Redação –
Dourados enfrenta um cenário de emergência em saúde pública devido ao avanço da chikungunya. Dados atualizados nesta segunda-feira (6) apontam que o município já soma 2.690 casos prováveis da doença, sendo 1.387 confirmados, além de 1.831 ainda em investigação.
De acordo com o informe epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde, a taxa de positividade chega a 72,43%, índice considerado extremamente alto e que indica intensa circulação do vírus. Para efeito de comparação, organismos internacionais apontam que taxas acima de 5% já sinalizam transmissão não controlada.
Ao todo, o município registrou 3.746 notificações desde o início do ano. A taxa de ataque é de 10,2 casos para cada mil habitantes, o que reforça o grau de disseminação da doença na cidade.
Epidemia ainda está ascensão
A análise da curva epidemiológica mostra que os casos continuam em crescimento. Até a semana epidemiológica 12, houve aumento nas notificações. Já nas semanas mais recentes, uma leve queda foi observada, mas pode estar relacionada ao atraso na atualização dos dados, comum em períodos de sobrecarga dos serviços de saúde.
Mesmo com essa possível redução momentânea, a avaliação técnica indica que a epidemia segue ativa no município.
Pressão sobre unidades de saúde
O avanço da doença já impacta diretamente o sistema de saúde. Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), a média diária de atendimentos subiu de cerca de 302 para 449 pacientes após o dia 23 de março, evidenciando aumento significativo na procura por atendimento.
Atualmente, 46 pessoas estão internadas em hospitais da cidade com suspeita ou confirmação de chikungunya, distribuídas entre unidades públicas e privadas.
Óbitos e casos graves preocupam
O município confirmou cinco mortes em decorrência da doença, incluindo idosos e dois bebês. Outros dois óbitos ainda estão sob investigação.
Segundo o relatório, todos os casos fatais registrados até agora são de pacientes indígenas, grupo que segue como o mais afetado pela epidemia.
Situação nas aldeias é mais crítica
Nas aldeias indígenas, o cenário é ainda mais preocupante. São 1.608 casos prováveis, com 1.115 confirmações e quase 2 mil notificações no total. Também já foram registrados 227 atendimentos hospitalares nessa população.
Apesar da concentração inicial nesses territórios, a doença já avança para outras regiões do município.
Alerta e monitoramento contínuo
Diante do cenário, a Secretaria Municipal de Saúde mantém monitoramento constante da situação e reforça a necessidade de medidas de prevenção, como eliminação de criadouros do mosquito transmissor.
O relatório destaca que o comportamento da epidemia ainda pode evoluir nas próximas semanas, exigindo atenção redobrada das autoridades e da população para conter a disseminação da doença.




