O motorista do Porsche Boxster, que invadiu a contramão e bateu em cheio no carro de um vendedor de salgados na zona leste de São Paulo, pegou o carro de luxo emprestado e, supostamente, sem o conhecimento do dono, que mora em Cariacica (ES).
Para completar, segundo a polícia, o condutor estava bêbado na hora do acidente e não tinha CNH (Carteira Nacional de Habilitação).
O veículo ficava estacionado no lava-rápido em que o condutor trabalha, no Tatuapé, também na zona leste. A informação é de um amigo do condutor, que estava no carro no momento do acidente e sofreu um corte profundo na cabeça.
O amigo disse que conhece o condutor há cerca de dez anos e que ele trabalhava como influencer no Instagram antes de virar gerente do lava-rápido. O passageiro informou à polícia que o motorista conhecia o dono do veículo, sem precisar o grau de proximidade.
Para a polícia, “a conjugação de tais circunstâncias — embriaguez, condução em alta velocidade, invasão de pista contrária e impacto frontal aliado à falta de habilitação — revela, em tese, comportamento que extrapola a esfera da culpa consciente, evidenciando desprezo pela incolumidade alheia e previsibilidade concreta do resultado morte.”
No carro de passeio atingido, estavam duas pessoas. O passageiro teve ferimentos leves e já teve alta do hospital. Já o condutor foi levado de helicóptero até o Hospital das Clínicas, na zona oeste de São Paulo, onde luta pela vida na UTI. Ele está em coma induzido e sofreu transfusões de sangue por causa de um intenso sangramento interno.
Exibição, barzinho e tragédia
Antes do acidente, a dupla se encontrou por volta das 22h no próprio lava-rápido, onde o amigo do condutor deixou o carro dele estacionado. Juntos, pegaram o Porsche para se exibir pelo bairro.
Por volta da meia-noite, os dois foram a um bar na rua Itapura, no Tatuapé, já que são amigos do promoter do local. O amigo admitiu que ingeriu bebida alcoólica, mas não confirmou que o motorista bebeu, apenas o viu com um copo na mão, conforme relato no boletim de ocorrência.
Ao sair do bar, segundo o passageiro, eles planejavam passear pela Vila Matilde, onde o motorista mora, e depois deixá-lo de volta no lava-rápido. Por isso, a dupla foi até a Radial Leste para fazer o retorno, quando aconteceu a tragédia.
O amigo afirmou que não se lembra da batida e que acordou com um bombeiro, que tentava tirá-lo das ferragens. Ele foi levado ao Hospital do Tatuapé, junto com o motorista do Porsche. O passageiro foi liberado pelos médicos com uma contusão e um corte profundo na cabeça.
Segundo a polícia, o amigo não quis prestar queixa contra o motorista do veículo de luxo por lesão corporal.
Embriaguez ao volante e sem carta

A polícia constatou que o motorista do Porsche estava embriagado no momento da batida. Conforme relato dos policiais que atenderam a ocorrência, o condutor se recusou a responder aos questionamentos.
Submetido ao bafômetro, o teste indicou 0,46 mg/l de álcool por litro de ar alveolar, valor acima do limite legal permitido.
No Brasil, caso o bafômetro acuse um valor superior a 0,34 mg/l, o motorista comete crime de trânsito e vai preso. Se condenado, o condutor pode pegar de 6 meses a 3 anos de prisão. A multa de R$ 2.934,70 e suspensão do direito de dirigir são automáticas.
Para completar, o condutor do carro de luxo não tinha carteira de habilitação.
Ele ainda está internado no Hospital do Tatuapé, mas ficará sob custódia da polícia quando tiver alta médica.
(Informações R7)



