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Mosaic investe na proximidade com os produtores e na sustentabilidade

A dependência brasileira em relação aos fertilizantes importados, somada às instabilidades do mercado internacional, tem intensificado os desafios para o agronegócio. Nesse cenário, empresas do setor procuram fortalecer suas cadeias de abastecimento e ampliar o apoio técnico aos produtores rurais. Para a Mosaic, uma das principais fornecedoras globais de nutrientes agrícolas, a estratégia envolve operar de forma integrada, desde a mineração até a aplicação no campo.

Em entrevista ao R7, o diretor da companhia no Brasil, Gabriel Gimeno, explica que a atuação da empresa inclui não apenas a produção e a mistura de fertilizantes, mas também o acompanhamento técnico e a personalização das soluções para cada realidade produtiva.

“O nível de personalização vai além da simples entrega do produto no campo. Nosso objetivo é apoiar o agricultor da melhor forma possível, oferecendo recomendações técnicas adequadas, orientando sobre a aplicação correta e buscando sempre os melhores resultados.” Disse Gabriel Gimeno.

Segundo ele, a proximidade com o agricultor é essencial para entender as necessidades da lavoura e melhorar a eficiência no uso de insumos.

Para aumentar a eficácia e assegurar boas práticas sustentáveis, Gimeno comenta sobre a importância do ESG para a empresa.

“Para nós, sustentabilidade também significa ajudar o agricultor a aumentar sua rentabilidade por hectare. Isso passa pelo uso consciente dos insumos, pelo aumento da produtividade e pelo melhor uso da terra. É nesse contexto que a Mosaic atua, oferecendo soluções completas em fertilizantes, biológicos e produtos para fertirrigação, pensadas para diferentes culturas e momentos do ciclo produtivo.” Destaca Gimeno.

Leia a íntegra da entrevista a seguir:

R7 – Gabriel, a missão da Mosaic é da mina ao campo. Explica para a gente o que isso significa?

Gabriel Gimeno – A Mosaic atua em todas as etapas da cadeia que envolvem o agricultor. Como mineradora, nosso foco começa na produção dos fertilizantes e segue para a etapa de mistura, incorporando as tecnologias de que cada produtor realmente precisa.

É importante destacar que o nível de personalização vai além da simples entrega do produto no campo. Nosso objetivo é apoiar o agricultor da melhor forma possível, oferecendo recomendações técnicas adequadas, orientando sobre correta aplicação e buscando sempre os melhores resultados.

Para isso, analisamos cuidadosamente as tecnologias mais indicadas para cada realidade, considerando não apenas os produtos, mas também as quantidades e os momentos ideais de aplicação, para garantir maior eficiência e melhor desempenho no campo.

Mosaic investe na proximidade com os produtores e na sustentabilidade
Proximidade com o agricultor é essencial para compreender as demandas da lavoura e melhorar a eficiência no uso dos insumosReprodução/Mosaic

R7 – O Brasil ainda é muito dependente de fertilizantes que vêm de fora do país. Como a Mosaic atua nesse cenário?

Gabriel Gimeno – Estamos sempre buscando investimentos e novas alternativas para otimizar a nossa produção. Porém, o mercado cresce num ritmo maior do que a disponibilidade de minérios aqui no Brasil, ou seja, a tendência de dependência do Brasil segue sendo um desafio estrutural do país.

Nesse contexto, a Mosaic também se esforça para oferecer uma cadeia produtiva segura de abastecimento, seja ela oriunda da própria matriz nos Estados Unidos, de sua filial no Canadá, ou de fornecedores terceiros em todas as geografias, para servir esse agricultor de uma forma constante e segura.

R7 – Como o trabalho de vocês fortalece o campo e o agronegócio brasileiro?

Gabriel Gimeno – A proximidade com o agricultor é fundamental para compreendermos, de forma genuína, suas principais necessidades e desafios. É a partir dessa escuta ativa e dessa vivência no campo que desenvolvemos nossas soluções, sempre com a convicção de que elas precisam, de fato, resolver os problemas enfrentados na prática.

