Juca Vinhedo –
FRASE
“A teologia católica não tem preclusões, em uma base religiosa ou ritual, no uso de qualquer animal como fonte de órgãos, tecidos ou células para transplante em seres humanos”.
(Trecho de documento elaborado e divulgado pelo Vaticano, no qual se diz que os católicos podem receber transplantes de tecidos animais para tratar condições médicas).
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Prisão domiciliar
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, concedeu prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atendendo a pedido da defesa. A medida começa a valer após a alta hospitalar e terá prazo inicial de 90 dias, podendo ser reavaliada com base em nova perícia médica.
Motivo de saúde
A decisão considera o estado clínico de Bolsonaro, internado desde o dia 13 no Hospital DF Star, em Brasília, para tratar uma pneumonia bacteriana. Moraes avaliou que, devido à idade e à fragilidade do sistema imunológico, a recuperação em casa é mais adequada neste momento.
Regras rígidas
Mesmo em casa, Bolsonaro estará sujeito a medidas restritivas, como uso de tornozeleira eletrônica, proibição de visitas (exceto familiares próximos, médicos e advogados) e veto ao uso de celular, redes sociais ou gravação de vídeos.
Restrições externas
O ministro também determinou reforço na segurança da residência e proibiu acampamentos ou manifestações de apoiadores em um raio de 1 km. A medida busca garantir o cumprimento da prisão domiciliar e evitar aglomerações que possam comprometer a ordem pública.
Ou prorroga, ou prorroga
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, faça a leitura do requerimento de prorrogação da CPMI do INSS. A decisão atende a pedido do senador Carlos Viana, presidente da comissão, e reforça o andamento regular dos trabalhos.
Sem margem política
Na decisão, Mendonça foi direto ao afirmar que, cumpridos os requisitos legais, não cabe à presidência do Congresso barrar o pedido. Segundo ele, não há espaço para decisões políticas que impeçam a leitura e tramitação do requerimento de prorrogação da CPMI.
Impasse no Senado
A medida do STF ocorre após o senador Carlos Viana apontar omissão da Mesa Diretora e de Davi Alcolumbre, que ainda não haviam dado andamento ao pedido. A comissão tem prazo para encerrar os trabalhos no dia 28, e a prorrogação é vista como essencial para continuidade das investigações.
Dois mosqueteiros
Os deputados federais Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende bateram o martelo e confirmaram permanência no PSDB para a disputa de 2026. A decisão foi alinhada em Brasília, em reunião com o presidente nacional da sigla, Aécio Neves, e reforça a estratégia de manter o partido competitivo no Estado.
Chapa em construção
Com a saída encaminhada de Beto Pereira para o Republicanos, o PSDB inicia a reorganização da chapa federal. Dagoberto e Geraldo agora lideram a articulação para montar uma nominata capaz de eleger de dois a três deputados federais, além de fortalecer a disputa para a Assembleia Legislativa.
Foco eleitoral
A permanência de Geraldo Resende e Dagoberto Nogueira no PSDB também está ligada ao projeto maior do grupo político, que inclui a reeleição do governador Eduardo Riedel. A missão, daqui para frente, será consolidar alianças e estruturar chapas competitivas para garantir espaço tanto na Câmara dos Deputados quanto no Legislativo estadual.
Aliança em Brasília
O governador Eduardo Riedel e o ex-governador Reinaldo Azambuja se reúnem nesta sexta-feira, em Brasília, com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira. O encontro deve selar a entrada do grupo político sul-mato-grossense na legenda, ampliando a base para as próximas eleições.
Fora do ninho
A principal movimentação será a filiação do deputado federal Beto Pereira, atualmente no PSDB, que deve assumir o comando do Republicanos no Estado. A articulação também inclui a ida do vice-governador Barbosinha, que deve deixar o PSD e reforçar o novo arranjo político.
Cuidado com a escada
Com o reforço do grupo governista, o Republicanos pretende montar uma chapa competitiva para deputado federal, com chances reais de eleger ao menos um nome. As articulações incluem a candidatura da vereadora douradense Isa Marcondes (Republicanos) para deputada federal, visando ajudar na reeleição de Beto Pereira.
Sem misoginia
O Senado analisa nesta terça-feira projeto que criminaliza a misoginia, incluindo o crime na Lei do Racismo. Relatado pela senadora Soraya Thronicke, o texto ganhou destaque diante do aumento de casos de violência contra mulheres e já passou por comissões antes de seguir para votação em plenário.
