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Em novo livro, Acelino discute legitimidade do Judiciário e alerta para riscos à democracia

Juliel Batista –

O advogado e professor Acelino Rodrigues Carvalho concedeu entrevista à Folha de Dourados para falar sobre o lançamento da segunda edição de seu livro “Constituição e Jurisdição: a Legitimidade Democrática do Poder Judiciário e a Tutela dos Direitos Sociais”. A obra, resultado de sua tese de doutorado, aprofunda debates sobre os limites e a atuação do Poder Judiciário dentro do regime democrático.

Docente da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, em Dourados, Acelino construiu uma trajetória acadêmica consolidada nas áreas de Direito Constitucional e Direito Processual Civil. Ao longo da entrevista, ele detalha sua formação, o processo de elaboração da obra e a importância de compreender os fundamentos históricos e filosóficos das instituições.

Segundo o autor, o livro busca responder a uma questão central das democracias contemporâneas: “como é que eles podem ter seus atos invalidados por juízes que não são eleitos pelo povo”. Para ele, esse dilema revela a necessidade de uma análise profunda sobre a legitimidade do Judiciário.

“como é que eles podem ter seus atos invalidados por juízes que não são eleitos pelo povo”

Acelino também enfatiza o papel das instituições na manutenção do equilíbrio democrático. “Não é possível uma democracia onde não haja uma Suprema Corte independente que garante a democracia”, afirma, destacando que a independência judicial é condição essencial, mas que deve estar sempre limitada pela Constituição.

“Não é possível uma democracia onde não haja uma Suprema Corte independente que garante a democracia”

Em novo livro, Acelino discute legitimidade do Judiciário e alerta para riscos à democracia
Juliel Batista e Acelino Rodrigues/Imagem: Rakely dos Santos – Folha de Dourados

A seguir, a entrevista na íntegra:

Folha de Dourados – O senhor pode se apresentar e falar sobre sua trajetória?

Acelino Carvalho – Meu nome é Acelino Rodrigues Carvalho, ou Acelino de Carvalho, como alguns me chamam. Sou professor titular de Filosofia do Direito, Teoria da Constituição e Teoria do Processo na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. Sou formado pela UNIGRAN em 1994 e, em 1995, já me tornei advogado. Fiz pós-graduação em Direito Processual Civil e também em Direito Constitucional. Comecei a lecionar em 1998, trabalhei na UNIGRAN, na UFMS e ingressei na UEMS em 2004, onde permaneço até hoje. Também atuei na UFGD por cerca de dez anos. Sou mestre em Direito Processual e Cidadania e doutor em Direito Público, com parte do doutorado realizado em Coimbra, Portugal.

Em que área o senhor se especializou?

Sou especialista em Direito Processual Civil e Direito Constitucional.

O que trata a sua obra?

Essa obra tem como tema central a legitimidade do poder, especialmente a legitimidade do Poder Judiciário. Parte-se da ideia de que todo poder, no contexto atual, só é legítimo se estiver vinculado à democracia, ou seja, à vontade popular.

Qual é o principal questionamento do livro?

A grande questão é entender como, em uma democracia, atos de representantes eleitos podem ser invalidados por juízes que não foram eleitos pelo povo. Onde está a fonte dessa legitimidade?

O senhor aborda conceitos filosóficos?

Sim. Trabalhei com autores como Rousseau, John Locke, Montesquieu, Hobbes, além de pensadores do constitucionalismo americano, como Alexander Hamilton e James Madison.

O livro também dialoga com a realidade brasileira?

Com certeza. Analiso como o Brasil interpreta conceitos fundamentais, como separação de poderes, muitas vezes de forma equivocada, o que contribui para crises institucionais.

O senhor trata do ativismo judicial?

Sim. Abordo a hiperjudicialização da política e o ativismo judicial, que são temas centrais no debate atual.

Há necessidade de reforma no Judiciário?

O Judiciário presta um serviço público e precisa ter qualidade. Reformas podem ser necessárias, mas devem preservar a independência da Suprema Corte.

O custo do Judiciário é um problema?

Existe uma percepção de que é caro e ineficiente. Parte das críticas recai sobre privilégios, os chamados “penduricalhos”, que precisam ser enfrentados.

O senhor é favorável à eleição de ministros?

Não existe modelo ideal. A eleição pode comprometer a independência do juiz, que não pode decidir com base na vontade popular.

Qual o papel da Suprema Corte?

Garantir a democracia. Sem uma Suprema Corte independente, não há democracia.

A Suprema Corte pode ser criticada?

Deve ser criticada. Todo poder precisa de controle. O importante é que eventuais reformas não retirem sua independência.

Qual o limite da atuação do Judiciário?

O limite é a Constituição. A Suprema Corte não pode ultrapassá-la.

Pode citar exemplos de decisões controversas?

Houve decisões ativistas, como a relativização da presunção de inocência, que depois foi revista, gerando forte reação social.

Qual a importância da Constituição nesse contexto?

Ela é a norma suprema. Todos os poderes estão subordinados a ela.

Onde encontrar o livro?

Está disponível no site da editora Juruá, na Amazon e também pode ser adquirido diretamente comigo, com desconto.

Em novo livro, Acelino discute legitimidade do Judiciário e alerta para riscos à democracia
Juliel Batista e Acelino Rodrigues/Imagem: Rakely dos Santos – Folha de Dourados
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