Por isso, estamos constantemente próximos do agricultor. Contamos com mais de 170 pessoas atuando no campo, lado a lado com nossos clientes, seja por meio de parceiros ou de forma direta. Todo o nosso portfólio funciona como uma verdadeira caixa de ferramentas, pensada para oferecer soluções concretas para os desafios que identificamos na ponta, junto ao agricultor. Trata-se de um trabalho profundamente conectado ao campo, baseado em proximidade, relacionamento e entendimento real da sua rotina.

R7 – Nos últimos meses, o preço do enxofre, uma peça-chave na produção, atingiu patamares históricos. Como isso vem afetando o mercado?

Gabriel Gimeno – O cenário internacional exerce um impacto direto sobre o mercado interno de fertilizantes, especialmente em insumos-chave como o enxofre. Recentemente, observamos uma redução das exportações chinesas, o que ajustou a oferta global, ao mesmo tempo em que a demanda por enxofre em outros setores, como o de baterias, segue bastante firme. Esse movimento influencia o custo e até mesmo a oferta dos fosfatados no Brasil, além de exigir atenção contínua por parte dos produtores e de toda a cadeia.

É importante que o produtor acompanhe as dinâmicas do mercado global, mas também utilize ferramentas, orientação técnica e práticas eficientes que ajudem a administrar custos e garantir que a lavoura continue saudável e produtiva.

R7 – Como a restrição chinesa à exportação de fertilizantes vem afetando o Brasil?

Gabriel Gimeno – A China foi um importante exportador de fertilizantes para o Brasil, especialmente de NPK, no ano anterior. No entanto, as restrições atualmente impostas têm afetado de forma significativa o mercado de fertilizantes fosfatados. Com a definição de cotas e janelas específicas para a exportação desses produtos, os volumes enviados têm sido menores, gerando incertezas quanto à quantidade que a China irá, de fato, exportar para o Brasil.

No ano passado, esse volume foi da ordem de 2 milhões de toneladas de fosfatados, e hoje há dúvidas não apenas sobre o montante que será exportado, mas também sobre o momento em que esse fertilizante chegará ao país.

Esse cenário se soma a uma produção global relativamente inelástica, ao crescimento contínuo da demanda — impulsionado pelo aumento da área plantada de soja e milho — e ao uso de variedades cada vez mais produtivas, que, consequentemente, exigem maiores volumes de nutrientes. Diante dessa combinação de fatores e da incerteza em relação à oferta chinesa, um dos principais parceiros exportadores do Brasil, o resultado é a intensificação da pressão sobre os preços e o aumento das dúvidas quanto ao abastecimento do mercado.

R7 – Com as restrições e cotas à exportação, como a Mosaic se posiciona para suprir essa falta no mercado brasileiro?

Gabriel Gimeno – No caso do fósforo e do potássio, a Mosaic conta com uma matriz segura de abastecimento, majoritariamente oriunda das próprias produções. É importante destacar isso, porque, embora não seja a única fonte, ela é bastante relevante: mais de 80% do P&K vem, de alguma forma, de outras unidades da própria Mosaic ou de parcerias estratégicas, empresa que também pertence à companhia.

A forma como nos protegemos em momentos de instabilidade é reforçando vínculos de confiança e mantendo a cadeia de produção plenamente conectada entre Brasil, Estados Unidos e Canadá. Em situações como essa, os laços entre a matriz e os nossos parceiros se tornam ainda mais fortes, garantindo linearidade e segurança no abastecimento.

R7 – Como o produtor deve agir em um momento tão delicado, com diversos fatores externos influenciando os preços?

Gabriel Gimeno – O agricultor que trabalha bem a gestão de risco consegue se manter ano após ano, seja em safras mais desafiadoras ou em períodos de maior abundância. Uma boa gestão dos custos, aliada ao travamento adequado da receita e à priorização de operações mais seguras, como o barter, compõe nossas principais recomendações para esse momento de maior dificuldade. A orientação é evitar exposições desnecessárias, tanto do lado da receita quanto do lado dos custos.