Feminismo é pecado?
A proposta também gerou reação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que criticou a iniciativa e atribuiu a discussão ao movimento feminista. Soraya, por sua vez, defendeu o projeto e lamentou recentes casos de feminicídio, reforçando a necessidade de endurecer a legislação para coibir a violência contra mulheres.
Recuo estratégico
O governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), decidiu desistir da disputa à Presidência da República. A decisão foi influenciada, principalmente, por fatores pessoais, com peso decisivo da família, que demonstrou preocupação com os riscos e a exposição do cenário político nacional.
Cenário estadual pesa
Outro fator determinante foi o ambiente político no Paraná. O avanço do senador Sergio Moro nas pesquisas para o governo estadual e a fragilidade do nome apoiado por Ratinho acenderam o alerta. O foco agora passa a ser reorganizar a base e conter o crescimento de adversários no Estado.
Risco político
A avaliação no entorno do governador do Paraná é que uma eventual vitória de Moro poderia trazer desgaste à atual gestão, com revisões de decisões tomadas nos últimos anos. Diante disso, Ratinho optou por recuar da corrida nacional para preservar influência e manter o controle do seu grupo político.
Sem padrinho
A desistência de Ratinho Jr. da disputa presidencial impacta diretamente o senador Nelsinho Trad (PSD), que perde seu principal cabo eleitoral para a reeleição em Mato Grosso do Sul. Sem um nome competitivo na corrida ao Planalto, o cenário para o senador se torna mais desafiador.
Isolamento político
Nelsinho também não conta com o apoio do governador Eduardo Riedel, que já sinalizou alinhamento com nomes ligados ao grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos bastidores, o senador busca alternativas e aposta em possíveis alianças locais para se manter competitivo.
Logística própria
A empresa chilena Arauco deu mais um passo no Projeto Sucuriú, em Inocência, com a chegada das primeiras locomotivas que vão operar a ferrovia própria da empresa. A estrutura vai ligar a futura fábrica de celulose à Malha Norte, garantindo escoamento direto até o Porto de Santos e reforçando a estratégia de logística integrada.
Marco ferroviário
A ferrovia EF-A35, com 45 km de extensão, é considerada a primeira shortline privada do Brasil após o novo marco ferroviário de 2021. O projeto prevê capacidade para transportar até 3,5 milhões de toneladas por ano, com composições de grande porte, consolidando um novo modelo logístico no país.
Impacto regional
Com investimento de US$ 4,6 bilhões, o Projeto Sucuriú deve transformar a economia da região. Além de reduzir o tráfego de caminhões e as emissões de CO₂, a iniciativa prevê a geração de milhares de empregos e aumento da arrecadação, fortalecendo Mato Grosso do Sul como polo estratégico da indústria de celulose.
BASTIDORES DO PODER
O partido que não morria
Dizem que, na política, há dois tipos de partido: os que estão vivos… e os que ainda não sabem que morreram. Mas, de vez em quando, aparece um terceiro tipo — aquele que insiste em não morrer.
Nos anos 1990, quando o velho PDS já era tratado como peça de museu, um deputado veterano, desses que conheciam o plenário pelo cheiro, foi perguntado por um jornalista se o partido ainda tinha futuro. Ele deu de ombros, ajeitou o paletó e respondeu, com a tranquilidade de quem já viu de tudo: “Meu amigo, partido não morre. Ele troca de nome, de dono e de discurso. Só isso”.
Décadas depois, a frase continua valendo.
Aqui mesmo, no nosso quintal, o PSDB — que muitos já davam como carta fora do baralho — reaparece, respira e se reorganiza. Perde peças de um lado, segura outras do outro, costura alianças, recalcula rota. Nada de novo sob o sol: é a velha arte da sobrevivência.
Porque, no fim das contas, partido político não é só sigla. É estrutura, é rede, é gente que não larga o osso — e, principalmente, é tempo. E tempo, na política, costuma ser o maior aliado de quem sabe esperar.
Enquanto uns correm para embarcar no “novo”, outros preferem apostar no que já conhecem — mesmo que remendado, mesmo que desgastado. E assim o jogo segue.
No fundo, a política brasileira tem disso: muda-se o cenário, trocam-se os atores, mas o roteiro… esse, quase sempre, é o mesmo.

