Redação –
Vizinhos de Maria Clair Luzini, de 46 anos, e Vilson Fernandes Cabral, de 50, começaram a se mudar do bairro Vila Juí, em Anastácio, após o assassinato brutal do casal, encomendado pela própria filha, Maria de Fátima, que confessou o crime.
Desde o dia 28 de março, apenas dois casais permaneceram no local, mas ambos pretendem deixar o bairro, seja por medo e insegurança, seja pelas lembranças dos gritos de socorro que antecederam a partida das vítimas.
O Midiamax percorreu o bairro para conversar com os moradores que permaneceram após o crime bárbaro que chocou o pequeno município. Ainda em alerta, os moradores deram depoimentos tímidos, sob a condição de que suas identidades fossem preservadas. Isso porque, após ameaças da mandante do assassinato dos próprios pais, todos temem pela segurança.
“Já estou me mudando. Estou arrumando as coisas. Fiz até empréstimo para construir este rancho, mas não vou morar aqui. Não tenho como viver aqui”, relata uma pessoa que conhecia o casal.
Motivação do crime
Segundo o depoimento, o crime premeditado teria sido motivado por um desacordo sobre a venda de uma casa da família, anunciada por R$ 120 mil. À investigação, Maria de Fátima afirmou ter sido convencida por seu companheiro, Wedebrson Haly Matos da Silva, de 34 anos, a “dar um susto” no pai. Isso porque, segundo ela, ele não concordava com o valor que ela receberia após a venda do imóvel: R$ 20 mil.
De acordo com a delegada titular da Delegacia de Anastácio, Tatiana Zynger, “ela [Maria de Fátima] tinha uma construção nos fundos dessa casa e, segundo relato, Wedebrson queria que ela recebesse metade do valor da venda e, por isso, teria sugerido castigar o pai”.
Ainda de acordo com as informações, Maria de Fátima justificou que aceitou o plano do companheiro devido a um relacionamento conturbado com o pai, marcado por um histórico de abusos.
“Tudo por causa desse rancho, aquela casinha lá no fundo que estavam construindo para ela. Ela nunca gostou do pai”, afirmou um morador à reportagem.
Outro morador conta que a vizinhança foi ameaçada por Maria de Fátima após o crime e por isso também pretende se mudar do bairro.
“Vamos nos mudar. Ela ameaçou todo mundo. Ficamos sabendo que ela seria ligada a uma facção. Estamos com medo. A região aqui é muito isolada. Tenho medo de que ela mande alguém invadir minha casa e matar todo mundo”, lamentou.
Vizinhos ouviram gritos e choro
À reportagem, moradores relataram que ouviram os gritos de Maria Clair e acreditam que ela tentou pedir socorro.
“Só escutamos o grito dela [mãe], porque eles [assassinos] não falavam nada. O pai já tinha sido morto nesse momento. Quando estavam matando o pai, acho que a mãe tentou pedir ajuda. A parede ficou cheia de sangue”, relatou uma moradora.
O choro de Maria Clair também foi ouvido pelos vizinhos. “Fiquei com dó dela. Era um choro de dor profunda, uma dor muito grande”, contou.
A moradora acrescentou que a família tinha conflitos frequentes e que a filha ameaçava o pai.
“Eles brigavam sempre, e ela dizia: ‘Vou te matar, pai! Vou acabar com você!’ Ela não derramou uma lágrima com os pais mortos a facadas”, afirmou.
Assassino morto
O caso ganhou contornos ainda mais macabros quando, na sexta-feira (27), David Vareiro Machado foi assassinado na cidade. Ele era apontado como um dos envolvidos na execução do casal.
Além dele, Wellington dos Santos Vieira, de 27 anos, também é apontado com um dos suspeitos no crime; ele morreu em confronto com a polícia na terça-feira (31).
Caso semelhante
O crime, encomendado pela filha das vítimas e confessado, lembra o caso de Suzane von Richthofen, que planejou o assassinato dos próprios pais, Marísia e Manfred von Richthofen, em outubro de 2002.
Condenada a 39 anos de prisão e atualmente em liberdade, Suzane decidiu falar sobre o crime em um documentário inédito. Nas primeiras imagens divulgadas, chama atenção sua postura.
Em alguns trechos, ela chega a rir ao relembrar episódios que antecederam a morte dos pais.
Produzido pela Netflix, o longa ainda não tem data oficial de lançamento e apresenta a versão de Suzane. Em determinado momento, ela descreve a casa como um ambiente sem acolhimento, marcado por cobranças e falta de diálogo sobre temas íntimos, como sexo.