Quando falamos isso, queremos reforçar que o produtor não deve especular variáveis, comprando fertilizante de forma desconectada da venda dos grãos e deixando o custo de produção em aberto. O agricultor profissionalizado age de outra forma: ele compra o fertilizante e vende o grão em uma janela semelhante, travando sua relação de troca e reduzindo a volatilidade, especialmente no custo.

Ao observarmos uma janela de dez anos, ainda que sem um dado formal, vemos que os agricultores que compram de maneira mais antecipada e utilizam o barter diretamente para a fixação de custos e gestão de risco apresentam índices maiores de êxito do que aqueles que descasam operações ou realizam compras tardias. Embora, em momentos específicos, essas operações separadas possam gerar vantagens financeiras, seja na compra de insumos ou na venda dos grãos, a combinação desses movimentos nem sempre resulta na melhor relação de troca, que é, em última análise, a moeda do agricultor.

R7 – A Mosaic possui estratégias para apoiar esses produtores?

Gabriel Gimeno – A Mosaic fornece informações de inteligência de mercado, incluindo indicadores como o Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF), que ajudam o agricultor a avaliar o melhor momento de realizar suas operações. Além disso, realizamos treinamentos e capacitações tanto para parceiros da rede de distribuição quanto para produtores rurais, com foco no manejo eficiente de fertilizantes, de modo que possam obter um maior retorno sobre o investimento nesse insumo.

Nosso objetivo é oferecer dois pilares fundamentais ao agricultor: assessoria técnica e portfólio. Esses elementos compõem as soluções que desenvolvemos a partir dos desafios identificados nas lavouras. As ferramentas fazem parte dos produtos que ele pode aplicar no dia a dia, enquanto a informação permite compartilhar todos os cenários que enxergamos, especialmente nas áreas de fertilizantes e bionutrição, que são as nossas especialidades. Tudo isso contribui para uma melhor tomada de decisão por parte do produtor, que, no final do dia, é sempre soberana.

R7 – Como a empresa trabalha hoje com as práticas de ESG?

Gabriel Gimeno – A Mosaic tem uma estratégia de sustentabilidade conectada às ações de negócio. Reportamos anualmente as iniciativas seguindo as diretrizes do GRI (Global Reporting Initiative) e adotamos padrões elevados de transparência em sustentabilidade. Mantemos uma estratégia em curso voltada para metas de redução de emissões na produção de fertilizantes, para o uso racional da água e para o suporte ao agricultor em sua jornada de sustentabilidade, por meio de práticas de manejo, como os 4Cs, e do acesso a produtos de ponta que entregam maior produtividade em comparação aos convencionais.

Entre as ações com foco em saúde do solo, destacamos a utilização de produtos biológicos, que têm um papel relevante nesse processo. Também firmamos uma parceria com o Itaú BBA para oferecer uma linha de financiamento destinada a estimular práticas ESG, por meio de taxas mais atrativas, algo especialmente importante em um ano muito desafiador para o crédito, como 2026.

Além disso, atuamos em parceria com empresas do setor que incentivem o uso de práticas regenerativas. A Mosaic oferece treinamentos realizados tanto por equipes próprias quanto por consultores, com o objetivo de promover manejos que beneficiem a saúde do solo e assegurem o uso mais eficiente dos nutrientes.

R7 – Como funciona a economia circular da Mosaic?

Gabriel Gimeno – A linha de especialidades da Mosaic, que inclui produtos como os derivados da economia circular apresentados em nosso portfólio, é um exemplo concreto de como aproveitamos integralmente os materiais oriundos da mineração. Além de produzir mais de 10 milhões de toneladas de fertilizantes, entregamos também mais de 10 milhões de toneladas de produtos de especialidades (coprodutos) para a indústria e para a agricultura, como é o caso do gesso agrícola. Os ácidos também entram nessa categoria com uma utilização ressignificada que gera impacto positivo. Trabalhamos com a venda de todos os produtos originados do processo minerário, sejam fertilizantes, gesso, resíduos de barragem ou fósforo de baixa concentração. Toda a cadeia produtiva é aproveitada.

