Berenice de Oliveira Machado Souza (*) –
Hoje vou falar sobre a importância de reconhecer o fator assédio moral no trabalho e infelizmente faz parte de boa parte da rotina de qualquer profissional. Se você ainda não percebeu, a comunicação é um pilar em qualquer organização, inclusive no engajamento da equipe em treinamentos sobre como denunciar situações de assédio moral pode que pode prepará-los para identificar e agir corretamente em casos de vulnerabilidade no ambiente.
Para garantir que todos fiquem afinados nesse processo, que tal incluir a proposta de palestras sobre assédio moral para sua equipe? O assédio pode ser organizacional quando condutas abusivas, humilhantes ou degradantes são praticadas de forma reiterada e sistemática como parte da estratégia de gestão.
Por exemplo: Controle Abusivo – é o monitoramento excessivo, como limitação severa de tempo para uso do banheiro ou restrição de conversas, horário de café, visando sujeitar todo grupo de trabalhadores às regras agressivas da chefia imediata.
Esse tipo de conduta gera um ambiente de medo, insegurança, desmotivação, e nesse interín o funcionário chega até pensar em desvalorização profissional, resultando em danos à personalidade e dignidade dos funcionários na promoção de um ambiente hostil, sendo passível de punição na Justiça do Trabalho.
Gestores treinados ajudam a combater essa cultura, evitando a desmotivação e o absenteísmo da equipe. Gerentes e Coordenadores devem ter conhecimento profundo sobre assédio moral, pois com esse treinamento, promoverá um ambiente de trabalho seguro e saudável. Eles devem saber identificar, prevenir e intervir em casos de assédio para proteger a saúde emocional da equipe e evitar responsabilidades jurídicas.
Vou esclarecer um pouco o que o assédio moral causa na pessoa assediada. O assédio moral desencadeia a produção de hormônios do estresse, que é o cortisol, devido à pressão contínua e situações humilhantes no ambiente de trabalho. Esse estado quando se torna crônico, não apenas eleva os níveis de cortisol, pode levar ao esgotamento físico e mental, incluindo a Síndrome de Burnout.
Pois bem. Diferente do estresse comum onde o repouso ajuda o corpo a se recuperar, no assédio moral a agressão é contínua e repetitiva. Isso impede que o organismo retorne ao seu estado normal, mantendo os níveis de hormônios do estresse elevados por longos períodos causando desgastes físicos (dor, inchaço) e prejuízo real ao funcionamento do corpo.
Esses dias eu encontrei um amigo eu estava mancando e se arrastando (modo de dizer) e com muita dor. Ele me perguntou: O que tinha acontecido comigo em razão do meu estado atual de saúde, e eu respondi: É recaída do assédio moral. Ele ficou espantado e presenciou em mim, as consequências do assédio moral.
Estudos demonstram que o assédio moral é real e a maioria dos trabalhadores desconhecem e se submetem a tratamentos paliativos que só pioram seu estado de saúde no modo geral.
Em razão desse efeito catastrófico acabamos por ter que buscar apoio psicológico, atendimento psiquiatra – dependendo da situação clínica da pessoa atingida a fim de ajudar a realizar o tratamento e razão da origem do estresse e ajudar o corpo a sair do modo de “ataque”, o que pode aliviar os sintomas físicos.
Em casos graves, o assédio pode ser tão traumático que a pessoa revive os eventos em forma de flashbacks ou pesadelos. Essa é a dica: Não se cale e tenha coragem de denunciar!
(*) Ex-secretária municipal de Saúde, Coordenadora do Programa Municipal deDst/Aids e Hepatites Virais de Dourados, Coordenadora do Fórum dos Trabalhadores em Saúde (2015 a 2018), Presidente do Conselho Municipal de Saúdede Dourados (2013 a início de janeiro de 2019), Servidora pública e graduada em Serviço Social

