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MS: Justiça condena campeiro que matou jovem e tentou assassinar segunda vítima

Redação –

Em julgamento realizado na última sexta-feira (27), Eurizio Ferreira de Andrade foi condenado a 35 anos, 11 meses e 15 dias de prisão pelo assassinato de Jennifer Gimenes Morgenrotti e pela tentativa de homicídio contra uma segunda mulher. A sentença, proferida pela juíza Samantha Ferreira Barione, encerra um capítulo de um crime que chocou o interior de Mato Grosso do Sul pela brutalidade e frieza do autor.

Além da reclusão em regime fechado, a magistrada atendeu ao pedido do Ministério Público (MPMS) e fixou o pagamento de R$ 50 mil em danos morais para a sobrevivente e para cada um dos familiares de Jennifer. Eurizio teve a prisão mantida e iniciará o cumprimento da pena imediatamente.

A dosimetria da pena

O cálculo da condenação foi dividido entre os três crimes cometidos na propriedade rural:

  • Homicídio Qualificado (Jennifer): 19 anos e 10 meses.
  • Tentativa de Feminicídio (Sobrevivente): 15 anos, 1 mês e 15 dias.
  • Ocultação de Cadáver: 1 ano e 10 dias-multa.

Relembre o caso: Noite de terror no campo

O crime ocorreu no dia 23 de junho de 2024, em uma fazenda a 133 quilômetros de Campo Grande. Eurizio contratou os serviços de duas garotas de programa. Segundo o depoimento da sobrevivente, ao chegarem ao local, o homem as trancou em um quarto, anunciando que mataria Jennifer primeiro e, em seguida, a colega.

Em um ato de desespero, a sobrevivente conseguiu forçar a grade da janela e escapar. Ela chegou a pegar uma faca para tentar defender a amiga, mas foi baleada e estrangulada com um fio pelo agressor.

“A vítima acordou já no matagal e ouviu dois disparos. Ela retirou as roupas para se camuflar e evitar ser encontrada pelo criminoso, que chegou a passar perto de seu esconderijo”, detalha o processo.

A mulher relatou ter visto, à distância, o momento em que Eurizio utilizava uma carriola para transportar o corpo sem vida de Jennifer. Ela permaneceu escondida até ser resgatada por um vizinho da propriedade, que a encontrou nua, ensanguentada e clamando por socorro.

Frieza: jantar e sono após o crime

A investigação revelou detalhes perturbadores sobre o comportamento de Eurizio após as agressões. Após tentar ocultar o corpo de Jennifer, o idoso procurou abrigo na casa da mãe de seu genro.

Lá, agiu com naturalidade: pediu para jantar e dormir. Ao ser questionado sobre ferimentos nos braços, inventou uma briga com uma suposta esposa e mencionou uma filha inexistente — uma história que ele costumava contar para justificar conflitos, embora nunca tivesse apresentado a criança à família.

A confissão ao genro

Antes de se esconder, Eurizio encontrou-se com o genro na rodovia MS-430 e confessou: “Fiz uma cagada”. Ele admitiu ter matado uma mulher e baleado outra, alegando falsamente que o motivo seria uma disputa por pensão alimentícia.

O genro orientou o sogro a se entregar, mas diante da negativa, procurou a Polícia Militar. Eurizio foi preso na madrugada seguinte. Com ele, a polícia encontrou uma bolsa contendo os celulares das duas vítimas.

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