Na ponta, atuamos com iniciativas de sustentabilidade voltadas ao reúso e à redução de resíduos. Um exemplo são os big bags recicláveis: já expedimos mais de 2 milhões de unidades que podem ser retornadas, e seguimos avançando rumo à meta de que, até 2028, 100% dos big bags sejam de materiais recicláveis.

Portanto, nosso foco está tanto no aproveitamento de coprodutos da mineração quanto no uso de embalagens recicláveis, reforçando nosso compromisso com práticas que promovem eficiência e sustentabilidade ao longo de toda a cadeia.

R7 – Falando em sustentabilidade, como combinar medidas sustentáveis com a alta qualidade dos produtos oferecidos?

Gabriel Gimeno – Para nós, sustentabilidade também significa ajudar o agricultor a ser mais rentável por hectare. Isso passa pelo uso consciente dos insumos, pelo aumento da produtividade e pelo melhor aproveitamento da terra. É nesse contexto que a Mosaic atua, oferecendo soluções completas em fertilizantes, biológicos e produtos para a fertirrigação, pensadas para diferentes culturas e momentos do ciclo produtivo. O objetivo é claro: melhorar os resultados do produtor e ampliar suas opções para um uso mais eficiente dos insumos.

Produzir com qualidade e de forma sustentável é um princípio da Mosaic. Estamos constantemente aprimorando nosso portfólio para torná-lo mais eficiente no campo, o que também contribui para a redução das emissões associadas à produção agrícola. Quanto mais eficiente é o uso do fertilizante, menor é o impacto ambiental por hectare produzido.

Um dos principais focos dessa evolução está no nitrogênio. Soluções como o Excellen® permitem uma liberação mais controlada do nutriente, reduzindo perdas e aumentando o aproveitamento pela planta. Na prática, isso significa mais eficiência, menor desperdício e um sistema produtivo mais equilibrado.

Outro destaque são as soluções de fósforo e a nutrição integrada. Produtos como o MicroEssentials® combinam diferentes nutrientes em um único grânulo, garantindo melhor disponibilidade ao longo do ciclo da cultura. O resultado são ganhos consistentes de produtividade, tanto em grãos quanto em culturas como a cana-de-açúcar, o que gera um impacto positivo no uso dos recursos.

A Mosaic também tem avançado em biossoluções que ajudam a tornar o sistema agrícola mais eficiente. Esses produtos não substituem os fertilizantes tradicionais, mas complementam a nutrição das plantas, favorecem o desenvolvimento das raízes e ajudam o agricultor a lidar melhor com situações de estresse, como a falta de água.

No caso dos fertilizantes organominerais, a Mosaic não atua diretamente na produção, mas fornece os insumos minerais necessários que permitem a transformação de resíduos e subprodutos em soluções agrícolas de alto valor com menor impacto ambiental. O mesmo acontece com o gesso agrícola, que contribui para o aprofundamento das raízes, o melhor uso da água e dos nutrientes no solo.

Por fim, soluções como as da linha de fertirrigação, que possibilitam uma aplicação mais precisa de nutrientes via fertirrigação, reduzindo perdas e aumentando a eficiência. No conjunto, todas essas iniciativas reforçam a nossa estratégia: produzir mais por hectare, com maior eficiência e menor impacto ambiental, fortalecendo cadeias importantes como o etanol de cana e o etanol de milho.

R7 – Quais os maiores desafios que o agronegócio enfrenta hoje? E como a Mosaic trabalha em cima desses desafios?

Gabriel Gimeno – Para o ciclo de 2026, enxergamos que o principal desafio para o produtor será o crédito. A Mosaic tem trabalhado por meio de parcerias em busca de soluções financeiras, como as recém-lançadas com o Itaú BBA. Essas soluções oferecem linhas especiais para agricultores que adotam práticas sustentáveis, seguindo a mesma direção do trabalho que já realizamos há três anos com outra empresa do setor, por meio de um programa conjunto.

Outras alternativas, como as que desenvolvemos junto às revendas em parceria com a Agrolend, também têm se mostrado caminhos importantes. O objetivo é assegurar que, ao final do dia, o agricultor consiga se financiar de forma organizada e viável, mesmo em um momento marcado por custos elevados, tanto de produção quanto financeiros.

(Informações R7)

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