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Recuo de Trump: cessar-fogo com Irã derruba gás, enfraquece dólar e abre nova fase da guerra

Trégua de duas semanas evita ataque iminente dos EUA, provoca queda nos preços da energia, movimenta mercados globais e abre negociações decisivas — enquanto conflitos continuam em pontos estratégicos do Oriente Médio

O recuo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao suspender um ataque iminente contra o Irã que, segundo ele, aniquilaria toda a população local, e anunciar um cessar-fogo de duas semanas provocou efeitos imediatos na economia global, aliviou os mercados financeiros e abriu uma nova fase de negociações diplomáticas — ao mesmo tempo em que mantém focos ativos de tensão no Oriente Médio.

A decisão foi tomada na noite desta terça-feira (7), pouco mais de uma hora antes do prazo estabelecido pelo próprio Trump para uma ofensiva militar, evitando uma escalada de grandes proporções.

Gás despenca, petróleo cai e dólar perde força

O impacto foi imediato nos mercados internacionais.

preço do gás natural na Europa caiu cerca de 20% na abertura das negociações, com o contrato de referência TTF recuando para 42,5 euros, após semanas de alta impulsionada pelo risco de interrupção no Golfo.

O petróleo também registrou forte queda diante da expectativa de normalização no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de energia.

Já o dólar, considerado um ativo de segurança em momentos de crise, perdeu força:

  • recuo de cerca de 1,1% frente ao euro
  • queda de aproximadamente 0,9% frente à libra

As bolsas asiáticas dispararam, e os mercados europeus abriram em alta, refletindo o alívio com a trégua.

O que Trump anunciou

O cessar-fogo foi condicionado à reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã e ocorreu após articulação com o Paquistão.

Em publicação oficial, Trump afirmou:

“Com base nas conversas com o Primeiro-Ministro Shehbaz Sharif e o Marechal de Campo Asim Munir […] e desde que a República Islâmica do Irã concorde com a ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz, concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas.”

“Este será um cessar-fogo bilateral!”

O presidente também justificou a decisão:

“O motivo para isso é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares e estamos muito avançados em um acordo definitivo sobre a paz a longo prazo com o Irã.”

Segundo ele, uma “proposta de 10 pontos” apresentada por Teerã já serve como base para um acordo final.

Irã aceita trégua, mas faz alerta duro

O Irã confirmou a adesão ao cessar-fogo, mas adotou um tom de cautela e ameaça.

O ministro das Relações Exteriores, Seyed Abbas Araghchi, declarou:

“Se os ataques contra o Irã forem interrompidos, nossas poderosas forças armadas cessarão suas operações defensivas.”

Sobre o Estreito de Ormuz:

“Durante um período de duas semanas, a passagem segura […] será possível mediante coordenação com as forças armadas do Irã e levando em consideração as limitações técnicas.”

Já o Conselho Supremo de Segurança Nacional elevou o tom:

“Nossos dedos estão no gatilho e, assim que o inimigo cometer o menor erro, ele será respondido com toda a força.”

O órgão também afirmou que as negociações ocorrerão “com total desconfiança” em relação aos Estados Unidos.

Negociações avançam e envolvem potências

A trégua abriu espaço para uma nova rodada de negociações internacionais.

O primeiro-ministro do Paquistão anunciou que o país receberá delegações dos Estados Unidos e do Irã na sexta-feira para avançar em um acordo:

As partes vão negociar “um acordo conclusivo para resolver todas as disputas”.

Trump também indicou possível participação indireta da China:

“Eu ouvi que sim”, disse ao ser questionado sobre o papel de Pequim.

Além disso, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, viaja ao Golfo para reforçar o cessar-fogo, enquanto o chefe da OTAN, Mark Rutte, se reúne com Trump em Washington.

Conflito continua fora do acordo

Apesar da trégua, a instabilidade permanece na região.

Israel declarou apoio ao cessar-fogo com o Irã, mas deixou claro:

“O acordo não inclui o Líbano.”

Na prática, o país retomou ataques no sul libanês contra o Hezbollah.

Explosões também foram registradas em Manama, capital do Bahrein, poucas horas após o anúncio do cessar-fogo, indicando que a crise segue ativa.

Estreito de Ormuz é peça central

A reabertura do Estreito de Ormuz é considerada essencial para o sucesso do acordo e para a estabilidade dos mercados globais.

Trump afirmou:

“Os Estados Unidos da América ajudarão com o congestionamento no Estreito de Ormuz. Haverá muita ação positiva! Muito dinheiro será feito.”

O que está em jogo

A trégua de duas semanas abre uma janela decisiva para um possível acordo mais amplo.

Trump classificou o resultado como “uma vitória total e completa. 100%. Sem qualquer dúvida.”

Já a Casa Branca afirmou que “o sucesso de nossas forças criou máxima alavancagem […] para uma solução diplomática e paz de longo prazo.”

Apesar da reação positiva dos mercados, o cenário permanece volátil, com ameaças explícitas do Irã, combates em andamento no Líbano e negociações ainda incertas.

O desfecho das próximas semanas deve definir se o recuo de Trump marcará o início de uma solução duradoura — ou apenas uma pausa em um conflito maior.

*Com informações da AFP

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