Juca Vinhedo –
A FRASE
“Políticos corruptos têm alegado problemas graves de saúde para saírem da cadeia. Você é a favor de cemitérios ao lado das carceragens da Polícia Federal para que o Estado gaste menos com o transporte dos corpos?”
(Senador Flávio Bolsonaro-PL/RJ, em enquete publicada no ano de 2017, criticando o instituto da prisão domiciliar e defendendo a morte de presidiários).
———————-
“Vamos jejuar e orar por Bolsonaro, pela sua recuperação e para que possa ser conduzido a uma prisão humanitária, como é seu direito”.
(Senador Flávio Bolsonaro-PL/RJ, no último dia 13, insinuando que quando o presidiário é um familiar, a prisão domiciliar “é um direito”).
———————
Agro em silêncio
O agronegócio brasileiro bateu recorde de exportações em fevereiro, com US$ 12,05 bilhões, mas o barulho que costuma fazer para criticar o governo federal não apareceu desta vez. Quando o resultado é positivo, com mercado aberto e vendas em alta, o discurso de “falta de apoio” parece dar uma pausa conveniente.
Mercado aberto, críticas fechadas
Com 544 novos mercados abertos desde 2023 e crescimento nas exportações, o setor colhe resultados expressivos da política comercial. Ainda assim, parte do agro segue sustentando a narrativa de “desestímulo”, embora os números mostrem exatamente o contrário.
Conta não fecha
Mesmo com superávit de US$ 10,5 bilhões e avanço nas vendas para China, Europa e Ásia, o setor mantém críticas recorrentes ao governo Lula. A pergunta que fica é simples: quando vai mal, reclama; quando vai bem, cresce – mas não reconhece.
Nas refinarias
A Petrobras anunciou aumento de R$ 0,38 no litro do diesel vendido às distribuidoras, com vigência a partir de sábado (14). Consequência da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, o preço médio do diesel A passa a R$ 3,65 por litro. O reajuste deve pressionar ainda mais os preços ao consumidor, principalmente no interior de Mato Grosso do Sul, onde o litro do diesel já se aproxima de R$ 8 em algumas localidades.
Medidas do governo
O governo federal zerou PIS e Cofins e autorizou subsídio ao diesel, com potencial de reduzir até R$ 0,64 por litro. As medidas tentam conter os efeitos da alta internacional do petróleo. O aumento do diesel já afeta o setor de transportes e pode impactar toda a cadeia produtiva. Em algumas regiões, além da alta de preços, há relatos de escassez do combustível.
Sessão adiada
O Conselho de Ética da Câmara cancelou a reunião que analisaria representações contra o deputado Marcos Pollon (PL). A sessão ocorreria nesta terça-feira (17) e nova data ainda não foi definida.
Risco de afastamento
Pollon responde a dois processos: um por obstrução de sessão e outro por declarações contra o presidente da Câmara, Hugo Motta. As punições somadas poderiam resultar em afastamento de até 120 dias.
Defesa e questionamentos
O deputado sustenta que agiu dentro da liberdade de expressão parlamentar e critica o andamento do processo. Segundo ele, houve irregularidades, como julgamento coletivo e restrições à oitiva de testemunhas.
Lula na Capital
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode visitar Campo Grande nos próximos dias para participar da COP15, conferência internacional que será realizada de 23 a 29 deste mês no Bosque Expo, reunindo representantes de cerca de 130 países.
Sinal verde para Fábio Trad
A eventual presença de Lula no Estado pode acelerar a definição da candidatura do ex-deputado federal Fábio Trad (PT) ao governo. O petista aguarda reunião com o presidente para alinhar os últimos detalhes. A visita também deve incluir articulações para a formação da chapa majoritária, com possível apoio às candidaturas de Vander Loubet (PT) e da senadora Soraya Thronicke ao Senado.
Cenário de disputa
A entrada de Fábio Trad na corrida ao governo tende a intensificar a disputa com o governador Eduardo Riedel (PP). O cenário ainda pode ter fragmentação no campo da direita, aumentando a possibilidade de segundo turno.
Fora do radar
A vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL), não apareceu na pesquisa do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR) sobre a disputa ao Senado em Mato Grosso do Sul. O levantamento foi divulgado na última quinta-feira (12) e ouviu 784 eleitores. A pesquisa foi realizada entre os dias 5 e 9 de março, com margem de erro de 3,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Trio embolado
A pesquisa mostra o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) com 18,2%, seguido por Capitão Contar (17,2%) e pelo senador Nelsinho Trad (PSD), com 14,6%. Como a margem de erro é de 3,5 pontos, os três estão tecnicamente empatados. No grupo intermediário, Soraya Thronicke (Podemos) aparece com 8% das intenções de voto, seguida por Vander Loubet (PT), com 7%. O deputado Marcos Pollon registra 6%.
