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Agente da PRF que matou comandante da Guarda era investigado por tentativa de estupro

O policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, apontado pela polícia como o assassino da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, era investigado pela PRF por tentar estuprar uma colega de farda, quando ambos atuavam no município de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.

De acordo com denúncia apresentada pela vítima, feita junto à PRF no ano passado, o crime aconteceu quando os dois estavam de serviço e teriam saído da base em que trabalhavam para uma outra Unidade Operacional (UOP), que ficava a cerca de 50 quilômetros de distância.

Ao chegarem no local, Diego disse que entraria na UOP para usar o banheiro. A vítima tentou contato com ele por diversas vezes via Whatsapp, mas não conseguiu falar com o colega.

Por volta de 11h50, o policial rodoviário teria respondido a ela e pedido para que entrasse na UOP para buscá-lo, para que pudessem ir embora. A denúncia feita pela agenda foi obtida pela reportagem da TV Vitória/Record.

Dayse Barbosa, comandante da Guarda Municipal de Vitória (Foto: Thiago Soares)
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Ao entrar no local, a vítima teria encontrado Diego já sem o colete da corporação. Neste momento, ele passou a fazer elogios a colega e a tentar beijá-la.

“Ele disse: ‘você tem uma coisa que eu gosto muito em você, você é muito cheirosa’. Ele vem e tenta me agarrar, a tentar tirar o meu colete. E ele veio tentando me beijar. Eu botava a mão na frente da boca dele e falava ‘Diego, eu não quero’”, relatou.

A partir dali, Diego teria continuado as investidas, enquanto tentava beijar e agarrar a colega. Como se tratava de uma unidade próxima a uma rodovia federal, a agente da PRF chegou a dizer que pessoas do lado de fora poderiam ver o que acontecia ali dentro.

Neste momento, Diego teria fechado a porta e tentado arrastar a mulher para dentro de um banheiro na unidade.

“Nesse momento ele me pega, não me lembro se pela cintura ou quadril, e vai me empurrando para o banheiro. Ele mexeu no meu cinto de guarnição, tirou meu cinto de guarnição. Eu dizia: ‘o que você está fazendo? Diego, deixa eu ir embora daqui, vamos embora daqui’”, contou.

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Vítima teria tentado se defender com chave da viatura
A vítima contou ainda que conseguiu sair do banheiro, mas foi seguida por Diego, que teria começado a imprensá-la contra uma parede.

A partir daquele momento, ele teria começado a tentar tirar o cinto da calça da mulher, além de continuar a tentar beijá-la e a passar as mãos pelo corpo e pelos seios da vítima.

Trecho da denúncia de tentativa de estupro contra o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza
Foto: Reprodução/TV Vitória
Como estava desarmada, após Diego ter retirado o cinto de guarnição dela, onde ficam arma, algemas e outros utensílios dos policiais, a vítima ameaçou atingi-lo com a chave da viatura, que estava em seu bolso.

“Eu falei para ele: ‘Diego, eu vou furar você, porque vou precisar furar você para isso parar. Para com isso’. Aí ele se transtornou ainda mais, transformou o semblante dele. Como se tivesse ficado revoltado com aquilo. Ele meteu a mão na minha perna, na minha bunda”, afirmou.

Agente disse ao PRF que era “tentativa de estupro”
A vítima relatou ainda que Diego só teria parado quando ela disse abertamente que ele estaria cometendo uma tentativa de estupro.

“Até então eu pensava que ele estava forçando a barra, mas na hora que ele tentou abrir a minha calça, eu entendi. Porque ele tentava abrir, eu colocava a mão e ele tirava a minha mão de novo. Eu falei assim: ‘Diego, para com isso, isso é estupro. Você vai me estuprar aqui?’ Foi nesse momento que ele parou”, disse.

Segundo ela, neste momento Diego teria lhe devolvido seu cinto de guarnição e os dois foram embora. A vítima alegou ter entrado em contato com o chefe de departamento da PRF logo depois do caso.

Ainda segundo ela, a todo momento, depois do episódio, Diego continuava a perguntá-la o porquê de não querer se relacionar com ela.

O que diz a PRF
Em nota enviada à reportagem, a Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Rio de Janeiro confirmou que há um procedimento investigativo em andamento contra Diego. Ele foi admitido na corporação em 2020.

“O Processo Administrativo Disciplinar (PAD) foi instaurado pela própria PRF em meados de 2025, assim que tomou conhecimento sobre a denúncia. A instituição adotou medidas administrativas para manter o distanciamento entre os dois agentes no ambiente de trabalho. A apuração, que poderia resultar na demissão do servidor, está em fase final de conclusão”, informou.

Já a PRF no Espírito Santo também confirmou a investigação no Rio e disse que “o enquadramento prevê demissão do servidor, após conclusão desfavorável, e não determina afastamento da função ao longo do processo”.

Assassinato de comandante da Guarda
Diego matou a comandante da Guarda Municipal de Vitória na madrugada de segunda-feira (23), no bairro Caratoíra. Ele disparou, pelo menos, cinco vezes contra a vítima, e tirou a própria vida em sequência. Diego e Dayse ficaram juntos por quatro anos e ela havia terminado o relacionamento há cerca de um mês. (Informações Folha Vitória)

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