João Roberto Giacomini – advogado & escritor
Há textos que nascem para ser lidos. Outros, para permanecer.
Recentemente, fui presenteado com uma poesia do amigo Milton Portocarrero e, ao lê-la, percebi que não se tratava apenas de versos, mas de um gesto raro: a tradução sincera do sentir.
“Amanhã quero encontrar-me com você” não é apenas uma declaração. É um encontro com o tempo, com o afeto e com aquilo que, muitas vezes, não sabemos dizer.
Milton não escreve para explicar emoções. Escreve para vivê-las — e, com delicadeza, nos convida a fazer o mesmo. Em seus versos, o simples ganha profundidade: o sorriso, o entardecer, o silêncio compartilhado.
Em tempos de pressa e excesso, sua poesia segue na direção oposta. Pede pausa. Pede presença. E, talvez por isso, permaneça.
Escrevo não apenas para comentar, mas para homenagear um amigo que conseguiu fazer o essencial da boa literatura: tocar o outro sem precisar elevar a voz.
E isso, Milton, é raro. E é eterno.
Amanhã quero encontrar-me com você
Milton Portocarrero
Amiga querida, amanhã quero encontrar-me com você
Para alegrar-te, levarei o meu melhor sorriso
A razão que me desculpe, mas não lhe darei guarida
Pois tudo verei, somente com os olhos da emoção
Vestirei as minhas melhores peças de roupa
Emprestarei das flores o seu perfume
Já combinei com o sol o mais belo entardecer
Somente para sentir sua presença
Amiga querida, revelarei para ti o meu maior segredo
Aquele, remoído, sufocado, escondido no fundo do peito
Guardado com todas as chaves
Encoberto pela solidão
Ao cair da noite
Colherei para ti a mais brilhante estrela do firmamento
E juntos, com a força do pensamento
Escutaremos o som do nosso silêncio
Amiga querida, agora que conhece meus sentimentos
Perderemos a noção do tempo
A paz daquele momento aprisionará nossos corpos
Confirmando o amor e a amizade em nossas vidas
Estarei, então, vivendo o meu maior sonho
Amanhã, amiga querida, quando encontrar-me com você