Rota distinta
Ainda falando da vice-prefeita Gianni Nogueira (PL): ela avalia deixar o partido por insatisfação interna, mas o deputado federal Rodolfo Nogueira deve permanecer na sigla. A decisão envolve, principalmente, a estrutura partidária disponível para a campanha.
Limitações
Gianni chegou a negociar filiação ao Partido Novo, com evento previsto em Dourados, mas recuou. A sigla oferece espaço político, porém não dispõe de fundo eleitoral robusto nem tempo de rádio e TV.
Cenário interno
No PL, a definição de candidaturas ao Senado deve seguir critérios de pesquisa. Hoje, Gianni não aparece entre os nomes prioritários, enquanto Rodolfo integra o grupo com maior potencial de investimento do partido.
Espaço ampliado
O Republicanos deve ganhar protagonismo na coligação liderada pelo governador Eduardo Riedel (PP) para as eleições de outubro. A sigla é apontada como uma das mais beneficiadas na composição.
Vice definido
O atual vice-governador Barbosinha deve trocar o PSD pelo Republicanos e é cotado para disputar a reeleição ao lado de Riedel na chapa majoritária. O partido trabalha para eleger um deputado federal, o que ampliaria sua participação no fundo partidário e no tempo de propaganda eleitoral. Hoje com um deputado estadual, o Republicanos articula ampliar a bancada para até três cadeiras, com a filiação de nomes como Pedrossian Neto e outras lideranças.
Liderança em MS
Levantamento do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR) indica que o senador Flávio Bolsonaro (PL) lidera a disputa presidencial em Mato Grosso do Sul, com 39,8% das intenções de voto na pesquisa estimulada. O resultado reforça a força do campo conservador no Estado.
Diferença na estimulada
Na mesma pesquisa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 25,51% das intenções de voto, ficando cerca de 14 pontos percentuais atrás de Flávio Bolsonaro. Outros nomes testados, como Ratinho Júnior e Ronaldo Caiado, não ultrapassam a casa de dois dígitos, mantendo a disputa concentrada entre os principais polos.
Cenário mais equilibrado
Quando a pesquisa é feita de forma espontânea, sem a apresentação dos nomes aos entrevistados, o cenário se mostra mais equilibrado. Flávio Bolsonaro registra 17,6%, enquanto Lula aparece com 14,29%. Nesse formato, a diferença cai para pouco mais de três pontos percentuais, configurando empate técnico dentro da margem de erro do levantamento.
Rejeição elevada
No quesito rejeição, o presidente Lula lidera com 48,72% dos entrevistados afirmando que não votariam nele de forma alguma. O índice é consideravelmente superior ao dos demais nomes avaliados. Flávio Bolsonaro aparece com 27,42% de rejeição, o que indica um cenário de polarização, mas com níveis distintos de resistência entre os eleitores do Estado.
Alfabetização indígena
O Governo de Mato Grosso do Sul lançou a “Coletânea MS Alfabetiza Indígena”, voltada à alfabetização de crianças Guarani-Kaiowá na região sul do Estado. A iniciativa integra o programa MS Alfabetiza e foi desenvolvida pela Secretaria de Educação. O material busca fortalecer o ensino nas comunidades indígenas, com foco na aprendizagem na idade certa e valorização das especificidades culturais.
Material inédito
A coletânea foi elaborada por professores indígenas, com apoio da UFGD e da Faculdade Intercultural Indígena. O conteúdo prioriza a alfabetização na língua materna até o 2º ano do Ensino Fundamental. A proposta é considerada inovadora e inédita no país, ao unir educação formal com respeito à identidade cultural dos povos indígenas.
Mais de mil alunos
Nesta primeira etapa, o material atenderá mais de mil estudantes de escolas indígenas localizadas no Cone Sul do Estado. A distribuição ocorreu durante seminário estadual voltado à alfabetização. A iniciativa foi apresentada a prefeitos e gestores municipais como parte das estratégias para melhorar os indicadores educacionais e garantir inclusão no ensino básico.
Lançamento marcado
O ex-governador André Puccinelli (MDB) anunciou o lançamento de seu novo livro para o dia 26 de abril, em Campo Grande. O evento será realizado na Câmara Municipal, que cedeu o espaço para a cerimônia. A obra tem como foco sua experiência administrativa à frente da capital sul-mato-grossense.
Memórias de gestão
Segundo Puccinelli, o livro reúne relatos e reflexões sobre os períodos em que comandou a Prefeitura de Campo Grande. Médico de formação, ele também foi governador do Estado entre 2007 e 2014. A publicação promete trazer bastidores e análises de sua trajetória política.
Fora da disputa
Apesar de manter atuação no cenário político, Puccinelli optou por não disputar a Prefeitura de Campo Grande nas eleições de 2024. A decisão foi anunciada em junho daquele ano. O ex-governador alegou falta de apoio partidário suficiente para sustentar uma candidatura competitiva.
Provocações e cenário político
Recentemente, Puccinelli voltou a fazer críticas ao ex-governador Zeca do PT, reacendendo antiga rivalidade política. Ele afirmou que, em eventual novo confronto, pretende vencer novamente. Com o lançamento do livro e declarações públicas, o emedebista volta a movimentar o cenário político estadual.
