha de Dourados

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