Redação –
O município de Dourados continua enfrentando um cenário de emergência em saúde pública devido ao avanço da Chikungunya, conforme aponta o mais recente relatório epidemiológico divulgado neste domingo (19). Os dados revelam alta circulação do vírus, aumento na demanda por atendimentos e crescimento no número de casos graves.
De acordo com o informe, já foram registradas 6.147 notificações da doença no município. Destas, 5.096 são consideradas casos prováveis, sendo 2.022 confirmados, 3.074 ainda em investigação e 1.051 descartados. A taxa de positividade chega a 65,8%, índice considerado extremamente elevado pelas autoridades de saúde, indicando transmissão intensa e fora de controle.
A análise temporal mostra que o pico da doença ocorreu na 12ª semana epidemiológica, com leve redução nas semanas seguintes. Ainda assim, especialistas alertam que a epidemia segue em curso. A diminuição recente pode estar relacionada ao período de feriados, que impacta o número de notificações.
Outro ponto de atenção é a mudança no perfil dos casos. Entre as semanas 10 e 12, a maioria das notificações estava concentrada na população indígena. A partir da semana 13, houve inversão, com predominância de casos na população não indígena, especialmente na área urbana.
A pressão sobre o sistema de saúde também preocupa. A média diária de atendimentos na UPA passou de cerca de 300 para 452 pacientes nos últimos 15 dias, indicando aumento significativo na procura por serviços de urgência e emergência.
Atualmente, 38 pessoas estão internadas com suspeita ou confirmação da doença em hospitais da cidade. Além disso, o município já contabiliza oito mortes confirmadas por chikungunya — sendo sete de indígenas e uma de não indígena — e investiga outros dois óbitos.
Nas aldeias, foram registradas 2.932 notificações, com 1.461 casos confirmados. Apesar de sinais de queda nessas áreas, a preocupação agora se volta para a expansão da doença no perímetro urbano.
Diante do cenário, autoridades de saúde reforçam a necessidade de medidas de prevenção e controle do mosquito transmissor, além da procura por atendimento médico diante de sintomas suspeitos.




