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Reserva Indígena: entre o apagão das crises e a urgência de governar com responsabilidade

Por Marcelo Mourão – Vereador PL

A cada novo surto seja de chikungunya, dengue ou qualquer outra emergência sanitária o que vemos é uma mobilização intensa, nem sempre na velocidade rápida e necessária. Força Nacional, governo federal, estadual e municipal atuando juntos, como deve ser em momentos críticos. Mas, passado o pico da crise, fica uma pergunta que já deveria ter sido respondida há muito tempo: até quando vamos agir apenas quando o problema explode?

A Reserva Indígena de Dourados não pode continuar sendo tratada como um território à margem da política pública. Ela não é um apêndice da cidade. Ela é a cidade. São pessoas, famílias, histórias é a nossa gente. E cuidar da cidade exige responsabilidade integral, sem distinção, sem omissão e, principalmente, sem improviso.

O que está acontecendo agora não é novidade. Já vimos isso antes com a desnutrição infantil, com a falta de água, com a ausência de estrutura básica. São problemas recorrentes, conhecidos, diagnosticados. O que falta não é informação. Falta decisão.

É preciso dar um passo que a cidade ainda não teve coragem de dar: estruturar uma política pública permanente, organizada e específica para a realidade dos povos originários de Dourados. E isso começa pela governança.

A criação de uma Secretaria Municipal dos Povos Originários não é apenas uma proposta administrativa. É uma necessidade estratégica. Existe um ministério específico no governo federal para essa pauta. Existem recursos, programas, políticas. Mas, sem uma estrutura local organizada, capaz de dialogar, planejar e executar, Dourados continuará perdendo oportunidades e, pior, continuará deixando sua população desassistida.

A reserva precisa de iluminação pública. Precisa de estradas com pavimentação adequada. Precisa de acesso regular à água. Precisa do básico aquilo que já deveria estar garantido.

Não se trata de privilégio. Trata-se de dignidade.

E dignidade não pode ser construída em cima de ações emergenciais. Ela exige planejamento contínuo, presença do poder público e compromisso real com resultados.

Se continuarmos tratando cada crise como um evento isolado, estaremos condenados a repetir os mesmos erros. A conta chega e quem paga é sempre quem mais precisa.

Por isso, é preciso mudar a lógica.

Pensar. Planejar. Executar.

Sem esses três pilares, qualquer ação será paliativa. E paliativo não resolve. Apenas adia o problema.

Dourados precisa assumir, de forma definitiva, que a Reserva Indígena faz parte da sua estrutura urbana, social e humana. E, a partir disso, construir uma política pública séria, contínua e eficiente.

Porque governar não é correr atrás do problema.
Governar é evitar que ele aconteça.

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