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Crônica Abstrata: você…?

João Batista Pereira – advogado

Você nunca viu e jamais verá um ser humano brotando do chão, igual às árvores, às rosas, etc. Você bem sabe que é necessária a participação de um homem e u’a mulher ou, quando muito, uma inseminação artificial para formar um ser humano. Mas, mesmo assim, haverá sempre a necessidade de um útero para aconchegar um bebê.

Você não veio a este mundo através de uma nave extraterrestre e nem brotou das profundezas da terra. Você deve ter recebido todo carinho maternal. E, se ainda é viva, deve amá-lo apesar das maldades que você faz. Não desgruda do seu rebento, mesmo diante de tantas decepções, apreensões, dores e medos. É a beleza da maternidade!

Pois é! Tanto prestígio é um presente pra encabular. Atitudes napoleônicas, ou de um czar do Império Russo, ou mesmo das tradições húngaras, fez a vaidade subir à sua cabeça. Age com tanta petulância e violência que a canção de Chico Buarque de Holanda vem a calhar:

 “Quando, seu moço, nasceu meu rebento não era o momento dele rebentar.”Como fui levando, não sei lhe explicar” “Fui assim levando ele a me levar” “E na sua meninice ele um dia me disse” “Que chegava lá

“Olha aí. Olha aí, aí o meu guri, olha aí.  Olha aí, é o meu guri. E ele chega.”

Sim! Chega nas manchetes de jornais, televisões, rádio, com pompas recebendo abraços e beijos. É!  Mas há um tempo para tudo nesta vida: nascer, viver, morrer. A morte é inexorável e não se corrompe por súplicas. A velhice chega com lembranças de um passado nebuloso. São recordações ruins, amargas e não palatáveis atazanando o espírito e machucando a alma. Enquanto isso o medo, a insatisfação, a angústia, o desespero, renascem no recôndito da alma tomando conta da consciência e fazendo aflorar um tardio arrependimento pelas maldades que você faz a tanta gente. Pode até chorar de remorso que ninguém impedirá. Sim! Mas o castigo divino virá.

VOCÊ, não é eterno. Não tem mais colo para se agasalhar e vai se sentir sozinho. Os “amigos” desaparecem. Pompas, salamaleques, bajuladores, asseclas e puxa-sacos vão se escafeder e, não farão mais parte de sua vida. E aí? Aí vem a reflexão emergindo a realidade e informando que não existe mais àquele tempo em que se fechava os olhos e “mandava ver, fazer e acontecer”, não se importando com o sofrimento alheio.

No seu sub consciente aflora remorso de culpa. Você não escapará por que é parte intrínseca de sua vida que não brotou do chão. Seus atos nefastos levarão você à loucura, infernizando seus últimos dias com você gritando um bordão infinito que estampa a sua vaidade: eu cheguei lá, eu cheguei lá, eu cheguei lá…

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