Juliel Batista –
“… o que é muito difícil você vencer a injustiça secular, que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos.” – Ariano Suassuna
Da centro-direita ao avanço da direita convicta
O ato realizado no dia 30 de março marcou um novo movimento de reorganização da direita em Mato Grosso do Sul. O Partido Liberal, legenda ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, deu sinais claros de que pretende ampliar sua força não apenas no campo ideológico — historicamente consolidado no Estado —, mas também na estrutura partidária.
A sigla apresentou quatro nomes como pré-candidatos ao Senado Federal: o ex-governador Reinaldo Azambuja, além de Capitão Contar, Marcos Pollon e Gianni Nogueira. O movimento, no entanto, levanta uma questão inevitável: como o partido irá acomodar tantas pré-candidaturas nas convenções?
PL mira protagonismo na Assembleia
Além da disputa majoritária, o partido também avançou no Legislativo estadual. Cinco deputados estaduais se filiaram recentemente à legenda, entre eles três oriundos do PSDB: Zé Teixeira, Paulo Corrêa e Mara Caseiro. Também integram agora o partido Márcio Fernandes, que deixou o MDB, e Lucas de Lima, anteriormente sem partido.
Nos bastidores, lideranças projetam que o PL poderá alcançar uma bancada de até oito deputados na próxima legislatura, consolidando-se como uma das principais forças na Assembleia Legislativa.
Entre o bolsonarismo e a articulação política
Um dos momentos mais emblemáticos do evento foi a menção a uma carta de Jair Bolsonaro direcionada ao deputado federal Marcos Pollon, apontado como possível nome ao Senado.
Diante da repercussão, Reinaldo Azambuja buscou adotar um tom conciliador, destacando que o diálogo faz parte do processo político e que o objetivo é construir uma estratégia viável para eleger dois senadores.
Ainda assim, o cenário indica que, apesar dos acenos do governador Eduardo Riedel e do próprio Azambuja, o campo mais alinhado ao bolsonarismo segue sem adesão plena aos nomes postos.
Avanço da chikungunya preocupa
No campo da saúde pública, o crescimento dos casos de chikungunya chama atenção. Dados recentes da Secretaria de Estado de Saúde apontam que a doença já atinge 37 dos 79 municípios sul-mato-grossenses.
A percepção inicial de que os casos estariam concentrados apenas na Reserva Indígena de Dourados não se sustenta mais. A disseminação já alcança diversas regiões do Estado, indicando um avanço significativo da transmissão.
Santa Felicidade e o olhar necessário
Em Dourados, a Comunidade Santa Felicidade — área de ocupação que vem ganhando atenção do poder público — também passa a ser objeto de estudos acadêmicos da Universidade Federal da Grande Dourados.
Pesquisadoras do doutorado em Sociologia, como Rosiani Sanca Martins e Almerinda Ribeiro dos Santos, sob coordenação da professora Marisa Lomba, têm se dedicado a compreender as dinâmicas sociais e os desafios enfrentados pelos moradores.
Embora alguns avanços tenham ocorrido, como a concessão de títulos de regularização fundiária a parte dos residentes, ainda há lacunas significativas. O caso evidencia a importância de um olhar sociológico qualificado para embasar políticas públicas mais eficazes — um caminho que começa a ser trilhado, mas que ainda demanda atenção contínua.

