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‘Cobranças excessivas’: professores estão adoecendo mentalmente nas escolas em MS

Redação –

Um professor da rede municipal de Campo Grande denuncia que aguarda há quase três anos pela readaptação definitiva de função junto ao IMPCG (Instituto Municipal de Previdência). Segundo ele, a demora tem agravado problemas de saúde mental adquiridos durante o exercício da profissão.

O servidor, que prefere não se identificar por medo de repressão, afirma que ingressou na Prefeitura em 2016 sem histórico de problemas psicológicos. No entanto, a partir de 2018, passou a apresentar crises de ansiedade e, posteriormente, depressão, que ele atribui a episódios de assédio moral e pressão no ambiente de trabalho. De acordo com o portal de noticias Top Mídia News.

“Eram cobranças excessivas, prazos curtos e mensagens fora do horário de trabalho. Chegou um ponto em que não consegui mais dar aula. Mesmo afastado, eu continuei recebendo mensagens depois das 22h com cobranças”, relatou.

Em 2022, por orientação médica, ele solicitou a readaptação de função, passando a atuar fora da sala de aula. Atualmente, trabalha na biblioteca de uma escola, onde afirma ter apresentado melhora no quadro clínico. Ainda assim, diz que a readaptação segue apenas em caráter provisório.

De acordo com o professor, a legislação municipal prevê que, após dois anos sem recuperação total, o servidor deve ser readaptado definitivamente em outra função. Mesmo assim, ele afirma que segue sendo reavaliado sem uma decisão final.

“Já são quase três anos nessa situação. Fico sendo jogado de um lado para o outro, como uma bolinha de pingue-pongue. Reforçando que a maioria dos professores que trabalham na área para o setor público toma medicamentos hoje em dia. Isso porque são ambientes de trabalho tóxicos e excessos de cobranças da Semed (Secretaria Municipal de Ensino)”, detalhou.

Ele afirma ainda que, quando precisa retornar ao contato direto com alunos e gestores, os sintomas se intensificam, exigindo aumento na medicação. A recomendação médica, segundo o professor, é que ele permaneça afastado da sala de aula devido aos gatilhos emocionais.

O caso já foi levado à administração municipal, mas, segundo o denunciante, não houve solução até o momento. Ele também afirma que há um grupo de professores readaptados que enfrenta problemas semelhantes e cobra mais diálogo por parte do poder público.

Ao falar sobre a perícia realizada no IMPCG, obrigatória para finalização do processo de afastamento, o servidor também fez críticas ao processo, relatando constrangimentos durante as avaliações. Segundo ele, há outros profissionais da educação na mesma situação, enfrentando dificuldades semelhantes.

“Os peritos do IMPCG além de não definirem minha situação, ainda me humilham com falas e indiretas, abusando do poder que lhes pertence no momento pericial. Imagina a quantidade de pessoas prejudicadas pelos peritos e doentes da educação campo-grandense”, finalizou.

Devido à denúncia, a reportagem procurou a prefeitura de Campo Grande para falar sobre o assunto, mas até a publicação desta matéria, não teve retorno. O espaço segue aberto para manifestações futuras.

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