Redação –
O município de Dourados segue em situação de emergência em saúde pública devido ao avanço da chikungunya. Dados atualizados até esta quarta-feira (08) apontam 3.057 casos prováveis da doença, sendo 1.463 já confirmados, conforme informe epidemiológico divulgado pelas autoridades de saúde.
Ao todo, o município já registrou 4.189 notificações, com uma taxa de positividade de 72,1% — índice considerado extremamente elevado. Para efeito de comparação, organismos internacionais apontam que taxas acima de 5% já indicam transmissão não controlada, o que reforça a gravidade do cenário local.
Além disso, 2.160 casos ainda seguem em investigação e 566 foram descartados. A taxa de ataque da doença está em 11,58 casos por mil habitantes, indicando ampla disseminação do vírus na população.
Epidemia ainda em crescimento
A análise da curva epidemiológica mostra que a transmissão da doença segue em expansão. Até a semana epidemiológica 12, os registros continuavam em alta. Embora haja uma aparente queda nas semanas mais recentes, os dados ainda podem sofrer atualização devido ao atraso nas notificações, comum em períodos de sobrecarga no sistema de saúde.
Pressão na rede de saúde
O avanço da chikungunya já impacta diretamente os serviços de saúde. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) registrou aumento na procura, com média de 457 atendimentos diários nos últimos dias analisados.
Atualmente, 37 pessoas estão internadas com suspeita ou confirmação da doença em hospitais do município, incluindo unidades como o Hospital Universitário e o Hospital Regional.
Óbitos e casos graves preocupam
O município já confirmou cinco mortes por chikungunya, todas de pacientes indígenas. Além disso, três óbitos seguem em investigação, sendo dois de indígenas e um de paciente não indígena.
Entre os casos confirmados de morte estão idosos e até bebês, o que acende o alerta das autoridades de saúde para a gravidade da doença, especialmente em grupos mais vulneráveis.
Aldeias concentram maior impacto
As comunidades indígenas continuam sendo as mais afetadas pela epidemia. Somente nessas áreas, já foram registrados 1.733 casos prováveis, com 1.212 confirmações e 242 atendimentos hospitalares.
Os dados reforçam que, embora a doença já esteja disseminada em todo o município, o impacto segue mais intenso nas aldeias.
Ações e alerta à população
Diante do cenário, autoridades de saúde destacam que a chikungunya apresenta alta circulação viral em Dourados e exige atenção redobrada. O município intensifica ações de vigilância, atendimento e controle do mosquito transmissor.
A recomendação é que a população procure atendimento médico ao apresentar sintomas como febre alta, dores intensas nas articulações, manchas na pele, dor de cabeça e dores musculares.
A participação da população no combate ao mosquito Aedes aegypti, eliminando água parada e permitindo o acesso de equipes de saúde aos imóveis, também é considerada essencial para conter o avanço da doença.
O informe ressalta que os dados seguem em atualização constante e que a evolução da epidemia continuará sendo monitorada pelas autoridades.




