Redação –
Uma ex-condutora do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Campo Grande denunciou uma série de problemas enfrentados por profissionais da área, que vão desde baixos salários até falta de estrutura e capacitação considerada insuficiente.
A trabalhadora, que atuou por cerca de seis meses no serviço e preferiu não se identificar por medo de represálias, afirma que a rotina enfrentada pelos condutores é incompatível com a responsabilidade da função. “A responsabilidade é enorme. A gente cuida da viatura, da equipe e dos pacientes. Mesmo assim, o salário é uma vergonha”, relatou.
Entre as principais críticas está a formação oferecida aos profissionais. Segundo ela, o curso de Atendimento Pré-Hospitalar (APH) tem duração de apenas três dias, período que considera insuficiente para preparar adequadamente os trabalhadores. Além disso, contratados temporários não recebem certificado de conclusão.
“É um curso muito rápido e a gente ainda não pode pegar o certificado. Só quem é concursado tem direito. Você aprende na prática, mas não tem como comprovar depois”, afirmou.
A ex-condutora também relatou frustração com o desligamento recente. De acordo com ela, o contrato não foi renovado após a apresentação de atestados médicos. “Isso mostra que não pode adoecer. Eu amava trabalhar ali, sempre fiz tudo certo, mas fui dispensada por ter ficado doente. Não temos convênio médico, não temos apoio, é só o salário”, disse.
As condições estruturais das bases do Samu também foram alvo de críticas. A denunciante descreveu ambientes precários para descanso das equipes, com colchões danificados, ausência de lençóis e falhas no funcionamento de aparelhos de ar-condicionado.
Outro ponto destacado é a responsabilização dos condutores por eventuais danos nas viaturas. Segundo ela, em casos de acidentes ou até pequenos danos, os profissionais podem ser obrigados a arcar com os custos de reparo.
“Só queremos dignidade salarial para trabalhar com tranquilidade. O cargo de condutor deveria ser um dos mais bem pagos”, completou.
Edital prevê salário próximo ao mínimo
No dia 27 de março, a Prefeitura de Campo Grande publicou edital para contratação de motoristas de ambulância, com jornada de 12 horas de trabalho por 36 de descanso e contrato válido até março de 2027.
A remuneração oferecida é de R$ 1.621,00 brutos mensais, valor próximo ao salário mínimo nacional. Após descontos, o valor líquido pode ficar abaixo de R$ 1.500, o que, segundo a denunciante, contribui para a desmotivação dos profissionais.
De acordo com o edital, além de conduzir as ambulâncias, os motoristas também exercem funções essenciais no atendimento, como auxiliar equipes médicas, participar de procedimentos de suporte básico à vida, ajudar em imobilizações e atuar em manobras de reanimação.
Os profissionais ainda precisam conhecer a malha viária da cidade, operar equipamentos das ambulâncias, manter comunicação com a central médica e lidar com situações de alto estresse, incluindo ocorrências graves.
Diante das exigências da função, a ex-condutora critica a remuneração oferecida e reforça a necessidade de valorização dos trabalhadores que atuam na linha de frente do atendimento de urgência.