Ritmo acelerado
O prefeito Marçal Filho vistoriou a reforma do Teatro Municipal de Dourados e afirmou que os trabalhos seguem dentro do cronograma. A previsão é concluir a obra até o fim deste ano. Segundo a prefeitura, o projeto vai além de uma simples reforma. A proposta é reconstruir completamente o espaço, com estrutura moderna, acessível e dentro dos padrões dos grandes teatros do país.
Investimento milionário
A revitalização conta com investimento de R$ 9,29 milhões, com recursos próprios do município e emenda parlamentar. O prazo estimado de execução é de cerca de 10 meses. O projeto inclui troca total das instalações elétricas, climatização, poltronas e sistemas de som e iluminação. O palco será reconstruído e o teatro adaptado às normas de segurança e acessibilidade.
HC negado
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, negou habeas corpus apresentado por advogado de Mato Grosso do Sul que pedia a libertação de presos pelos atos de 8 de janeiro. A decisão foi publicada na última quarta-feira (11) e seguiu entendimento consolidado da Corte sobre esse tipo de pedido.
Entendimento jurídico
Na decisão, Zanin apontou que não cabe habeas corpus contra deliberações do plenário ou de turmas do próprio STF. Com isso, o pedido foi rejeitado sem análise do mérito da tese apresentada pela defesa. O advogado utilizou fundamento semelhante ao adotado na anulação de condenações da Operação Lava Jato, envolvendo a suspeição do ex-juiz Sergio Moro.
“Fujão”
A Polícia Federal notificou o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro que fugiu para os Estados em março do ano passado, para apresentar defesa em processo por abandono de cargo. O prazo estabelecido é de 15 dias, conforme edital publicado no Diário Oficial da União. Segundo a PF, Eduardo estaria em local incerto e não sabido e não retornou ao cargo de escrivão após determinação da corporação. O ex-deputado também perdeu o mandato na Câmara por excesso de faltas não justificadas.
Retorno não cumprido
A Polícia Federal havia determinado, ainda em janeiro, o retorno imediato de Eduardo Bolsonaro às funções de escrivão, sob pena de medidas administrativas. A ausência continuada motivou a abertura do processo disciplinar.
Mandato interrompido
Antes da notificação da PF, Eduardo Bolsonaro já havia perdido o mandato de deputado federal por excesso de faltas às sessões deliberativas. A decisão seguiu regra constitucional que prevê cassação por ausência superior a um terço das sessões.
Direto ao governador
Morador da Sitioca Ouro Fino, em Dourados, entregou carta ao governador Eduardo Riedel solicitando a duplicação da BR-163 no trecho que corta a região. O documento foi protocolado no dia 27 de fevereiro, com apoio da vereadora Liandra Brambila. O pedido destaca a necessidade de melhorias urgentes para garantir segurança aos moradores e usuários da rodovia.
Apelo por segurança
Na carta, o morador relata preocupação com o alto número de acidentes e mortes no trecho, apontando a falta de acostamento e problemas estruturais na via. Segundo ele, a situação afeta diretamente comunidades locais e trabalhadores que utilizam a rodovia diariamente.
Alternativa viária
O documento também sugere o asfaltamento de vias paralelas, como a Marginal Leste e corredores públicos que ligam bairros da região à BR-463. A proposta visa desviar o tráfego local da BR-163, reduzindo o fluxo e aumentando a segurança no trecho crítico.
BASTIDORES DO PODER
O rádio entra na política brasileira
Nos anos 1930 o rádio estava se espalhando pelo Brasil. Ainda não era como hoje, mas já chegava a milhares de casas e bares. Quem percebeu cedo o poder desse meio foi Getúlio Vargas.
Depois de governar o país por 15 anos (período que incluiu o Estado Novo), Vargas saiu do poder em 1945. Parecia que sua carreira política tinha terminado. Mas ele tinha uma carta na manga: o rádio.
Quando vieram as eleições presidenciais de 1950, Vargas voltou à disputa. Naquele tempo não existia televisão; o rádio era o grande meio de comunicação de massa.
Durante a campanha, ele passou a usar intensamente discursos transmitidos por emissoras, gravações distribuídas para rádios do interior, mensagens políticas dirigidas diretamente ao povo. Era algo relativamente novo: o candidato falando diretamente com o eleitor, sem intermediários.
A estratégia funcionou. Vargas venceu a eleição de 1950 com grande apoio popular. Foi aí que nasceu uma frase famosa associada à campanha dele: “Volto nos braços do povo.”
O rádio ajudou a construir essa imagem de líder próximo da população. Depois daquela eleição, todos os políticos entenderam uma coisa simples: quem dominasse o rádio ganharia enorme vantagem eleitoral. Décadas depois, isso evoluiu para o que hoje conhecemos como horário eleitoral gratuito.

