presença da arte no ambiente hospitalar segue gerando impactos positivos no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), integrante da Rede HU Brasil. Realizada no dia 20 de março, a intervenção do projeto “Bagunça com Você” ainda repercute entre pacientes, acompanhantes e profissionais da instituição, reforçando a importância de iniciativas voltadas à humanização do cuidado.
A ação levou à ala pediátrica uma intervenção artística inspirada no espetáculo “Balança, mas não cai”, que une elementos do circo, da dança e da palhaçaria para abordar, de forma lúdica, as emoções da infância. Voltado especialmente para crianças de 0 a 6 anos, o projeto propõe experiências sensíveis e acessíveis, reconhecendo a arte como ferramenta fundamental para o desenvolvimento emocional, cognitivo e social .
Durante a atividade no HU-UFGD, pacientes e familiares vivenciaram momentos de leveza em meio à rotina hospitalar. Para a pedagoga da unidade, Laura Cyrineu Munhoz e Silva, ações como essa têm impacto direto no bem-estar das crianças e de seus acompanhantes.
“Essas ações que vocês trouxeram é muito bacana porque a priori, sendo lúdico, a gente pode pensar que ameniza o sofrimento dessas crianças, dos responsáveis que estão aqui num certo momento de tensão, então é um momento de alegria, de dar risada e tudo isso traz um carinho especial para as crianças e com certeza faz a diferença. A gente só tem a agradecer. São ações que humanizam o atendimento do hospital”, afirmou.
Idealizado pela artista Társila Bonelli, o projeto surgiu a partir da construção do espetáculo e de estudos sobre o desenvolvimento emocional infantil. Segundo ela, a proposta foi ampliada para alcançar crianças em diferentes contextos, incluindo aquelas em situação de vulnerabilidade e em ambientes de cuidado, como hospitais.
“Esse projeto é o projeto Bagunça com Você. Ele surgiu do próprio espetáculo ‘Balança, mas não cai’, que trata, através da palhaça Tarsica, de como a criança lida com as emoções. A partir dessa construção, fomos estudar, conversamos com uma psicóloga infantil e buscamos entender como as crianças lidam com problemas e com o universo adulto, que muitas vezes não tem diálogo”, explicou.
A iniciativa é composta por três frentes: apresentações abertas ao público, oficinas voltadas a crianças em acolhimento institucional e intervenções artísticas em hospitais e clínicas. No HU-UFGD, a equipe — formada por cinco artistas e uma intérprete de Libras, com apoio de acompanhamento psicológico — levou uma versão pocket do espetáculo diretamente às crianças internadas.
“O objetivo é levar a arte e, através da brincadeira, proporcionar para as crianças e para as famílias momentos de felicidade. A gente sabe que o ato de brincar auxilia as crianças a resolverem problemas e a lidar com questões emocionais. E a arte, o sorriso e a felicidade ajudam muito a lidar com a vida”, destacou Társila.
A artista também relembrou a recepção no hospital como uma das experiências mais marcantes do projeto. “Quando a gente foi ao HU-UFGD foi fantástico. A recepção e o feedback dos pacientes. O olhinho brilhando, rostinhos felizes e a gente vê as mães também muito felizes. Momentos de não se preocupar, de conseguir se libertar, sorrir. Foi muito legal estar no HU-UFGD e ver que pacientes, mães e funcionários estavam super animados”, relatou.
Com circulação prevista em municípios como Dourados, Ivinhema, Campo Grande e Três Lagoas, a expectativa da equipe é dar continuidade às ações, inclusive com possibilidade de retorno ao hospital. “O HU-UFGD pode esperar a gente mais vezes. Estamos com muita vontade, porque estamos percebendo que são experiências maravilhosas levar o sorriso e ver as pessoas sorrindo”, concluiu.
A experiência evidencia como iniciativas culturais podem contribuir para o cuidado integral em saúde, fortalecendo vínculos, reduzindo tensões e promovendo acolhimento — especialmente em contextos de maior vulnerabilidade, como o da internação hospitalar.



